5 eventos que podem impactar o mercado em 2026 

Os "Cisne Negro" da inovação

Por Alexandre Pierro


5 eventos que podem impactar o mercado em 2026


Quem esperava que uma pandemia nos manteria isolados em casa durante anos e mudaria, radicalmente, a forma como todo o mercado opera? Eventos como esse – denominados como “Cisnes Negros” e propostos por Nassim Taleb – são quase impossíveis de serem previstos e antecipados, gerando impactos severos a toda a sociedade e economia mundial. Mas, há uma forma de mitigar seus riscos à economia mundial. 

Ao longo de nossa história, podemos notar incidência cada vez maiores de acontecimentos como esses. No século XX, por exemplo, costumávamos presenciar cerca de um cisne negro por década (Revolução Industrial tardia, entre 1900 –1909; Quebra da Bolsa de 1929 etc.). Enquanto isso, com a entrada do século XXI, a média passou para três cisnes negros por década (11 de setembro, Guerra ao Terror e Crise Financeira de 2008 entre 2000 e 2009; Primavera Árabe, Brexit e Ascensão das big techs/IA de 2010 a 2019, etc.). 

Mas, diante de um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, aceleração tecnológica e crises climáticas, 2026 desponta como um ano ainda especialmente sensível a tais rupturas inesperadas, exigindo das empresas um máximo preparo para que consigam se ajustar a qualquer imprevisto externo, mesmo que desconhecido. 

O Relatório de Riscos Globais 2026 comprova essa delicadeza. Em seus dados, 50% dos entrevistados preveem um cenário turbulento ou tempestuoso nos próximos dois anos, se sentindo mais pessimistas a curto prazo quanto potenciais resultados positivos. Mas, o que pode dificultar essa jornada? Separei abaixo cinco possíveis Cisnes Negros para este ano: 

1 Colapso dos sistemas digitais de cibersegurança e IA: à medida em que os ataques cibernéticos se tornam cada vez mais constantes, governos e organizações estão sob crescente pressão para se fortalecerem e impedirem tais tentativas. Hoje, existe uma série de tecnologias que, ao mesmo tempo que podem reforçar essa segurança, também poderiam ser mal utilizadas nesse sentido, como a computação quântica. Não à toa, 87% dos líderes em cibersegurança apontam vulnerabilidades relacionadas à IA como o risco que mais cresce este ano, segundo o relatório Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial. Como mitigar esse risco? Com o apoio de uma governança orientada por dados que olhe para esses possíveis cenários e invista nas medidas protetivas necessárias, como a ISO 27001. 

2 Choques de mercados financeiros pela IA: uma pesquisa realizada pelo Deutsche Bank revelou que 57% dos profissionais consideram que uma queda nas avaliações de empresas ligadas à IA representa o principal risco ao mercado em 2026. Estamos notando uma queda brusca de muitas organizações de tecnologia devido a um valuation irreal de suas operações, capaz de gerar uma forte crise econômica global. Um sinal disso está na baixa quantidade de investimentos em startups, consideradas, agora, como negócios de alto risco de retorno. 

3 Ruptura de cadeias logísticas: todas as tensões geopolíticas e mudanças climáticas que temos visto recentemente também agravam outra questão delicada ao comércio mundial: a sustentação das cadeias logísticas. No Brasil, as fortes enchentes que acometeram o RS em 2024 são um ótimo exemplo disso, as quais impediram que muitos suprimentos e auxílio chegassem ao estado, justamente, por terem rompido esses meios de locomoção. E, quanto mais conflitos políticos e econômicos forem presenciados, junto às demais instabilidades ecológicas, maiores serão essas rupturas e danos ao mercado. 

4 Choque energético: poucos setores são tão estruturalmente sensíveis quanto o energético. A falta de luz que acometeu grande parte da população de São Paulo por dias no final de 2025, devido às fortes ventanias, mostra como a nossa rede não está preparada para lidar com as instabilidades climáticas. É urgente rever nossa matriz energética, olhando com muito mais foco para fontes renováveis que auxiliem não apenas no atendimento às necessidades da sociedade, como também com a preservação ambiental. 

5 Tensões comerciais: o acirramento da disputa entre a China e os Estados Unidos está impactando todo o comércio mundial, principalmente em termos tecnológicos. Muitas tarifas comerciais tendem a aumentar e disputar acordos e negociações com outros países, o que mais vem gerando aumento de preços e invasões em busca de novas oportunidades, do que qualquer intermediação e resolução. A própria ONU não vem mais se destacando como gerenciadora desses conflitos, o que aumenta as chances de mudanças extremas no mercado a todo o momento. 

Não há como escaparmos desses e de muitos outros cisnes negros. Até porque, o mercado muda a todo o momento e, nem sempre, conseguiremos antecipar todos os cenários que podem impactar as operações corporativas. Mas, ao invés de encará-los com medo, podemos enxergá-los como uma oportunidade de reforçarmos a inovação, buscando métodos e formas diferentes e melhores de comandarmos o mercado, sem impactos severos na iminência de qualquer imprevisto político ou econômico. 

Este será um ano de muita inflexão, ao mesmo tempo que também pode ser um período de grandes inovações, caso as empresas remodelem seu olhar ao que estamos presenciando. Empresas inovadoras não evitam riscos (cisnes negros), evitam fragilidade. 

Alexandre Pierro é mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.   


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