Por Léa Lobo

Com expansão consistente no Brasil, companhia inaugura espaço na Torre Jatobá com foco em colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e experiência do colaborador.
A expansão dos negócios, a incorporação de novas operações e o crescimento do quadro de colaboradores impulsionaram a AstraZeneca a repensar sua presença física em São Paulo. O resultado é um novo escritório na Torre Jatobá, no complexo Parque da Cidade, com 2.300 m², desenhado para traduzir, em arquitetura e operação, a cultura da companhia: inovação, cuidado, colaboração, sustentabilidade e conexão com as pessoas.
Mais do que uma mudança de endereço, o projeto representa uma evolução na forma como a empresa entende o ambiente de trabalho. O novo espaço nasce alinhado ao modelo híbrido já adotado pela AstraZeneca, com postos não fixos, tecnologia integrada, áreas com diferentes níveis de privacidade e ambientes pensados para apoiar concentração, comunicação, colaboração, celebração e conexão.
Com conceito desenvolvido em parceria com a Pitá Arquitetura, o workplace incorpora elementos de brasilidade, biofilia, acessibilidade, automação, bem-estar e eficiência operacional. A proposta foi criar um escritório capaz de gerar impacto visual e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência cotidiana mais fluida, inclusiva e sustentável para colaboradores, visitantes e parceiros.
A seguir, Aline Rugai, Especialista de Facilities & Mobility da AstraZeneca, detalha as premissas, escolhas e indicadores que orientaram o projeto.
O que motivou a mudança do Morumbi Corporate, com 700 m² em meio andar, para a Torre Jatobá, com 2.300 m² em andar inteiro?
A AstraZeneca registrou em 2025 um crescimento global de 8%. No Brasil, mantivemos uma trajetória consistente, com expansão acima de 20% por cinco anos consecutivos. Essa performance reflete nosso portfólio inovador, a ampliação do acesso a tratamentos e a integração bem-sucedida de aquisições estratégicas nos últimos anos, como a da Alexion. A operação da Alexion no Morumbi foi incorporada à estrutura local e, desde 2020, passou a compor os escritórios da AstraZeneca no país.
Acompanhando esse movimento, expandimos nosso quadro de colaboradores em cerca de 37% nos últimos cinco anos, em todas as frentes — campo, áreas administrativas e operações fabris. Diante desse crescimento, identificamos a necessidade de ampliar nossa presença física, fortalecendo nossa atratividade e proximidade com talentos e parceiros no município de São Paulo, ao mesmo tempo em que seguimos operando com nossa sede no Brasil em Cotia, que reúne escritório e fábrica.
Esse passo reforça nosso compromisso de longo prazo com o país, com a inovação em saúde e com a geração de valor para pacientes, sistema de saúde e sociedade.
Qual é o conceito central do novo escritório e que tipo de experiência vocês querem proporcionar para quem trabalha e visita o espaço?
Nosso objetivo foi entregar um espaço que fosse simultaneamente acessível, sustentável e capaz de gerar um verdadeiro “efeito uau” em quem o utiliza. Com um toque de brasilidade, o projeto traduz a essência da AstraZeneca, aplicando nossa identidade de marca de forma orgânica, elegante e funcional nos ambientes.
O resultado é um escritório que inspira colaboração, promove bem-estar e reflete nosso compromisso com inovação responsável e com a cultura local.
Como os elementos da fauna e da flora brasileiras aparecem no projeto, em materiais, cores, formas, texturas e iluminação?
O principal elemento foi a escolha do piso monolítico da nossa recepção, que lembra o casco de uma tartaruga, 100% artesanal e orgânico. Utilizamos também revestimentos em madeira, pedras como elemento central de apoio em nosso lounge, além da biofilia, que está presente em todas as áreas compartilhadas e salas de reunião, trazendo verde, conforto sensorial e conexão com a natureza — um componente essencial para bem-estar, colaboração e produtividade.
Como foi o processo criativo com a Pitá Arquitetura e quais foram as principais premissas definidas no briefing?
A Pitá é parceira de longa data da AstraZeneca. Entre 2016 e 2020, conduziu os projetos de retrofit da nossa planta em Cotia, modernizando todos os espaços administrativos (internamente chamados de iWork), além do Laboratório e do Ambulatório Médico. Este último evoluiu para um verdadeiro Centro de Saúde, que reúne múltiplas especialidades e benefícios aos nossos colaboradores, refletindo nosso compromisso com cuidado integral.
Desde o início, estabelecemos premissas claras: acessibilidade aplicada no dia a dia, sustentabilidade como pilar, automação a serviço da experiência e eficiência, e o desenho dos ambientes orientado pelos nossos “5 Cs” que indicam concentração, comunicação, colaboração, celebração e conexão.
Essa proporcionalidade na planta garante espaços equilibrados, que favorecem produtividade, bem-estar e cultura, sustentando a forma como trabalhamos hoje e nos preparamos para o futuro.
