Da biofilia artificial à natureza real através da hidrocultura que leva vida aos espaços de trabalho

Técnica de cultivo sem terra facilita a manutenção de plantas naturais e pode ajudar as empresas a substituir o “verde cenográfico” por natureza de verdade

Por Léa Lobo

Da biofilia artificial à natureza real através da hidrocultura que leva vida aos espaços de trabalho

Dylan Wigman, diretor da MolenPlanten


A biofilia conquistou os ambientes corporativos. Plantas, tons de verde, madeira e referências à natureza aparecem cada vez mais em escritórios, recepções e áreas de convivência. Em muitos casos, porém, a natureza termina na aparência. Plantas artificiais podem atender a uma necessidade estética, mas não entregam o principal fundamento da biofilia, que é a conexão das pessoas com elementos vivos e naturais.

O desafio enfrentado pelos Facilities Managers é conhecido. Como levar plantas naturais para os espaços internos sem criar uma operação complexa de irrigação, limpeza, reposição e manutenção? Uma das alternativas é a hidrocultura, técnica na qual as plantas são cultivadas sem terra, com a utilização de substratos minerais e um sistema controlado de água e nutrientes. Segundo Dylan Wigman, diretor da MolenPlanten, empresa especializada em paisagismo corporativo, a técnica proporciona maior controle da irrigação e facilita a manutenção das plantas em ambientes internos.

Menos terra, mais controle
Para FM, a principal vantagem está justamente na operação. A ausência de terra reduz a sujeira, enquanto o sistema permite administrar melhor a disponibilidade de água para cada planta, diminuindo a necessidade de intervenções frequentes. Isso não significa, entretanto, um paisagismo sem manutenção. Luminosidade, temperatura, espécie escolhida, condições do ar-condicionado e características do ambiente continuam sendo determinantes para a saúde das plantas.

A diferença está em considerar o paisagismo, desde o início, como parte da operação do edifício, e não apenas como uma decisão estética do projeto. Antes da instalação, portanto, o gestor deve fazer algumas perguntas, como se a espécie é adequada ao ambiente? Qual será a frequência de manutenção? Como será realizada a irrigação? Qual é a expectativa de reposição das plantas?

Plantas e qualidade do ambiente interno
Além de transformar a estética e a experiência dos espaços, as plantas naturais participam das trocas com o ambiente. Por meio da transpiração, liberam vapor de água e podem colaborar para o equilíbrio da umidade e para a sensação de conforto, especialmente em locais climatizados, nos quais o ar pode se tornar mais seco.

Durante a fotossíntese, as plantas também absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio. Alguns estudos realizados em condições controladas indicam ainda a capacidade de determinadas espécies de absorver certos compostos presentes no ar. No contexto de um escritório, porém, a presença de plantas não substitui a renovação do ar, a filtragem, o controle de umidade nem a correta manutenção dos sistemas de climatização. Sua contribuição deve ser entendida como complementar, inserida em uma estratégia mais ampla de qualidade ambiental interna.

A escolha das espécies e o controle da irrigação também são fundamentais. Excesso de umidade, água acumulada ou manutenção inadequada podem favorecer microrganismos e comprometer o resultado esperado. Nesse aspecto, o controle proporcionado pela hidrocultura pode representar uma vantagem operacional.

Biofilia precisa estar viva
Essa discussão ganha importância à medida que as empresas investem cada vez mais em experiência, bem-estar e qualidade dos ambientes de trabalho. Se o propósito da biofilia é aproximar as pessoas da natureza, talvez seja o momento de avançar além das reproduções artificiais e avaliar alternativas que permitam colocar vida real nos espaços corporativos.

Nesse contexto, a hidrocultura pode ser uma aliada do Facility Manager ao conciliar natureza, estética, conforto e viabilidade operacional. Afinal, um ambiente pode até parecer verde com plantas artificiais. Mas existe uma diferença entre “decorar” um espaço com representações da natureza e permitir que as pessoas convivam, de fato, com elementos vivos. – www.molenplanten.com.br


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.
Como avaliar o desempenho de um contrato de limpeza?

Edgar Britto Dias, Helena Serafim e equipe analisaram os dados por trás da limpeza profissional e encontraram uma diferença decisiva entre dimensionar um contrato e fazê-lo entregar resultado

Líderes de audiência

Operações

Como avaliar o desempenho de um contrato de limpeza?

Edgar Britto Dias, Helena Serafim e equipe analisaram os dados por trás da limpeza profissional e encontraram uma diferença decisiva entre dimensionar um contrato e fazê-lo entregar resultado

Operações

Da abertura de chamados ao AI Service Management: como agentes inteligentes podem transformar as cen...

O avanço dos agentes autônomos de IA em operações de atendimento amplia o debate sobre uma nova geração de Service Desk, capaz de interpretar ocorrências, executar fluxos completos e integrar plataformas de gestão predial

Workplace

Google transforma prédio dos anos 1940 em centro de IA

Instalação para até 400 profissionais mostra como localização, infraestrutura existente e capacidade de adaptação podem pesar mais que a idade do ativo

Workplace

Um escritório do tamanho de uma cidade: as lições do novo campus do BNP Paribas

A concentração de 5.300 pessoas em um complexo de 38 mil m², em Lisboa, mostra por que grandes sedes corporativas passam a exigir serviços, indicadores e rotinas diferentes em cada zona de uso

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea