Por Léa Lobo

A Accenture se posiciona como uma plataforma global de transformação. Não entrega apenas consultoria estratégica nem somente tecnologia, mas sim uma combinação poderosa dos dois mundos, o que explica sua presença marcante mundial em setores como finanças, saúde, varejo, energia, telecomunicações e governo. De forma estruturada, a empresa organiza suas ofertas em cinco grandes áreas que cobrem toda a jornada empresarial.
A empresa gosta de se definir como uma plataforma global de transformação. E, ao visitar um de seus Delivery Center, em São Bernardo do Campo (SP), a máxima deixa de ser slogan para virar chão de tecnologia, com dados em telas, rotinas automatizadas e um time multidisciplinar que executa, mede e ajusta o curso em tempo real. É ali que a prática de Operations (uma das grandes linhas da Accenture, ao lado de Strategy & Consulting, Technology, Song e Industry X) reúne Real Estate & Facilities, BPO, Procurement, Finanças, Cadeia de Suprimentos e Analytics sob o mesmo teto.
O grupo nos recebeu com transparência (e o lembrete saudável de confidencialidade). André dos Santos (Diretor de Real Estate), Rogério Silva (Gerente Sênior de Real Estate), Rodrigo Albertin (Gerente de Infraestrutura, Manutenção e Facilities), Stephanie Fernandes (Líder de Facilities), Nádia Silva (Líder de Finanças) e Luana Lemos Curado (Líder de Obras) destacaram como a sinergia entre as áreas permite uma visão integrada dos ativos, facilitando a tomada de decisão a partir de dados precisos e atualizados em tempo real. Essa abordagem colaborativa resulta em maior eficiência operacional, agilidade na resolução de demandas e otimização de custos para os clientes.
O objetivo da equipe é mostrar, ponta a ponta, como a Accenture orquestra contratos complexos, projetos simultâneos e uma massa de dados que alimenta decisões técnicas e financeiras com impacto direto no CAPEX e OPEX dos clientes.
De Telcos a mineração, esteiras que rodam sem perder o ritmo
A operação brasileira de Real Estate nasceu numa grande empresa de Telecom brasileira e ganhou escala em outras grandes empresas mundiais do mesmo segmento, sendo que em uma delas o trabalho já passa de uma década, além de outros contratos igualmente robustos colecionados pela Accenture dentro de grandes indústrias de minério e petroquímicas. Em Telcos (empresas que fornecem serviços de comunicação, como telefonia, internet e transmissão de dados), o escopo é praticamente “fim a fim”: gestão de contratos e fornecedores, manutenção, obras, licenças, utilidades, pagamentos, auditorias e um Command Center que centraliza indicadores de desempenho e risco por ativo.
Falando apenas de um desses clientes, já é possível visualizar uma dimensão impressionante: cerca de 3 mil prédios e mais de 30 mil ativos sob gestão, com aproximadamente 170 mil pagamentos mensais (aluguéis, energia, água, taxas). No financeiro, a automação não é aspiração: é rotina. A equipe cita quase 99% de conciliações automáticas e busca de faturas nas concessionárias via RPA, com esteiras que validam impostos, evitam multas e reduzem drasticamente cortes de serviços por atraso.
No front de Facilities e Obras, a Accenture opera com um tripé tecnológico:
- Vistorias Digitais: inspeções georreferenciadas, com abertura automática de ordens de serviço (OS) integradas ao sistema do cliente, com foto-evidência e roteiros específicos por tipologia contratada.
- Acompanhamento Digital de Serviços: registros periódicos na mesma posição, gerando antes/depois comparável e checkpoints que disparam correções para construtoras com prazos e SLAs. Para um presidente acompanhar obra em tempo real? Houve caso com acesso 24h e time-lapse do canteiro.
- Drones: inspeção de telhados e áreas críticas com possibilidade de leitura térmica/visual para detectar infiltrações, anomalias e risco elétrico, reduzindo exposição de pessoas e acelerando diagnóstico. O dado de Facilities conversa com o Financeiro: conta de água fora da curva aciona Projeto (caça-vazamento + contestação), fechando o ciclo técnico-financeiro.
O grupo de líderes resume o espírito: o cliente não quer um álbum de foto bonita; quer verdade operacional. Com 360º, não há ângulo para esconder o problema. O efeito prático é velocidade: a contratada recebe o apontamento no ato, atua e sobe evidência. O gestor acompanha o S-curve da obra e prioriza pagamentos por valor agregado real.
Licenças e normativos
Outra dor clássica do FM, licenciamento virou esteira nacional. Arquitetos, engenheiros e advogados, distribuídos por região, tocam RTs, protocolos e renovações com um painel único (status, vencimentos, criticidade por site, download de documentos). Um robô já monitora mudanças de normas por jurisdição com aproximadamente 80% de assertividade, aliviando backoffice e reduzindo risco de AVCB vencido ou exigência não atendida. Em caso de incidente (uma árvore que cai sobre um site, por exemplo), a resposta é objetiva. A pergunta: tudo licenciado e dentro do prazo? O painel responde.
No setor financeiro, a Accenture atuou em obras e manutenção, levando analytics preditivo e plataforma integrada, um DNA que o próprio cliente internalizou mais tarde em um stack baseado em Salesforce. A mensagem aqui é estratégica (e madura): a Accenture integra qualquer ferramenta (SAP, Prisma, Salesforce etc.), a paixão está no dado que decide. Onde houver fricção, o caminho é orquestrar fonte, regra e responsabilidade, e aplicar contrato de verdade (com bonificação e penalidade), algo que a Líder Stephanie enfatiza como diferencial de gestão: “números que fazem o contrato funcionar”.
Supply, logística e gente é o que sustenta a escala
O modelo se repete, com adaptações, em supply/logística (inclusive reverse), tesouraria (alvos diários de caixa e conciliação on-line), garantia de receita (segundo nível, olhando riscos fora do radar das áreas operacionais) e store check (prova de vida da limpeza e presença em loja via startup parceira). Quando a dor é recorrente, nasce um workflow sob medida.
Os líderes repetem o mantra: padroniza, automatiza, mede e reaplica. O resultado aparece em economias em renovações, quedas de contestação, redução de multas e OSs mais inteligentes (segura manutenção onde haverá reforma; investe onde o ciclo de vida pede). O pano de fundo? Centro de comando, métodos replicáveis e gente treinada para ler o ambiente, de Belém a Porto Alegre, com o mesmo “idioma operacional”.
Por que isso interessa ao FM?
Porque o jogo já mudou. A nova métrica de excelência não é “fazer a OS caber no SLA”; é conectar Facilities, Real Estate, Supply e Financeiro em uma única narrativa de valor, suportada por dados confiáveis, automação e contratos que importam. O Operations Studio é a materialização desse conceito: um hub que pensa, executa e presta contas em ciclos curtos, com tecnologia plugável e gente que entende a vida real da loja, do data center e do telhado.
Na minha visão, é aqui que o FM brasileiro ganha musculatura para disputar orçamento com áreas de negócio: falando a língua do caixa, com lastro técnico e prova pericial de cada decisão. E com um toque de humor sério: quem tem Vistoria Digital, Acompanhamento Digital de Serviços e Drones não “acha” vazamento; mostra onde ele está, quanto custa e quando some.