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Qual é o ganho de reunir dados de sete fábricas em uma só sala de operação?

Na Suzano, o novo Centro de Tecnologia Operacional em Mogi integra manutenção, performance industrial e indicadores de negócio para acompanhar ativos distribuídos

Qual é o ganho de reunir dados de sete fábricas em uma só sala de operação?

Foto: Divulgação


A Suzano inaugurou, em sua unidade de Mogi das Cruzes, um Centro de Tecnologia Operacional para acompanhar em tempo real as sete fábricas de bens de consumo da companhia no Brasil. O espaço integra dados de equipamentos, processos e indicadores de negócio para observar a produção de itens como papel higiênico, fraldas, lenços e guardanapos.

A empresa informa que o centro foi criado para padronizar indicadores, antecipar falhas e integrar manutenção, performance industrial e resultados de negócio em uma única plataforma. Em vez de cada unidade partir de seus próprios painéis e leituras, a proposta é criar uma visão compartilhada sobre produção, qualidade, perdas e confiabilidade.

A novidade não está apenas nas telas reunidas em Mogi. Está na tentativa de aproximar informações que costumam seguir ritmos diferentes: um desvio de processo, um equipamento que perde desempenho, uma manutenção pendente e um impacto sobre a entrega podem aparecer em sistemas separados — e ser tratados por áreas diferentes.

Uma mesma leitura não produz uma única resposta
A Suzano afirma que o centro ainda está em operação assistida, fase em que os sistemas passam por testes e ajustes antes do comissionamento. Depois dessa etapa, a estrutura deve oferecer suporte remoto às fábricas, permitindo que as equipes acompanhem a mesma visão operacional exibida na sala de Mogi.

A operação assistida indica que a central ainda está sendo calibrada antes de assumir uma rotina mais ampla de suporte às unidades. Centralizar dados não significa centralizar toda decisão. Uma variação detectada remotamente pode exigir análise de engenharia, inspeção presencial, planejamento de parada ou ajuste de operação local. O papel da central é tornar a anomalia visível no contexto da produção, da manutenção e do negócio.

O desafio passa a ser definir o que cada alerta representa. Nem toda oscilação de indicador exige intervenção imediata; nem toda falha potencial pode esperar a próxima parada programada. A decisão depende de criticidade, condição do ativo, risco à segurança, impacto na qualidade e capacidade da equipe de agir.

Da tela à ordem de serviço
A conexão entre monitoramento e resposta é o ponto que separa uma central de observação de uma estrutura operacional. Para funcionar, um desvio identificado no centro precisa encontrar critérios de prioridade, responsáveis claros e um caminho até a equipe que executa a intervenção.

Uma revisão sistemática publicada pelo NIST em 2025 sobre tecnologias de monitoramento de condição em manutenção industrial reforça que a avaliação dessas soluções envolve não apenas a detecção de falhas, mas também a forma como a tecnologia é implantada, medida e justificada em termos técnicos e financeiros.

O CTO da Suzano pode criar condições para esse tipo de avaliação ao reunir indicadores antes dispersos. Os resultados dependerão, porém, de como a companhia conectará os dados a decisões sobre ordens de serviço, peças, paradas e atuação das equipes de campo.

A própria Suzano já havia relatado, em outro projeto de confiabilidade com uso de monitoramento em tempo real, a prevenção de 16 horas de máquina parada e de R$ 3,6 milhões em perdas operacionais. O caso não mede o desempenho do novo centro em Mogi, mas ajuda a mostrar por que a empresa vem tratando dados de operação e manutenção como parte da mesma discussão.

O que a central coloca em debate
O centro de Mogi abre uma pergunta que vai além da Suzano: o que acontece quando uma organização passa a enxergar ativos distribuídos por uma lente única?

A resposta não está só na capacidade de detectar mais sinais. Está em saber quais dados merecem atenção, quem decide a prioridade, quando o campo confirma a leitura remota e como a experiência de uma fábrica se transforma em aprendizado para as demais.

A centralização pode reduzir diferenças de leitura entre unidades. Mas sua utilidade será definida na passagem entre o dado que aparece na tela e a resposta que preserva disponibilidade, qualidade e continuidade no chão de fábrica.

Como construímos este material
​Esta matéria foi elaborada com base em comunicado público da Suzano, revisão do NIST sobre monitoramento de condição em manutenção industrial e estudo de caso divulgado pela Tractian. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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