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Chronoworking: vale a pena ser implementado?

Saiba como essa nova tendência global pode ser adotada nas empresas nacionais.

Chronoworking: vale a pena ser implementado?

Foto: Canva.com/ Elena Photo


Há aqueles que são mais produtivos no trabalho durante a manhã, enquanto outros preferem a noite, rendendo melhor em suas responsabilidades. Poder realizar suas funções corporativas conforme seu ritmo biológico é um grande sonho para muitos profissionais e que pode estar prestes a se tornar realidade, com o surgimento de uma nova tendência global que permite, justamente, que os profissionais adaptem sua jornada de acordo com seus ritmos circadianos: o chronoworking. Esse conceito pode trazer muitos benefícios, porém, sua chegada ao Brasil pode gerar certos desafios que precisam ser bem compreendidos.

Conhecido em português como cronotrabalho, sua proposta é incentivar que os profissionais trabalhem nos períodos que mais se sentirem produtivos, respeitando os ritmos naturais dos indivíduos, ao invés de seguirem as cargas horárias convencionais empresariais. Todos nós temos nosso relógio biológico interno que regula ciclos como o sono e a vigília, o qual influencia diretamente os momentos do dia nos quais estamos mais alertas e dispostos para realizar nossas funções.

Ao reconhecer essas diferenças individuais, a ideia é que seja criado um modelo de trabalho mais flexível que respeite esses ritmos naturais, em prol de uma maior produtividade individual, felicidade de cada um e, acima de tudo, uma melhor qualidade de vida. Afinal, segundo a OMS, o Brasil é o segundo país com maior quantidade de casos de burnout diagnosticados desde 2022, em decorrência, principalmente, do aumento da sobrecarga e estresse que afetam, diretamente, o bem-estar dos profissionais no ambiente corporativo.

Por mais que seja um modelo extremamente vantajoso, este conceito ainda precisa ser muito bem pensado antes de ser colocado em prática dentro das organizações, principalmente, devido à complexidade da legislação trabalhista e ao maior cuidado que as empresas terão que ter em termos de gestão de suas equipes. Até porque, muito provavelmente, essa flexibilização não conseguirá ser adotada por inteiro, e precisará levar em consideração alguns aspectos essenciais para evitar possíveis descontentamentos internos entre os colaboradores ou, até mesmo, aumento relacionado aos custos do colaborador para a empresa.

Chronoworking: vale a pena ser implementado?

Imaginemos, por exemplo, que, em um mesmo time, existam profissionais que prefiram trabalhar à noite e outros durante o dia. Financeiramente, aqueles que operarem na primeira opção terão direito ao adicional noturno - o que gerará encargos maiores às empresas. Em aspecto gerencial, assegurar que esses membros se mantenham alinhados em suas tarefas, mesmo trabalhando em momentos opostos, poderá ser um desafio maior, o que demandará novas estratégias não apenas por parte da liderança, como também uma maior capacidade de autogerenciamento que muitos profissionais podem encontrar dificuldades devido ao perfil e, até mesmo, pelo nível de experiência.

Ainda, além deste modelo não ser adequado para todos os perfis de profissionais, é preciso levar em conta que essa flexibilidade pode não ser tão benéfica de ser aplicada em todos os setores, visto que muitas atividades não conseguem operar desta forma assíncrona entre os times. As que tiverem interesse nessa estratégia precisam se dedicar, primeiramente, em um forte trabalho de mudança de mentalidade e cultura da empresa, identificando quais áreas conseguem trabalhar neste modelo e de que forma conseguirão assegurar o bom desempenho das equipes em horários distintos.

Legalmente, é crucial entender como o Fisco se adaptará a essas mudanças, criando regulamentações que ofereçam segurança jurídica às empresas que adotarem o chronoworking.

Esses pontos ressaltam a importância de as empresas que decidirem incorporar o chronoworking conduzam esse processo em doses homeopáticas, avaliando cuidadosamente se essa proposta faz sentido perante sua realidade. Caso faça, ao invés de deixar que cada profissional escolha seu próprio horário, crie opções de jornadas mais flexíveis que se enquadrem em sua estrutura operacional, de forma que cada um tenha um leque maior de opções para que escolham a que mais se adequa a seu perfil.

Adotar novas tendências de mercado sem uma análise crítica pode ser muito prejudicial, pois simplesmente seguir o que está em alta, não é algo inteligente do ponto de vista de crescimento do negócio e da satisfação dos colaboradores. Essas tendências só farão sentido se estiverem bem alinhadas com os objetivos da empresa.

Caso contrário, neste caso do chronoworking, ele poderá perder sua grande finalidade de trazer uma mudança necessária ao mercado que visa respeitar o ritmo biológico do colaborador, para se tornar apenas mais uma moda que as empresas querem seguir para poder acompanhar as tendências do mundo, ao invés de algo que faça sentido para seu crescimento.


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