O que está por trás da construção de um dos maiores parques solares de SP?

Complexo empresarial estima cobrir 30.000 m² dos telhados dos prédios com placas solares até 2030. Confira as estratégias do E-business Park para avançar na agenda ESG.

Por Natalia Gonçalves

O que está por trás da construção de um dos maiores parques solares de SP?

Foto: Divulgação


Com investimento de R$25 milhões, E-business Park avança na pauta de ESG. Desde a criação do complexo empresarial, há quase duas décadas, ele investe em estratégias de sustentabilidade, sendo o próximo passo a construção de um dos maiores parques solares da cidade de São Paulo. Segundo Sidney Angulo, diretor do empreendimento, a estimativa é cobrir 30.000m² dos telhados dos prédios, número que pode chegar a 50.000 m², até 2030.  

A meta do complexo empresarial é neutralizar 100% das emissões de carbono. Neste sentido, o executivo destaca outras práticas para a conquista da operação carbono zero, como a preservação e reflorestamento das áreas verdes, coleta seletiva de resíduos e compostagem de podas. “A ideia é poder oferecer ao nosso locatário, recursos para auxiliá-lo a atingir seus índices internos de ESG. Dessa forma, não apenas contribuímos para um ambiente mais saudável e sustentável, mas também atraímos locatários que compartilham desses valores”, afirma o diretor.

Qual foi o planejamento para a construção do parque solar? 

“O mercado de energia fotovoltaica no Brasil está em constante expansão, impulsionado por preços mais baixos de equipamentos, políticas governamentais de incentivo e a necessidade de revisão e diversificação da matriz energética”, observa Angulo. Para ele, devido à vasta extensão territorial do Brasil, a quantidade significativa de radiação solar e a redução dos custos das tecnologias associadas, os sistemas fotovoltaicos se tornaram mais acessíveis e atraentes para residências, usinas de grande escala e empresas.

Para realizar o planejamento da construção do parque solar, houve o envolvimento das áreas de arquitetura e engenharia, na parte técnica, e da diretoria como estratégia do negócio. “É uma tarefa complexa que envolve a consideração de diversos fatores para garantir o sucesso do projeto. Alguns dos principais fatores técnicos considerados para esse projeto incluem: localização, inclinação, reforços estruturais, regulamentações, análise ambiental, estudo de irradiação solar, design, operação e manutenção”, comenta o executivo.

De acordo com Angulo, uma das vantagens do sistema escolhido é que permite o monitoramento em tempo real da energia elétrica gerada, além de ser seguro em caso de falha. “Caso um ou mais painéis apresentem defeito, o sistema desliga somente uma parte do parque solar, e continua produzindo energia a partir do funcionamento do restante, diferentemente dos modelos tradicionais que desligam todo o sistema”, explica.


O que está por trás da construção de um dos maiores parques solares de SP?

Foto: Divulgação


Migração do mercado cativo para o mercado livre de energia 

Com o objetivo de reduzir os custos do empreendimento com energia elétrica, a equipe técnica do E-Business Park se debruçou sobre alternativas e estudos específicos do tema. “Até 2019, o mercado cativo de energia elétrica era a principal e mais comum referência. Para dar o primeiro passo de uma mudança, inicialmente, foi realizado um levantamento da demanda de energia elétrica do complexo desde 2012, com o intuito de reavaliar o contrato de demanda de energia do momento junto à concessionária”, lembra Angulo. 

Apenas com a gestão da fatura de energia elétrica no mercado cativo vigente, o trabalho resultou em uma economia de, aproximadamente, 3% em 2020. Ainda nesse período, foi realizada a migração para o mercado livre de energia elétrica. A estimativa era de 7% a 38% de economia, em 3,5 anos de período no mercado livre. Contudo, já no início de 2021 foi possível apurar as primeiras economias geradas pelo projeto de migração. 

Os resultados foram de 14,5%, 22% e 18% de economia em 2020, 2021 e 2022, respectivamente. Apesar da pandemia de Covid-19, o executivo ressalta que o empreendimento manteve a operação normal, com todos os cuidados recomendados, ainda que com fluxo de pessoas e atividades reduzidos.

Soluções para eficiência energética e hídrica

Para reduzir o uso de combustíveis fósseis no E-business Park, foram fechadas parcerias com empresas do setor automotivo para instalação de carregadores de veículos elétricos, assim como, houve a priorização do uso de veículos elétricos na frota interna. Os veículos, modelos similares a carrinhos de golfe, são utilizados atualmente para deslocamento de visitantes, da equipe de manutenção predial e para a coleta dos resíduos nos coletores e ecopontos espalhados pelo empreendimento. 

Além disso, foi realizado o retrofit da iluminação de todas as áreas comuns, contribuindo com as atividades de eficiência energética. A substituição de todas as lâmpadas e luminárias por LEDs foram realizadas nas áreas de estacionamentos, vias de circulação, centro de conveniências e restaurantes, áreas verdes e praças ao ar livre.

“Outro ponto de grande atenção desde a implantação do complexo empresarial é em relação ao consumo e eficiência hídrica”, enfatiza Angulo. No E-business Park, as águas das chuvas são captadas dos telhados, filtradas, cloradas, e direcionadas para uso nos vasos sanitários dos prédios, bem como para rega e limpeza das áreas comuns.

O que está por trás da construção de um dos maiores parques solares de SP?

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Confira alternativas para otimização de recursos

Em 2019, o sistema de reuso do complexo empresarial foi expandido, tendo mais de seis reservatórios instalados, resultando no total 120 m³ de capacidade de reserva e por volta de 500 metros lineares de tubulações construídos. Ainda, conforme o diretor, todas as áreas verdes são irrigadas com a produção do sistema de reuso diariamente, com o auxílio de caminhões pipa próprios.

Outras práticas adotadas: 

- Renegociação do contrato de demanda firme junto à concessionária de água local;

- Instalação de arejadores (vazão de 1,8 L/min) nas pias das áreas comuns; 

- Substituição de dispensers de papel toalha por secadores elétricos; 

- Troca das tubulações antigas em ferro fundido; 
 
- Substituição de tubulações enterradas por tubulações em material plástico (PPR). 

A última prática, como ressalta Sidney Angulo, resultou na redução do consumo de água das áreas comuns em aproximadamente 1.000 m³ por mês e estabilizou a pressão da rede hidráulica. 


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