Inovação avança globalmente pelas cidades, intensificando a competição por imóveis de alto padrão

Relatório da JLL revela uma escassez crítica de propriedades premium capazes de atender à demanda.

Por Léa Lobo

Inovação avança globalmente pelas cidades, intensificando a competição por imóveis de alto padrão

Foto de Scott Webb, Pexels


A inovação está redesenhando o mapa global de forma mais diversificada do que nunca. Em paralelo, a escassez crítica de imóveis de alto padrão vem criando uma fronteira competitiva na qual a localização, e não apenas a cidade, é primordial. É o que aponta a quarta edição do relatório Innovation Geographies 2026 da JLL, que revela a gravidade do desequilíbrio entre a oferta e a demanda por espaços de alta qualidade.

A pesquisa analisa como a inovação influencia as estratégias de portfólio e localização imobiliária, com base na dinâmica de 135 cidades globalmente. Classificadas por meio de uma série de indicadores de produção e de talento, a empresa identificou oito grupos de cidades com variadas concentrações de inovação para fornecer uma perspectiva sobre aquelas com melhor desempenho nesses critérios em nível mundial.

De acordo com o estudo, apenas 11% do estoque global de escritórios foi construído após 2020, deixando um conjunto limitado de edifícios modernos e sustentáveis, sendo esses os mais procurados por empresas inovadoras. Em cidades como Paris e Londres, a escassez é tão aguda que as taxas de vacância em edifícios novos nos distritos centrais de negócios (CBD) caíram para 0,9% e 1,2%, respectivamente. Confira abaixo o ranking global dos principais polos de inovação:


Oportunidades em mercados vanguardistas

Embora o topo do ranking global ainda seja dominado por mercados tradicionais, o relatório destaca o amadurecimento de novos polos. No Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro são classificadas na categoria "Vanguards" (Vanguardistas), que agrupa cidades com ecossistemas de inovação em fase de crescimento e grande potencial para atrair capital institucional. São Paulo, especificamente, destaca-se com uma pontuação de produção de inovação que a aproxima de mercados como Cidade do México e Varsóvia.

Para Weslei Rios, Arquiteto de Soluções Tecnológicas da JLL, o papel das metrópoles brasileiras nesse cenário reflete a diversificação do ecossistema global. “Para essas cidades, o diferencial competitivo não estará em replicar modelos dos grandes hubs globais, mas em reduzir o descompasso entre a oferta limitada de imóveis de alta qualidade e a crescente demanda de empresas por espaços modernos, sustentáveis e tecnologicamente preparados. Nesse contexto, existe uma oportunidade clara para investidores que foquem no desenvolvimento e na modernização de ativos de grau de investimento, criando ambientes bem localizados e conectados ao ecossistema de talento, capazes de atrair tanto ocupantes quanto liquidez internacional’, analisa o especialista.


Talento e capital em expansão

O relatório aponta que o crescimento está acelerando em uma rede mais ampla de cidades, com destaque para os hubs "Reinforcers", como Austin, Amsterdã e Xangai, que registraram entradas populacionais 3,8 vezes superiores aos centros tradicionais.

"A geografia da inovação mudou fundamentalmente. Para as empresas, a prioridade mudou da simples expansão para uma busca estratégica por qualidade", afirma Travis McCready, Chefe de Indústrias da JLL. "Navegar neste novo cenário significa encontrar o equilíbrio entre otimizar ativos em mercados estabelecidos e expandir para hubs emergentes mais acessíveis e ricos em oferta."


Bifurcação do mercado e pressão nos aluguéis

A disparidade entre a qualidade dos ativos está gerando uma forte pressão nos preços. Enquanto aluguéis em cidades-âncora podem ultrapassar os US$ 1.296 por metro quadrado, mercados emergentes oferecem pontos de entrada a partir de US$ 324. Essa pressão está reformulando as estratégias de desenvolvimento, tornando a regeneração urbana e o reposicionamento de edifícios antigos ferramentas essenciais para entregar o padrão que as empresas de tecnologia e inovação exigem.

O relatório também identifica onde o capital poderá fluir a seguir, destacando potencial inexplorado em cidades do Norte da Europa, como Copenhague e Frankfurt, sinalizando oportunidades para investidores que procuram capitalizar a próxima onda de demanda impulsionada pela inovação. Para mais informações, baixe o relatório completo Innovation Geographies 2026.


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