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O mundo do trabalho não voltou ao que era e nem ficou como na pandemia

Híbrido vira padrão global, remoto encolhe e o presencial volta a ganhar força em setores estratégicos

Por Léa Lobo

O mundo do trabalho não voltou ao que era e nem ficou como na pandemia

Cottonbro studio by Pexels


Pesquisando o comportamento em vários países sobre o mundo do trabalho, observa-se que cinco anos depois do choque global que esvaziou escritórios e lotou salas de jantar de “home office”, o cenário internacional entrou numa nova fase, onde o modelo híbrido se consolidou como o formato dominante, o trabalho 100% remoto perdeu espaço em vários países, e o presencial voltou a ser exigido com mais firmeza em setores onde cultura, controle e colaboração são considerados críticos. A grande mudança? Agora não se trata mais de improviso, mas sim de política corporativa estruturada, legislação específica e escolhas culturais claras.

Estudos globais indicam que, após o recuo do trabalho remoto entre 2022 e 2023, os níveis de dias trabalhados em casa tenderam à estabilização em 2024 e 2025, sugerindo que o mercado encontrou um novo ponto de equilíbrio, e não um retorno ao modelo pré-pandemia.

Nos USA o híbrido domina, mas o presencial virou bandeira de poder

Nos EUA, entre profissionais cujas funções permitem trabalhar fora do escritório, o modelo híbrido é hoje o mais comum, segundo monitoramentos recorrentes sobre o tema. O formato remoto integral existe, mas é minoritário quando comparado ao híbrido.

Ao mesmo tempo, cresceu o movimento de retorno mais rígido ao escritório, puxado por grandes empregadores e pelo setor público federal, reforçando a presença física como diretriz organizacional. Um dos casos mais emblemáticos foi o do JPMorgan, que comunicou a funcionários a exigência de presença cinco dias por semana, simbolizando a guinada mais dura de parte do setor financeiro.

Nos EUA, o modelo de trabalho virou também um instrumento de gestão de cultura, desempenho e até reestruturações silenciosas.

Na Europa, o híbrido continua forte, mas a flexibilidade recuou em 2024

Na Europa, o híbrido segue amplamente adotado, porém levantamentos recentes mostram que as oportunidades de trabalho remoto diminuíram em 2024 em relação a 2023, apesar de a preferência dos trabalhadores por flexibilidade continuar elevada.

A diferença europeia está na regulação, no qual diversos países vêm estruturando regras relacionadas ao direito à desconexão, buscando limitar o impacto do trabalho remoto sobre jornadas e saúde mental. Isso reforça um híbrido mais “organizado” e juridicamente balizado. O debate é menos “onde” e mais “como” trabalhar.

América Latina é a região mais híbrida do planeta corporativo

Estudos de mercado imobiliário corporativo indicam que a América Latina se destaca por alta adoção do modelo híbrido, com o Brasil entre os países onde empresas mantêm políticas formais de alternância entre casa e escritório.

A legislação brasileira já enquadra o teletrabalho na CLT, exigindo formalização contratual e definição de responsabilidades, o que transformou o tema em questão jurídica e de gestão; e não apenas de cultura organizacional.

No Brasil, há um fator cultural decisivo, onde longos deslocamentos urbanos, segurança e qualidade de vida pesam fortemente nas decisões corporativas.

Ásia tem o híbrido com sotaque local e pressão por presença em tecnologia

A Ásia não é um bloco homogêneo. Em países como Singapura, diretrizes oficiais estabeleceram processos formais para que empregados solicitem arranjos flexíveis, obrigando as empresas a analisar e responder de maneira estruturada.

Já na Índia, grandes empresas de tecnologia vêm apertando regras de trabalho remoto, limitando exceções e reforçando a presença física como parte da cultura organizacional. As normas sociais de presença, densidade urbana e políticas governamentais moldam fortemente as escolhas.

O corte por setor, mostra quem puxa o presencial e quem segura o híbrido


Projeções até 2030

Pesquisas internacionais sugerem que o volume médio de dias trabalhados em casa deve permanecer relativamente estável nos próximos anos, sem voltar aos picos da pandemia, mas também sem retornar ao padrão 100% presencial anterior a 2020. As tendências apontam para Polarização por função, quanto mais digital a atividade, maior a flexibilidade; Híbrido como ferramenta de gestão estratégica, não mais benefício informal; e Workplace como ativo de experiência, colaboração e cultura, não só metragem.

O mundo não escolheu entre casa e escritório. Escolheu equilíbrio sob tensão. O modelo de trabalho virou campo de disputa entre produtividade, cultura, qualidade de vida e poder corporativo.

E para quem atua com infraestrutura, workplace e serviços, a mensagem é que o escritório deixou de ser obrigação e virou argumento. Quem não transformar espaço físico em experiência, colaboração e valor real… vai assistir ao híbrido acontecer sem ele.

Fontes:

  • 2025 Global Remote Work Statistics: Hybrid Trends. EmployerRecords.com Gallup. Global Indicator: Hybrid Work
  • Robert Half. Remote Work Statistics and Trends for 2025
  • TheInterviewGuys. State of Remote Work 2025
  • Hybrid Work Statistics (2025) do Zoom
  • SecondTalent. Future of Work & Workplace Statistics 2025
  • Yomly. Remote Work Statistics (2025)
  • We Work Remotely. State of Remote Work Report 2025
  • ABRH-SP. Trabalho remoto e híbrido em 2025
  • Feijó Lopes Advogados. Labor Work Models in Brazil: Home Office, On-Site and Hybrid Arrangements (2026)
  • Teletrabalho e Modelo Híbrido em 2025 (Brasil)
  • Right to Disconnect Bill, 2025 (Índia)
  • Right to Disconnect (incluindo Austrália, Eslováquia etc.).

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