Por Redação
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Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica Ambiente Construído reforça um ponto que ainda passa despercebido no mercado brasileiro: o Building Information Modeling (BIM) permanece subutilizado justamente na fase de operação e manutenção, onde se concentra a maior parte do custo e do potencial estratégico de um ativo imobiliário.
Embora o BIM tenha avançado de forma significativa nas etapas de projeto e obra, sua integração à rotina de Facilities ainda é limitada. O estudo mapeou mais de 4 mil publicações sobre BIM aplicado à operação e manutenção, filtrando cerca de mil artigos relevantes para análise aprofundada.
Os resultados mostram um cenário claro. Há crescimento consistente da produção acadêmica, mas predominam modelos teóricos e estruturas conceituais. São raros os casos documentados de integração contínua entre BIM e sistemas de gestão de manutenção. Além disso, persistem dificuldades na transição entre a entrega da obra e o início da operação.
Esse descompasso ajuda a explicar por que o potencial do BIM ainda não se traduz plenamente em ganhos operacionais.
A falta de interoperabilidade e o uso do BIM na operação
A dificuldade de integrar informações entre projeto, obra e operação já foi analisada em diferentes contextos internacionais. O National Institute of Standards and Technology publicou o relatório Cost Analysis of Inadequate Interoperability in the U.S. Capital Facilities Industry, demonstrando o impacto econômico da falta de interoperabilidade ao longo do ciclo de vida das instalações.
O estudo evidenciou que falhas na integração de dados geram retrabalho, ineficiência e perda de valor.
No contexto brasileiro, o efeito é semelhante. Quando o modelo BIM é entregue ao final da obra sem estrutura para atualização contínua e conexão com sistemas de manutenção, cria-se uma quebra informacional. O modelo deixa de ser ferramenta de gestão e passa a funcionar apenas como registro estático.
Onde está o potencial estratégico para Facilities
É justamente nessa lacuna que reside o potencial ainda pouco explorado.
A literatura aponta aplicações concretas do BIM na operação predial:
- Estruturação da gestão de ativos ao longo do ciclo de vida;
- Planejamento de manutenção preventiva com base em dados técnicos confiáveis;
- Rastreabilidade de intervenções e histórico de componentes;
- Integração com sensores IoT e sistemas de monitoramento.
Relatórios e benchmarks da International Facility Management Association (IFMA) reforçam que desempenho operacional está diretamente ligado à qualidade das informações e à padronização de processos. O modelo digital, quando conectado a indicadores e rotinas estruturadas de manutenção, pode se tornar um ativo estratégico de decisão.
No entanto, a maturidade do BIM na operação depende menos da tecnologia disponível e mais da governança estabelecida. Sem atualização contínua, integração com sistemas de Facility Management e alinhamento entre projeto, obra e operação, o ganho potencial se dilui.
Em um cenário de pressão por eficiência, previsibilidade de custos e ampliação da vida útil dos ativos, a integração entre modelo digital e operação tende a assumir papel cada vez mais relevante. A produção acadêmica já aponta o caminho. O desafio agora está em transformar conhecimento acumulado em prática operacional consistente dentro das edificações.
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No Congresso InfraFM 2026, Fabiana Toyoda, da CoreNet Global, e Fernando Valadão Buniotti, do Hospital Israelita Albert Einstein, discutirão como BIM, digital twins e plataformas integradas podem transformar esse cenário, conectando projeto, obra e Facilities com dados consistentes e cases reais de transição bem-sucedida.
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Como construímos este material
Esta matéria se baseia no estudo “BIM para gerenciamento, operação e manutenção de instalações: revisão cientométrica e sistemática”, publicado em 2024 na revista Ambiente Construído. Além disso, o conteúdo conta com o amparo de dados de relatórios de bechmarks disponíveis no site do IFMA. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected]