Por Redação

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A gestão de identidade consolidou-se como prioridade estratégica nas organizações em 2026. É o que aponta o HID 2026 State of Security and Identity Report , levantamento que ouviu mais de 1.500 usuários finais e parceiros do setor. Segundo o estudo, 73% dos entrevistados identificam a gestão de identidade como principal tendência para o próximo ciclo, superando outras frentes tecnológicas.
O relatório também revela que 52% das organizações enfrentam dificuldades na administração de sistemas fragmentados. Ao mesmo tempo, 74% já adotaram ou planejam implementar credenciais móveis; 34% utilizam biometria e 23% preveem implantação; 40% operam soluções de localização em tempo real; e 75% já implementaram ou avaliam a convergência entre identidade física e digital.
Os dados indicam um movimento consistente de integração entre acessos físicos e digitais, com impactos diretos sobre a operação de escritórios e ambientes corporativos.
Fragmentação amplia complexidade operacional
A multiplicidade de sistemas de controle de acesso, autenticação digital e gestão de visitantes tem ampliado a carga administrativa nas organizações. Quando operam de forma isolada, esses sistemas dificultam a consolidação de informações, aumentam o risco de inconsistências e tornam a auditoria mais complexa.
O levantamento mostra que a fragmentação é percebida como vulnerabilidade. À medida que a mesma identidade precisa transitar entre o acesso ao edifício, redes corporativas e aplicações em nuvem, a falta de integração cria pontos de exposição e ineficiência operacional.
Nesse contexto, a gestão de identidade deixa de ser apenas uma camada técnica da segurança e passa a influenciar diretamente processos internos, governança e experiência do usuário.
Credenciais móveis avançam como padrão de mercado
As credenciais móveis atingiram 74% de adoção ou planejamento de implementação. O dado confirma a transição da tecnologia de tendência emergente para expectativa de mercado.
O principal motivador mudou. Segurança agora lidera como fator de adoção, citada por 50% dos entrevistados, superando a conveniência. A utilização de autenticação biométrica embarcada em dispositivos móveis e comunicação criptografada tem reforçado a percepção de robustez da solução.
Apesar disso, 84% das organizações mantêm modelos híbridos, combinando credenciais físicas e digitais. O cenário indica que a migração é gradual e exige compatibilidade com diferentes perfis de usuários e exigências operacionais.
Entre as barreiras apontadas estão custos de implementação (44%), falta de expertise interna (37%) e percepção de complexidade (32%).
Biometria cresce, acompanhada de preocupações regulatórias
A biometria mantém trajetória de expansão. O relatório mostra que 60% dos usuários finais pretendem aumentar investimentos na tecnologia. Impressão digital lidera com 71% de preferência, seguida por reconhecimento facial com 50%.
No entanto, a adoção ocorre em paralelo a um aumento nas preocupações com privacidade. Segundo o estudo, 67% das organizações demonstram nível moderado ou alto de preocupação com implicações éticas relacionadas ao uso de dados biométricos. Entre os entrevistados, 31% afirmam estar implementando salvaguardas adicionais.
O avanço da biometria como método primário de acesso amplia a necessidade de políticas claras de governança de dados, criptografia e conformidade regulatória.
Localização em tempo real amplia escopo da gestão predial
Soluções de localização em tempo real já são utilizadas por 40% das organizações e 42% as consideram prioridade estratégica. O principal fator de adoção é segurança e conformidade, citado por 69% dos entrevistados, seguido por gestão de ativos, com 59%.
A tecnologia permite monitorar circulação em situações de emergência, rastrear equipamentos compartilhados e otimizar fluxos internos. Entretanto, 29% apontam preocupações com privacidade como obstáculo à adoção.
O equilíbrio entre segurança operacional e proteção de dados pessoais passa a integrar o processo decisório na implementação dessas soluções.
Convergência física e digital redefine arquitetura de acesso
A convergência entre identidade física e digital aparece como um dos movimentos mais estruturais do levantamento. De acordo com o relatório, 75% das organizações já implementaram ou estão avaliando soluções que unificam acesso a edifícios, redes corporativas e aplicações digitais sob uma mesma plataforma.
O objetivo é reduzir lacunas de segurança e simplificar a administração de credenciais. Contudo, os principais entraves continuam sendo orçamento (51%), complexidade de implementação (37%) e lacunas de conhecimento técnico (34%).
A unificação amplia o alcance da responsabilidade sobre dados e exige arquiteturas baseadas em criptografia avançada, autenticação forte e modelos de confiança zero.
Integração torna-se prioridade de investimento
A análise consolidada do estudo aponta mudança na lógica de investimento. Em vez de soluções isoladas, organizações priorizam plataformas integradas que consolidem identidade, autenticação e controle de acesso.
Gestão de identidade lidera intenção de aumento de investimento, com 60%, seguida por biometria (60%) e localização em tempo real (53%). A integração é apontada como principal desafio transversal, citada em diferentes frentes tecnológicas.
Entre os benefícios percebidos da consolidação estão melhoria de eficiência operacional (44%), simplificação da gestão (30%) e maior visibilidade sobre sistemas (16%).
O relatório indica que a separação entre segurança física e digital tende a perder relevância estratégica. A gestão integrada de identidade passa a compor a base operacional de escritórios e ambientes corporativos, com impacto direto sobre segurança, governança e eficiência administrativa.
Por que isso importa?
A integração entre identidade física e digital altera a lógica tradicional da gestão predial. Quando o acesso ao edifício, às áreas restritas e aos sistemas corporativos passa a operar sob uma mesma arquitetura, o escopo de responsabilidade do Facilities Management se amplia.
Na prática, isso significa que decisões sobre controle de acesso deixam de ser exclusivamente operacionais e passam a impactar governança, auditoria, compliance e proteção de dados. A convergência também reduz redundâncias administrativas, elimina retrabalho entre equipes de segurança e TI e melhora a rastreabilidade de usuários.
Para o FM, o movimento representa três implicações diretas:
- Eficiência operacional: menos sistemas paralelos e menor dependência de controles manuais.
- Gestão de riscos: redução de vulnerabilidades geradas por bases de dados fragmentadas.
- Posicionamento estratégico: maior integração com áreas de tecnologia, segurança da informação e compliance.
O relatório indica que a unificação de identidades não é apenas uma atualização tecnológica. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como o ambiente corporativo é administrado — e o gestor de facilities passa a ocupar papel central nesse processo.