Nubank multiplica escritórios e coloca o trabalho híbrido à prova

Novo prédio abre com 1.300 estações enquanto a empresa amplia a presença semanal e prepara uma rede de 5.700 posições em Pinheiros

Nubank multiplica escritórios e coloca o trabalho híbrido à prova

O Capote 210 entra em operação no momento em que o Nubank amplia a frequência presencial e passa a testar, na prática, novas relações entre ocupação, capacidade e uso dos ambientes. Foto: Divulgação


O Nubank inaugurou, em agosto, o Capote 210, novo escritório de 15 mil m² e 1.300 estações de trabalho em Pinheiros, São Paulo. A abertura ocorre em meio a uma mudança na rotina da empresa: desde julho, a maioria dos funcionários passou a trabalhar presencialmente dois dias por semana. A partir de janeiro de 2027, serão três dias.

O prédio integra um plano de R$ 2,5 bilhões em infraestrutura no Brasil ao longo de cinco anos. A expansão inclui novas unidades no Rio de Janeiro e em Campinas, um endereço previsto para Belo Horizonte e a futura ocupação do Cyrela Corporate, também em Pinheiros.

No caso do Nubank, portanto, duas mudanças avançam ao mesmo tempo: a empresa amplia sua infraestrutura física e aumenta a frequência presencial. A combinação coloca em evidência uma questão comum aos modelos híbridos: a quantidade de pessoas no escritório varia ao longo da semana e pressiona de formas diferentes estações de trabalho, salas, alimentação, acessos, tecnologia e serviços de suporte.

O híbrido não ocupa o escritório pela média
Em operações híbridas, dois dias presenciais por pessoa não significam, necessariamente, uma ocupação distribuída ao longo da semana. Se grande parte das equipes escolher terça e quarta-feira, por exemplo, a demanda se concentra nos mesmos períodos. A média semanal pode indicar capacidade disponível enquanto determinados dias se aproximam do limite.

A pesquisa de ocupação da CBRE de 2025 mostra essa diferença. Considerando a média de uso dos escritórios, 34% das organizações pesquisadas operavam com ocupação entre 61% e 100% da capacidade. Nos dias mais movimentados, essa proporção subia para 73%. Em outras palavras, quase três em cada quatro empresas chegavam a pelo menos 61% de ocupação nos picos, mesmo quando a média indicava uma utilização menor.

O benchmark global de ocupação da JLL de 2026 mostra que esse tipo de gestão se tornou parte da rotina de grande parte das empresas. Entre as organizações pesquisadas, 80% utilizam programas híbridos e 62% estabelecem um número de dias presenciais, ante 28% em 2022. Para 74%, otimizar o uso dos espaços está entre os objetivos desses programas.

De 1.300 estações a uma rede de 5.700 posições
No Nubank, a discussão ganha escala com a expansão da infraestrutura. O Capote 210 reúne 20 andares corporativos, Research Lab, Centro de Saúde, Game Room, áreas de descompressão e escritórios modulares. Cocriação com clientes, saúde, convivência, colaboração e trabalho individual dividem a mesma estrutura, com demandas distintas de espaço, tecnologia e suporte.

Essa escala aumentará com o Cyrela Corporate. O Nubank prevê cerca de 5.700 estações em quatro escritórios de Pinheiros, mais de cinco vezes a capacidade anterior na região. O novo endereço acrescentará 35 mil m² e espaço para mais de 3 mil pessoas.

A ampliação acontece em um momento em que o uso dos escritórios também está mudando. A Global Workplace Survey 2025, da Gensler aponta aumento do trabalho presencial realizado com outras pessoas e redução do trabalho individual. Isso altera a distribuição da demanda entre ambientes colaborativos, espaços de concentração e áreas com suporte tecnológico.

Para o Nubank, portanto, a expansão não envolve apenas acrescentar posições. Com mais pessoas frequentando os escritórios e uma rede maior em Pinheiros, a operação passará a lidar com novas combinações de ocupação, tipos de uso e distribuição da demanda entre os edifícios.

O teste começa depois da inauguração
Essa combinação ganhará outra dimensão em janeiro de 2027. O modelo híbrido da empresa passará a prever três dias presenciais por semana, ao mesmo tempo em que novos escritórios entram no portfólio.

Com previsão de cerca de 5.700 estações em quatro endereços de Pinheiros, o Nubank terá uma operação maior e mais distribuída. O uso dessa estrutura mostrará como a demanda se organiza entre prédios, dias da semana, horários e diferentes tipos de ambiente.

É nesse ponto que o caso do Nubank volta a se conectar ao debate mais amplo sobre trabalho híbrido. Definir quantos dias os funcionários estarão no escritório resolve apenas uma parte da equação. A outra depende de quando essa presença se concentra, quais atividades são realizadas e como o espaço é utilizado. A diferença entre presença prevista e uso real mostrará como a expansão do Workplace da empresa responde à nova rotina.

Como construímos este material
Esta matéria foi elaborada com informações oficiais do Nubank sobre o Capote 210, a expansão imobiliária e o modelo híbrido, além de dados de JLL, CBRE e Gensler sobre ocupação, uso dos espaços e planejamento de workplaces. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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