A infiltração que aparece hoje começou muito antes

Para Thadeu Rodrigues, CEO da Moshe 3000, aposta em nanotecnologia, prevenção e acompanhamento técnico para ampliar a vida útil das edificações e reduzir intervenções.

A infiltração que aparece hoje começou muito antes

Thadeu Rodrigues, fundador e CEO da Moshe 3000


Uma mancha no teto, a pintura que começa a descascar ou a umidade que sobe pelas paredes parecem anunciar o início de um problema. Na prática, revelam uma falha que pode ter começado muito antes, ainda no projeto, na escolha do sistema, na execução ou na ausência de acompanhamento preventivo. Essa mudança de perspectiva orienta o trabalho da Moshe 3000, empresa brasileira que desenvolve soluções de impermeabilização e proteção de superfícies com nanotecnologia.

À frente da companhia, o fundador e CEO Thadeu Rodrigues defende que a impermeabilização precisa deixar de ser tratada apenas como resposta a uma emergência. Segundo ele, a umidade está entre as causas mais recorrentes de patologias construtivas e pode afetar o desempenho, a segurança, o conforto e o custo de operação dos ativos ao longo do tempo. Para o gestor de Facilities, isso significa olhar também para as estruturas e superfícies que ainda não apresentam sinais visíveis.

Rodrigues evita estabelecer um intervalo único para revisão dos sistemas de impermeabilização. A vida útil depende do tipo e da qualidade do material, da aplicação, das condições da edificação, da exposição às intempéries e do plano de manutenção. Uma laje coberta por manta asfáltica, por exemplo, pode responder de maneiras diferentes conforme o projeto e a execução. Por isso, o acompanhamento de um profissional habilitado é decisivo para avaliar cada situação e definir o momento adequado de intervir. “É infinitamente mais barato agir preventivamente do que remediar. Conseguimos atuar em qualquer etapa, com diagnóstico preventivo ou corretivo,” esclarece.

O alerta ganha relevância diante de chuvas mais intensas e eventos climáticos que aumentam a exposição das edificações. Para Facilities Management, a prevenção pode evitar interrupções, danos a instalações e equipamentos, perda de áreas de uso e obras corretivas realizadas sob pressão. Também melhora a previsibilidade orçamentária, porque permite planejar inspeções e serviços antes que a falha imponha uma resposta emergencial.

A Moshe 3000 nasceu de um ciclo de pesquisas iniciado há cerca de 15 anos, com foco em nanotecnologia aplicada à construção. De acordo com o CEO, a companhia possui uma patente de aditivo para concreto, no Brasil e no exterior, que serviu de base para uma linha hoje formada por mais de 20 produtos. As soluções atendem desde obras em fase de projeto até operações que demandam retrofit.

O portfólio informado pela empresa inclui impermeabilizantes e hidrorrepelentes para diferentes superfícies e aplicações em construção civil, indústrias, shopping centers, pontes, viadutos, túneis, rodovias e sistemas de tratamento de água e esgoto. A companhia afirma que seus produtos utilizam minerais e resinas à base de água e dispõe de certificações emitidas por laboratórios e organismos nacionais e internacionais. Para sistemas em contato com água potável, Rodrigues cita a certificação NSF 61.

Entre os exemplos apresentados pelo executivo está uma solução para coberturas metálicas que reúne quatro funções: impermeabilização, acabamento com possibilidade de pigmentação, tratamento químico da oxidação existente e redução da carga térmica. A proposta surgiu, segundo ele, da escuta de clientes que precisavam tratar simultaneamente diferentes problemas do mesmo telhado. “O mercado dizia que precisava impermeabilizar o telhado, reduzir a carga térmica e tratar uma chapa já oxidada. Com o mesmo aplicador e em uma única tarefa, buscamos mitigar esses problemas,” explica.

A proteção, porém, não se restringe às áreas aparentes. Rodrigues chama a atenção para fundações, lajes e estruturas sujeitas à umidade por capilaridade. Quando a impermeabilização é incorporada ao concreto desde a execução, afirma, ela pode proteger desde a fundação até a cobertura. Em ativos existentes, o diagnóstico deve localizar a origem da entrada de água antes da escolha do tratamento.

Mesmo uma tecnologia de alto desempenho pode ser comprometida por preparo inadequado da superfície, especificação incorreta ou falhas de execução. Por isso, a empresa capacita empresas aplicadoras e acompanha os parceiros na utilização dos produtos. Rodrigues considera o pós-venda parte central da entrega, inclusive quando surge uma ocorrência em campo. “Precisamos capacitar o aplicador para que ele extraia o melhor desempenho do produto. Quando existe algum problema eventual, somos os primeiros a nos colocar ao lado do parceiro e do cliente final para buscar uma solução”, diz. O modelo procura reduzir falhas de aplicação e manter a responsabilidade técnica compartilhada entre fabricante, aplicador e contratante.

Na contratação, o CEO recomenda avaliar o custo total da solução, e não apenas o valor inicial do produto ou do serviço. Preços muito abaixo da média podem refletir limitações na tecnologia ou na mão de obra. No extremo oposto, soluções reconhecidas pela excelência podem exigir investimentos difíceis de acomodar. A estratégia dele, afirma, foi desenvolver tecnologia própria que reduz etapas de aplicação e busca combinar desempenho com custo competitivo.

Essa análise interessa diretamente ao gestor de Facilities, pois uma impermeabilização barata que falha cedo tende a gerar retrabalho, paralisações e danos indiretos. A decisão deve considerar durabilidade, rendimento, método de aplicação, qualificação da equipe, assistência pós-venda e frequência provável de manutenção. O preço de compra é apenas uma parte da conta.

A pesquisa e o desenvolvimento permanecem ativos depois que um produto chega ao mercado. Rodrigues relata que uma solução lançada há cinco anos passou por aproximadamente cinco evoluções desde então. Parte dessas mudanças nasce das demandas observadas em obras e operações, em um processo que ele descreve como desenvolvimento a quatro mãos com clientes e aplicadores.

Para quem administra edifícios, o principal recado é que a impermeabilização não deve entrar na agenda somente quando a água já encontrou caminho. Mapear áreas críticas, inspecionar sistemas, registrar ocorrências, acompanhar a vida útil dos materiais e contratar diagnóstico especializado são medidas capazes de preservar o ativo e reduzir custos. A mancha pode ser recente. A origem do problema, quase nunca é.


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