Quais mudanças vocês planejam no modelo de trabalho, considerando o híbrido e o presencial, e como o layout foi desenhado para suportar isso?
A AstraZeneca adota há anos um modelo híbrido, com postos não fixos, o que facilitou a implementação de um layout orientado à flexibilidade. Nosso foco, portanto, esteve nos detalhes: desenhamos ambientes e fluxos para oferecer conforto, funcionalidade e inclusão a todos os públicos que utilizam o espaço.
Isso se traduz em áreas de trabalho com diferentes níveis de privacidade, tecnologia integrada para colaboração presencial e remota, soluções de acessibilidade aplicadas no cotidiano e serviços de apoio que tornam a experiência mais fluida.
O resultado é um ecossistema de trabalho que equilibra produtividade, bem-estar e conexão, respeitando as necessidades diversas das nossas equipes.
Quais soluções foram priorizadas pensando em saúde e bem-estar para atender ao Fitwel e qual impacto vocês esperam na rotina dos colaboradores?
Desenhamos um ambiente colaborativo banhado por luz natural e com vistas externas que convidam a pausas restaurativas. Nesses momentos, os colaboradores podem desfrutar de café, bebidas saborizadas e frutas oferecidas no café da manhã diário.
Para reuniões, implementamos, em parceria com a IBBL, a máquina Horeca, eliminando garrafas e latas individuais de água nas salas e reduzindo resíduos — uma medida que reforça nosso compromisso com a sustentabilidade no dia a dia.
Também incorporamos soluções de bem-estar ao espaço. Em colaboração com a Mindself, instalamos uma cabine de meditação que viabiliza pausas estratégicas para autocuidado durante a jornada de trabalho. Complementarmente, contamos com uma sala Wellness onde, com apoio do Grêmio AstraZeneca, oferecemos semanalmente sessões de massagem para os colaboradores.
Com foco em acessibilidade e ergonomia, parte das estações de trabalho possui ajuste de altura, promovendo conforto e bem-estar para diferentes perfis de usuários. O conjunto dessas iniciativas cria uma experiência integrada que favorece produtividade, saúde e uma cultura de cuidado.
Quais medidas de sustentabilidade foram adotadas no projeto para LEED?
Projetamos o escritório com foco em eficiência e conforto. Toda a iluminação é dimerizável, permitindo ajustar a intensidade de luz conforme a atividade e o horário, melhorando a experiência do usuário e contribuindo para o uso racional de energia.
Na climatização, adotamos automação e descentralizamos os equipamentos nas salas de reunião, de modo que cada usuário acione o sistema apenas durante a utilização — uma medida simples que reduz consumo e desperdícios.
Complementamos com sistemas de monitoramento para medição e otimização do uso de energia e água, criando uma base de gestão contínua de desempenho ambiental.
Ao longo da obra, implementamos controle rigoroso de processos e gestão avançada de resíduos, priorizando destinação adequada e redução de impactos. Nesse aspecto, o suporte técnico da nossa construtora parceira, AW | Athiê Wohnrath, foi determinante para a qualidade da execução e o alcance dos resultados planejados.
Como vocês vão medir o sucesso do novo escritório depois da mudança?
Conduzimos recentemente uma pesquisa de satisfação para ouvir ativamente nossos colaboradores e os primeiros resultados indicam alto nível de aprovação do escritório recém-inaugurado.
Para garantir melhoria contínua, operamos com um cockpit de dados: acompanhamos mensalmente a ocupação dos dois escritórios por meio de indicadores como acessos, reservas de estações de trabalho, utilização de salas de reunião e solicitações de coffee.
Esses insights nos permitem ajustar capacidade, serviços e experiência do usuário em tempo real, assegurando que o ambiente continue alinhado às necessidades das equipes.
Workplace como expressão da cultura
O novo escritório da AstraZeneca evidencia como o workplace deixou de ser apenas uma resposta física à necessidade de expansão para se tornar uma plataforma estratégica de cultura, experiência e performance. Ao reunir crescimento corporativo, brasilidade, sustentabilidade, acessibilidade, tecnologia, bem-estar e gestão baseada em dados, o projeto traduz uma visão contemporânea sobre o papel dos ambientes de trabalho nas organizações.
Na prática, o espaço reforça que escritórios bem planejados podem ir além da ocupação eficiente: eles fortalecem vínculos, estimulam colaboração, apoiam diferentes formas de trabalhar e criam condições mais saudáveis, inclusivas e produtivas para as pessoas.
Para a AstraZeneca, a nova operação na Torre Jatobá representa não apenas um endereço maior em São Paulo, mas um ambiente preparado para acompanhar a evolução da companhia no país, sustentar sua cultura de cuidado e inovação e oferecer uma experiência alinhada aos desafios atuais e futuros do trabalho.