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Facility Manager, pense como futurista — e aja como estrategista

O Universo TOTVS 2025 mostrou que o futuro depende de quem já está com a chave na mão

Por Mateus Murozaki

Facility Manager, pense como futurista — e aja como estrategista

Foto: Divulgação


Em um mundo onde o “fazer mais com menos” deixou de ser um desejo e se tornou um imperativo, o Facility Manager é desafiado diariamente a assumir uma nova identidade: a de líder estratégico da transformação digital dos ambientes físicos. Essa foi, talvez, a maior lição não dita — mas intensamente percebida — no Universo TOTVS 2025, um dos maiores eventos de tecnologia e negócios da América Latina.

Ali, entre masterclasses com futuristas, apresentações técnicas, talks com artistas empreendedores e debates sobre Inteligência Artificial (IA), o FM teve o privilégio de ver o próprio futuro desenhado ao vivo — e a responsabilidade de fazer algo com isso.

Muito além de tecnologia: o FM como arquiteto da evolução
Quando Dennis Herszkowicz, CEO da TOTVS, subiu ao palco para anunciar os Agentes de IA e a Agent Store integrada à TOTVS Cloud, ele não falava apenas com diretores de TI. Falava com qualquer profissional responsável por garantir que os espaços corporativos funcionem com inteligência, previsibilidade e baixo custo operacional. Em outras palavras, ele falava com o Facility Manager.

Na prática, os Agentes de IA funcionam como “copilotos” inteligentes que aprendem com os dados do negócio e propõem ações automáticas ou preditivas. O FM que monitora consumo de energia, agenda manutenções e analisa contratos pode, com IA, transformar-se em um gestor de indicadores de desempenho predial em tempo real — o tipo de papel que gera valor direto para o negócio.

Não é sobre IA, é sobre decisões melhores
Enquanto os palcos do evento fervilhavam com termos como “machine learning”, “cloud híbrida” e “telemetria aplicada”, um recado mais humano ecoava pelas entrelinhas: IA não substitui o FM — ela o potencializa.

O near futurist Neil Redding, em sua masterclass, comparou a inteligência artificial à descoberta do fogo: poderosa, mas dependente de quem a utiliza. Já Sharon Gai, ex-Alibaba, reforçou que o segredo não está na tecnologia em si, mas em como as empresas escapam do excesso de tarefas repetitivas e focam na criação de valor.

Para o FM, isso significa menos tempo resolvendo problemas de infraestrutura e mais tempo planejando ambientes que geram bem-estar, produtividade e economia.

A infraestrutura corporativa virou assunto de diretoria
Durante a apresentação do painel “Plano Brasil Digital 2030+”, liderado por Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, ficou claro que a infraestrutura digital do país exige uma visão de longo prazo. E isso começa dentro das empresas.

Afinal, quem opera os sistemas que viabilizam a cultura data-driven, a conectividade e o uso inteligente de energia e recursos? O FM. Ele é a ponta da lança que traduz uma agenda estratégica em decisões físicas: quais sensores instalar, que tipo de controle adotar, como digitalizar ativos prediais, e por aí vai.

O Brasil digital só se tornará realidade quando os prédios forem inteligentes de verdade — e isso passa diretamente pela governança predial.

Do chão da fábrica ao topo do prédio: o FM como elo entre tecnologia e gente
No evento, o músico e empresário Sorocaba, da dupla Fernando & Sorocaba, falou sobre inovação no agronegócio, uso de tecnologia na criação de gado, e como a criatividade pode ser sistematizada. O que isso tem a ver com o FM? Tudo.

Porque a inovação não mora só nos servidores ou dashboards. Ela vive na forma como a manutenção é feita, no conforto térmico entregue ao colaborador, no silêncio de um gerador que não falha. O FM é o guardião invisível da experiência do colaborador, do cliente, do CEO.

A infraestrutura é o palco. E quem dirige esse espetáculo — nos bastidores — é o gestor de facilities.

E se você não está falando de IA, talvez esteja ficando para trás
A TOTVS apresentou dados preocupantes: apenas 7% das empresas no Brasil conseguem medir o retorno sobre investimento (ROI) em IA. Em paralelo, mais da metade sequer usa a tecnologia de forma estruturada. Eis aí um chamado: o FM pode liderar essa conversa dentro das organizações.

Comece com o que é mensurável: consumo de energia, tempo de resposta a chamados, custos de manutenção, desempenho de sistemas HVAC. Adote soluções com sensores, dashboards inteligentes e algoritmos de detecção de anomalias. Use a IA para mostrar resultado, não para parecer inovador — mas para ser estratégico.

Conclusão: o futuro do FM não está em outro evento, está em cada decisão feita hoje
O Universo TOTVS 2025 deixou uma certeza: a nova infraestrutura não é só física, é digital, conectada, responsiva. E o profissional capaz de orquestrar esse novo ecossistema é o Facility Manager.

Mais do que acompanhar tecnologias, o FM precisa liderar conversas. E talvez, mais do que dominar ferramentas, precise dominar o futuro — com coragem, visão e dados nas mãos.

Porque, no fim das contas, não se trata de IA ou sistemas — se trata de transformar ambientes em ativos estratégicos. E isso começa por quem os gerencia.


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