Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

O STF e a carga tributária das empresas prestadoras de serviço

Decisão do Supremo Tribunal Federal pode reduzir tarifas significantemente.

Por PK Advogados

O STF E A CARGA TRIBUTÁRIA DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO

Foto: Canva.com/kanchanachitkhamma

O STF julgará no dia 28.08.2024 processo de grande impacto para as prestadoras de serviço: a exclusão do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS.

O processo em assunto tem grande impacto para as empresas prestadoras de serviço, uma vez representar importante redução da carga tributária, bem como a possibilidade de restituir o montante recolhido nos últimos cinco anos. Entretanto, considerando a possível modulação dos efeitos, é importante que os contribuintes busquem o judiciário para resguardar o seu direito.

A inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS sempre foi um ponto de controvérsia. As empresas argumentam que a receita de ISS não deveria ser considerada como parte do faturamento ou receita bruta, pois se tratava de um tributo recolhido e repassado aos municípios. Esse entendimento foi reforçado pelo princípio de que tributos não podem compor a base de cálculo de outros tributos, uma vez que não representam riqueza própria das empresas.

O Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS em 2017, no RE 574.706, estabelecendo um precedente significativo. Este entendimento foi essencial para fortalecer as argumentações quanto ao ISS.

Em 2020, o STF iniciou o julgamento do Recurso Extraordinário 592.616, com repercussão geral. O julgamento teve com relator o Ministro Celso de Mello, que votou favoravelmente à exclusão, acompanhado por outros três ministros. O Ministro Dias Tofolli abriu divergência, votando contrariamente aos contribuintes, sendo acompanhado por outros três ministros.

Assim, até o momento, o placar está empatado em 4x4. Faltando os votos dos ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça.

De modo que, levando em consideração a votação da tese do século, que excluiu o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS e que, nesse julgamento, o Min. Gilmar Mendes votou contra os contribuintes e o Min. Fux votou a favor da tese dos contribuintes, pode-se sugerir que o Min. André Mendonça deverá proferir o voto de desempate.

Caso a votação seja concluída de forma favorável aos contribuintes, a decisão trará um impacto significativo para as empresas, pois poderão revisar os valores pagos a título de PIS e COFINS nos últimos cinco anos e solicitar a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos.

Entretanto, é importante relembrar que o STF vem modulando as suas decisões em matéria tributária. Em outras palavras, as decisões proferidas apenas produzem efeitos, no tocante à restituição, para o futuro. Nesses casos, somente os contribuintes que tenham ingressado com medida judicial até a data da conclusão do julgamento garantem o direito a restituir o valor recolhido nos últimos cinco anos.  

Em resumo, é altamente recomendável que as empresas prestadoras de serviço ingressem com medida judicial o quanto antes, preservando, assim, caso o julgamento seja concluído de forma favorável aos contribuintes, o seu direito à restituição dos valores recolhidos nos últimos cinco anos.

A equipe do contencioso tributário do PK Advogados fica à disposição para responder eventuais dúvidas sobre o tema.

Bruno Santos é Advogado Tributarista Sênior no PK Advogados, gerente do contencioso tributário ([email protected]).




Veja também

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking