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A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Por Léa Lobo

Foto: Canva.com/filadendron


Em um mundo cada vez mais marcado por discursos autoritários e lideranças que se apresentam como infalíveis, a pergunta que abre a mais recente edição da revista Foreign Affairs é direta e provocadora: quão fortes são, de fato, os chamados “homens fortes”?

No ensaio The Weakness of the Strongmen, o historiador Stephen Kotkin desmonta, com rigor analítico, a aura de poder absoluto que envolve regimes autoritários contemporâneos. A conclusão é clara: por trás da aparência de controle total, há fragilidades estruturais profundas, e elas oferecem lições valiosas não apenas para a geopolítica, mas também para a forma como organizações, líderes e sistemas de gestão operam.

Segundo Kotkin, regimes autoritários concentram poder, recursos e decisões em poucas mãos, sustentados por aparatos de repressão, narrativas cuidadosamente construídas e controle sobre a vida cotidiana da população. À primeira vista, parecem eficientes. Mas esse modelo cobra um preço alto: corrupção sistêmica, medo generalizado, baixa inovação e incapacidade de adaptação.

O autor identifica cinco pilares que sustentam esses regimes — repressão, fontes de receita, narrativa ideológica, controle da vida das pessoas e ambiente internacional — e demonstra como cada um deles carrega, paradoxalmente, sua própria vulnerabilidade. Quanto maior o controle, maior a rigidez. Quanto maior a centralização, menor a capacidade de resposta. E quanto mais se governa pelo medo, mais frágil se torna a confiança.

O espelho das organizações

A análise de Kotkin vai muito além da política internacional. Ela funciona como um espelho incômodo para empresas e instituições que ainda apostam em modelos de liderança excessivamente centralizados, pouco transparentes e baseados no comando e controle.

Ambientes onde decisões são tomadas sem escuta, onde o erro é punido e não tratado como aprendizado, e onde a informação circula de forma restrita tendem a reproduzir o mesmo padrão: aparente força no curto prazo e fragilidade no médio e longo prazos. A inovação diminui, o engajamento cai e os riscos se acumulam silenciosamente.

No contexto de Facility, Property e Workplace Management, essa reflexão ganha ainda mais relevância. A gestão de ambientes complexos exige colaboração, dados confiáveis, autonomia responsável e capacidade de adaptação constante. Sistemas rígidos e lideranças inflexíveis simplesmente não dão conta da complexidade dos edifícios, das pessoas e das operações atuais.


Resiliência não nasce do autoritarismo

Um dos pontos centrais do ensaio é a defesa da resiliência como força real, tanto em países quanto em organizações. Democracias, apesar de suas crises e contradições, tendem a ser mais resilientes justamente porque permitem o conflito, a diversidade de ideias e a correção de rumos.

Kotkin argumenta que regimes autoritários podem durar mais do que se imagina, mas são sempre suscetíveis a colapsos repentinos, especialmente em momentos de transição ou sucessão de poder. O mesmo vale para empresas excessivamente dependentes de uma única liderança ou visão.

Em tempos de transformação digital, inteligência artificial, ESG e novos modelos de trabalho, a lição é direta: força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar.

Um alerta oportuno

Ao provocar o leitor com a pergunta “quão fortes são os fortes?”, a Foreign Affairs oferece mais do que uma análise geopolítica. Entrega um alerta poderoso sobre os limites do autoritarismo, em qualquer escala.

Para líderes, gestores e profissionais de infraestrutura, a mensagem é cristalina: ambientes saudáveis, transparentes e colaborativos não são sinal de fraqueza, mas de inteligência estratégica. No fim das contas, a verdadeira força está menos na imposição e mais na capacidade de construir confiança, propósito e adaptação contínua.



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