Quando cuidar de gente é a estratégia mais inovadora

No RL Conecta 2025, Erika Peniche mostrou que a excelência começa nas relações e que cuidar de gente é estratégia, não bônus

Por Léa Lobo

Quando cuidar de gente é a estratégia mais inovadora

Foto: InfraFM

​Se "sustentabilidade" já é um pilar inegociável nas operações modernas, a “sustentabilidade humana” é a provocação que faltava — e foi exatamente isso que Erika Peniche trouxe com potência ao palco do RL Conecta 2025. Governanta executiva do Radisson Paulista e com mais de duas décadas de atuação no setor de hospitalidade, Erika foi direto ao ponto: não existe excelência operacional sem gente bem cuidada.

Erika abriu sua fala com energia contagiante — fiel ao seu DNA de “humanas”, como brincou — destacando a origem da sua carreira na hotelaria e, especialmente, na hospitalidade hospitalar. Essa vivência moldou sua abordagem de liderança centrada em pessoas, onde saúde, pertencimento e propósito são indissociáveis da entrega de qualidade.

"Trabalho com 72 pessoas. Mas, na verdade, são 72 vidas, 72 histórias. Se eu não entender isso, não gero resultado duradouro", afirmou.

Para além de discursos motivacionais, Erika trouxe exemplos práticos — e ousados — da gestão no Radisson. Ao trocar ferramentas tradicionais por equipamentos ergonômicos e tecnológicos, desequilibrou a zona de conforto da equipe. Resultado? Redução de 50% no uso de produtos químicos, aumento de 30% no NPS e queda no turnover.

“O equilíbrio muitas vezes paralisa. É preciso provocar desequilíbrios estratégicos para construir novas formas de excelência”, defendeu.

Sua metodologia batizada de Housekeeping Seed une técnicas de gestão japonesa (como o Six Sigma) com a escuta ativa das equipes. O objetivo? Integrar processos e pessoas, focando em organização, rastreamento de melhorias, hospitalidade interna (acolhimento de novos profissionais) e disciplina operacional contínua.

“Não adianta só formar processos. Tem que formar pessoas também. E isso exige método, paciência e verdade.”

A nova NR do cuidado da saúde

Erika também trouxe à tona a discussão da NR-1, que finalmente começa a cobrar das empresas uma atenção maior à saúde mental e psicossocial de seus times. Para ela, essa normatização reflete o esgotamento de um modelo ultrapassado de produtividade.

“Antes, a lógica era trabalhar até quebrar. Agora, é cuidar para crescer. E quem ainda não entendeu isso, vai ficar para trás.”

Erika encerrou com uma mensagem certeira: a excelência não mora só em relatórios de indicadores. Ela nasce na qualidade das relações humanas, na escuta ativa e na capacidade de transformar processos a partir da experiência real das pessoas.

“Funcionário saudável, gestor saudável. Parece simples — e é. Só exige coragem para mudar.”


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