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Ser feliz no trabalho é essencial

Qual é a relação entre felicidade profissional e nível de entrega de resultados? Confira artigo de especialista.

Por David Braga

Ser feliz no trabalho é essencial


O tema da felicidade está sempre permeando nossa rotina e no trabalho não é diferente - nos últimos tempos tem ganhado relevância cada vez maior dentro das empresas e se tornado fórum para discussões em comitês estratégicos, pois afeta diretamente o clima organizacional. Neste dia 20 de março, celebrado como o Dia Internacional da Felicidade, te convido a refletir sobre o que te deixa feliz e se você é uma pessoa realizada com suas escolhas profissionais.

Todos nós estamos em constante evolução, seja como profissionais, seja como pessoas. Estarmos atentos ao que precisamos melhorar amplia nossa competitividade no mundo. Assim, é primordial desenvolver o autoconhecimento, especialmente para quem quer ter êxito na carreira. Afinal, quanto mais você se conhece, mais consegue potencializar as competências e habilidades nas quais é bom e correr atrás daquelas nas quais precisa melhorar. 

Na verdade, aliar o sentimento de felicidade ao trabalho pode assumir diferentes significados para cada pessoa. Para uns, felicidade profissional é fazer o que mais gosta; se reconhecer bom no que se faz; é se perceber contribuindo de alguma forma para a sociedade e para a empresa ao desempenhar determinado papel. Para outros, é receber um bom salário; ter vários benefícios mensalmente; é ter a carteira de trabalho assinada.

Você que me lê, sente que é feliz na sua atividade profissional? Se sente empolgado, tem brilho nos olhos, sente o sangue ferver ao aprovar um projeto? Ou a cada manhã vive um sofrimento para encarar a realidade que o aguarda na empresa? A felicidade profissional geralmente determina o nível de entrega de seus resultados. Tal Ben-Sharar, conhecido guru da felicidade que dá as aulas mais concorridas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, diz que no ambiente profissional “equipes com emoções positivas e bem-estar psicológico garantem os resultados até seis vezes mais”. 

Já segundo o Instituto Gallup, colaboradores engajados e com alto nível de satisfação, ao longo de um ano, perdem 70% menos dias trabalhados e são mais propensos a não faltar por problema de saúde. Além disso, são 45% mais predispostos a exibir um alto nível de adaptação a mudanças, algo fundamental e cada vez mais requerido pelas empresas. Nesse cenário, portanto, me parece fundamental compreender que a felicidade deve ser pauta dos conselhos de administração e estratégia das empresas, porque vai além do bem-estar psicológico dos funcionários e da boa relação com o meio ambiente. Propõe também um modelo de desenvolvimento do negócio, sustentado pelo equilíbrio entre lucro, ética e valores, pilares da tão falada e adotada na atualidade a política ESG – ambiente, social e governança, na sigla aportuguesada do ESG (environmental, social and governance, em inglês). 

Voltando à sua satisfação no dia a dia profissional, se você não está feliz onde trabalha, o(a) convido a refletir sobre as mudanças que  pode promover, afinal, permanecer em um ambiente por ao menos oito horas diárias, que não ofereça qualquer prazer, é complexo e traz infelicidade, angústia, tristeza. A meu ver, a felicidade não é trabalhar pouco: ela envolve ser desafiado, enfrentar problemas, se expor a situações que trarão maturidade emocional e profissional, fazendo de você alguém melhor. Percebo que ainda existe uma visão distorcida no mercado de trabalho sobre isso. Por isso, é essencial estar atento a essas nuances. 

Sendo assim, acredito ser fundamental que você analise se está feliz onde trabalha; se você se sente realizado; se se relaciona bem com seus pares; e se sente que é reconhecido. Do contrário, busque uma mudança. O que não quer dizer que você precisa sair da empresa, mas sim criar novos caminhos. Todavia, se isso não for possível, e você perceber que onde está não lhe cabe mais, crie um planejamento para o próximo desafio. É aí que você começa a assumir o seu protagonismo em busca da tão almejada felicidade.

Costumo aconselhar, nesses casos, uma terapia ou um processo qualificado de coaching, para que, por meio de assessment, ou seja, ferramentas avaliativas, você possa ter clareza de quem é. A partir daí, progredir naquilo que é necessário e, também, nos demais pontos que deseja aperfeiçoar. Em um mundo competitivo, estar realizado na atividade profissional é importante e inovar e se diferenciar diariamente, para não se tornar obsoleto em relação às práticas de gestão e às questões tecnológicas, também se faz necessário. Mas, a meu ver, o mais importante é não negligenciar sua busca profissional pessoal, suas realizações e seus sonhos. Esses, sim, os mais relevantes para cada indivíduo encontrar seu equilíbrio e sua felicidade entre os lados pessoal e a profissional, afinal, somos seres únicos e integrais. 


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