Ecossistema de trabalho: uma abordagem híbrida

Há algum tempo estamos ressignificando o espaço de trabalho.

Por Vanessa Zattera

Ecossistema de trabalho: uma abordagem híbrida

Foto: Canva.com/Ivan Samkov

A pandemia antecipou tendências que já prevíamos e nos forçou a mudar nossa rotina de vida. A tecnologia e a conectividade digital, que permitem trabalhar de qualquer lugar, já estavam disponíveis. No entanto, foi em meio ao caos que tornamos esta ‘tendência’ uma realidade, onde o local de trabalho nunca mais será o mesmo.

Depois desse momento catalisador, percebemos que o futuro será moldado pensando na diversidade de perfis e inclusão, abrindo espaço para o modelo híbrido, onde o ambiente deve alimentar sensações, considerando elementos que despertam o bem-estar físico e mental. Como isso afeta o ecossistema de trabalho?

A flexibilidade na rotina de trabalho

Por algum tempo, tivemos o trabalho remoto como única possibilidade. Hoje temos uma nova realidade: a flexibilidade. Não se trata da escolha entre home office ou escritório, pois o trabalho pode acontecer em qualquer ambiente que promova a possibilidade de executar as tarefas diárias. Trata-se de um ecossistema que equilibra o trabalho e a vida pessoal.

Hoje, cada vez mais, as pessoas buscam por espaços que as façam sentir confortáveis e produtivas, e poder escolher onde trabalhar pode ser a chave para uma melhor produtividade. Esta autonomia alimenta a criatividade e alavanca a inovação.

Em 2022, de acordo com a  Harvard Business Review, mais de 90% dos empregadores estavam planejando adotar um modelo híbrido para seus trabalhadores. Em 2021, o índice de tendências da Microsoft, que entrevistou 30.000 pessoas em 31 países, mostrou que 73% dos respondentes gostariam de um modelo flexível, apontando que 67% desejavam ter momentos de interação com a equipe.

A mudança de mentalidade

Os movimentos do mercado mostram que não estamos mais amarrados ao conceito tradicional de espaço quando se trata de como, quando e onde trabalhamos. É o momento de abandonar a antiga noção de que as pessoas devem trabalhar no mesmo local sempre para serem produtivas. É uma grande mudança de mentalidade que exigirá das organizações a reformulação do modelo corporativo.

O trabalho remoto criou oportunidades, ofereceu mais tempo para a família, porém, as equipes se tornaram mais isoladas e a exaustão digital é uma ameaça real. Desta forma, o modelo home office continuará a evoluir para dar suporte para as tarefas que envolvem foco e concentração, para flexibilidade e autonomia.

É claro que existem algumas limitações, como a dificuldade para momentos colaborativos, aprendizado com outras pessoas, perdendo a conexão social. Isto mostra que o escritório continua a ter seu papel importante a desempenhar e que, principalmente, está passando por um processo de repaginação, está evoluindo para um lugar de contexto social.

Onde as pessoas preferem trabalhar?

A sede corporativa nunca vai perder a sua importância pois é o epicentro da cultura organizacional, é o que promove o engajamento e a construção do capital social, e seu foco será cada vez mais baseado em valores como a sustentabilidade, economia compartilhada, comunidade social e mobilidade.

O futuro do trabalho equilibra três locais físicos: o escritório, a residência e um terceiro espaço, contribuindo para o conceito de “trabalhe de qualquer lugar”  que permite que as organizações apoiem diferentes estilos de trabalho, engajando seus colaboradores a atuar independentemente do local.

É a partir deste cenário de mudança que podemos incorporar a esta narrativa os espaços de complementação, onde permite o trabalho de modo temporário de forma a poder trocar do ambiente além da casa e da sede da empresa, estes espaços são os coworkings, hubs de inovação, cafés, etc.

Espaços que contribuem para a evolução do trabalho como um todo, pois o empregador não precisa mais estar amarrado a contratação de profissionais regionais por exemplo, abrindo um leque de possibilidades muito grande, capacitando ainda mais suas equipes.

São locais de encontro com grupos com propósitos distintos, possibilitando a troca de conhecimento. Adicionado a isso também precisamos falar da flexibilidade, facilitando deslocamento, além de se tornarem paradas estratégicas durante as viagens de negócios.

Ecossistema de trabalho: uma abordagem híbrida

Modelo de ecossistema de trabalho sugerido pela Marelli

As qualidades que vão definir o local de trabalho

Flexibilidade, agilidade e adaptabilidade são as principais qualidades que definirão o local de trabalho. A reflexão que fica é que, nos últimos anos, nenhuma área passou por uma transformação tão rápida quanto os escritórios. Para muitos, o trabalho presencial deixou de ser uma obrigação e agora, mais do que nunca, precisa despertar o interesse do colaborador.

Conforme Adam Grant, especialista em psicologia organizacional, “uma visão melhor para um local de trabalho é uma comunidade – um lugar onde as pessoas se unem em torno de valores compartilhados, se sintam valorizadas como seres humanos e tenham voz nas decisões que as afetam”. É disso que as pessoas precisam hoje mais do que nunca.  As principais razões pelas quais as pessoas querem estar no escritório são encontrar-se com membros da equipe (83%) e interação social com pessoas diferentes (89%).

A forma como o trabalho acontece mudou e precisaremos definir a produtividade de forma mais ampla. Os layouts de trabalho precisam ser remodelados e refletir esta nova realidade. Chegou o momento de criar espaços onde os colaboradores queiram pertencer.



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