Cebrasse reúne lideranças e debate futuro do setor de serviços com foco em turismo, IA e agenda institucional

Setor de multisserviços precisa avançar ePm gestão e tecnologias para crescer

Por Léa Lobo

Cebrasse reúne lideranças e debate futuro do setor de serviços com foco em turismo, IA e agenda institucional

Foto: divulgação


No último dia 27 de novembro de 2025, a Cebrasse promoveu um encontro decisivo para empresários e executivos do setor de serviços, trazendo reflexões estratégicas sobre turismo, inovação, inteligência artificial e o papel das entidades representativas no atual cenário econômico e político. O evento contou com as apresentações de Bruno Omori, presidente do Instituto IDEA Casino, Brian Cassiano Bittencourt, Growth & Marketing Director e AI Expert na WOBA, e foi encerrado com uma fala enfática do presidente da Cebrasse, João Diniz, que destacou os avanços da gestão e os desafios dos próximos anos.

Potencial turístico brasileiro

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Bruno Omori abriu o encontro destacando o ambiente colaborativo que une turismo, esportes, hotelaria e jogos no Brasil. Apresentou os pilares de atuação do Instituto IDEA Casino e fez um panorama otimista do turismo mundial, que retomou o patamar pré-pandemia com 1,5 bilhão de viagens internacionais e US$ 2 trilhões em receitas em 2024. Ao olhar para o Brasil, Omori ressaltou o potencial de crescimento: 60 milhões de turistas domésticos e a projeção de 8 milhões de estrangeiros ainda este ano. Reforçou também a robustez da hotelaria nacional, com 27 mil empreendimentos e mais de 500 mil apartamentos, movimentando diariamente milhões de hóspedes e cifras bilionárias.

Em sua análise de tendências, Omori apresentou movimentos que moldam o “novo turismo”, como acessibilidade, sustentabilidade, turismo de natureza, pet friendly, melhor idade e experiências gamificadas, incluindo cases de resorts totalmente acessíveis e iniciativas com Minecraft que aproximam jovens do turismo regional. Mas foi ao entrar na pauta dos jogos e cassinos que o debate ganhou contorno estratégico.

Ele contextualizou que 71 dos 156 países da ONU já regulamentaram o setor, enquanto o Brasil segue como uma das exceções relevantes. Omori mostrou que o mercado de apostas esportivas, regularizado desde 2025, já conta com 178 empresas licenciadas e movimenta mais de R$ 150 bilhões ao ano. Também destacou o avanço das loterias estaduais e municipais, com exemplos do Rio de Janeiro, Paraná e Olímpia que geram receitas diretas para áreas como saúde, educação, segurança e esportes por meio de raspadinhas, loterias e máquinas eletrônicas (VLTs). O projeto de lei dos cassinos físicos, aprovado na Câmara e na CCJ do Senado, aguarda votação em plenário e pode destravar mais de US$ 70 bilhões em investimentos no país, com forte impacto em hotelaria, entretenimento, comércio e serviços. Omori reforçou que essa é uma oportunidade histórica para o Brasil expandir o turismo e dinamizar a economia.

IA para ajudar prestadores de serviços

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Na sequência, Brian Cassiano Bittencourt trouxe o olhar da tecnologia e da inteligência artificial para dentro do ecossistema de serviços e do real estate flexível. Ele apresentou o case da Bruna, agente de IA da WOBA responsável por prospectar executivos em e-mail, WhatsApp e LinkedIn. De acordo com Brian, Bruna supera todos os profissionais humanos que já ocuparam a mesma função: responde com precisão, personaliza mensagens em segundos e atinge taxas de retorno excepcionalmente altas , muitas vezes recebendo elogios pela naturalidade e clareza da comunicação. A razão está na capacidade da IA de pesquisar instantaneamente sobre empresas e executivos, produzindo textos hiperpersonalizados em escala. 

O especialista também apresentou agentes de IA para ambientes físicos, como controlador inteligente de ar-condicionado e energia, zelador autônomo, orquestrador de ocupação e curador de espaços, que prometem reduzir custos, aumentar satisfação dos usuários e prolongar a vida útil dos ativos. Em bastidores, mostrou como a WOBA incorporou IA em toda a organização por meio de capacitação transversal, desenvolvimento do WobaBrain (GPT corporativo), criação de um kit próprio de ferramentas e estímulo para que qualquer colaborador crie agentes no-code. Hoje, mais de 30 agentes estão ativos, e a produtividade das áreas técnicas já aumentou entre 30% e 50%. Brian encerrou com uma provocação: IA não é complemento; é infraestrutura estratégica. Quem não integrar agora perderá velocidade e competitividade.

Balanço das ações da Cebrasse

O encerramento ficou a cargo do presidente da Cebrasse, João Diniz, que reforçou a importância institucional do encontro e apresentou um balanço contundente dos últimos quatro anos de gestão. João iniciou destacando a convocação oficial para a eleição da Diretoria Nacional da Cebrasse e agradecendo o engajamento de diretores, fundadores e parceiros que sustentam a entidade. Em sua avaliação, a Cebrasse viveu um ciclo de expansão: aumento significativo de associados, maior presença na mídia, produção de estudos setoriais e protagonismo nos debates sobre reformas administrativa, tributária e trabalhista. Lembrou que a entidade representa, hoje, mais de 20% das carteiras de trabalho do país, segundo dados dos CNAs dos associados, fortalecendo sua relevância econômica.
João destacou que, por ser uma entidade sustentada por adesão voluntária, a Cebrasse precisa provar valor diariamente. E reforçou que o momento exige atuação política, econômica e jurídica ainda mais firme, especialmente diante do debate sobre a desoneração da folha, pauta que a instituição defende há anos e que agora retorna à agenda nacional por meio de uma PEC apoiada pelo setor. O presidente retomou também a necessidade da reforma administrativa, criticando o excesso de estatais e o tamanho da máquina pública. Para ele, o Brasil precisa superar velhos feudos corporativos e avançar em direção a um Estado mais eficiente e competitivo.

Em tom crítico e didático, destacou que o país ainda se apoia em crenças equivocadas sobre economia, como a visão de que o Estado “gera riqueza do nada”. João reforçou que quem gera riqueza é o setor produtivo, especialmente o empreendedor, e que não existe empregado sem empregador. Demonizar quem investe é incompatível com qualquer economia saudável. Ele lembrou ainda que setores como o agronegócio só se tornaram globais quando o Brasil apostou em tecnologia e gestão, e defendeu que outras áreas precisam seguir o mesmo caminho.

Ao final, João Diniz apresentou as prioridades da Cebrasse para os próximos quatro anos: avançar na desoneração da folha, defender a reforma administrativa, fortalecer a atuação jurídica, ampliar a base de associados e consolidar a entidade como protagonista do setor de serviços no Brasil. Encerrando, reforçou que apenas com união, rigor técnico e defesa firme da livre iniciativa o país poderá superar a estagnação e aproveitar plenamente seu potencial.


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