Por Léa Lobo

Em um setor em que inovação científica salva vidas todos os dias, a infraestrutura que sustenta essa operação também precisa funcionar com precisão quase cirúrgica. Na Pfizer, uma das maiores empresas biofarmacêuticas do mundo, o ambiente de trabalho deixou há muito tempo de ser apenas um espaço físico. Ele se tornou uma plataforma estratégica para produtividade, experiência e colaboração global.
Fundada em 1849, em Nova York, a Pfizer está presente em mais de 125 países e reúne cerca de 80 mil colaboradores dedicados à pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos e vacinas. A companhia atua em áreas terapêuticas críticas como oncologia, imunologia, cardiologia, doenças raras e infectologia. Reconhecida mundialmente pelo forte investimento em ciência e inovação, ganhou ainda mais projeção ao desenvolver, em parceria com a BioNTech, uma das primeiras vacinas contra a COVID-19, um marco recente na história da saúde global.
No Brasil, a companhia mantém presença há mais de sete décadas. A operação brasileira combina atividades comerciais, pesquisa clínica e colaboração com instituições científicas e de saúde. Ao longo dos anos, o país tornou-se um dos mercados mais relevantes da empresa na América Latina, contribuindo para ampliar o acesso da população a tratamentos inovadores e fortalecendo o desenvolvimento da medicina no país.
Mas por trás dessa engrenagem científica existe uma estrutura que garante o funcionamento cotidiano da organização. No headquarter brasileiro da Pfizer, localizado na Rua Alexandre Dumas, em São Paulo, essa responsabilidade está nas mãos de dois profissionais que representam uma nova geração da gestão de workplace e facilities. Edilson Cavalcante, Lead Brasil & LatAm Southern Cluster PX, GWS P&O and Physical Security Budget LatAm, e Fábio Leal, Global Workplace Experience Latam, da JLL, são responsáveis por transformar infraestrutura em experiência.
Um hub estratégico para a América Latina
A operação brasileira da Pfizer ocupa posição estratégica dentro da organização. O país, ao lado do México, está entre os mercados mais relevantes da companhia na América Latina e recebe frequentemente visitas de executivos e equipes globais.
Esse protagonismo regional também se reflete na estrutura de gestão de workplace. Edilson Cavalcante lidera o cluster South-West da América Latina, que atualmente engloba Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, com possibilidade de expansão para outros países conforme a reorganização regional da companhia.
Dentro dessa estrutura, o time representa a área de Global Workplace Experience (GWE) na região. Trata-se de uma operação enxuta, porém altamente estratégica, que conecta diversas frentes operacionais e corporativas.
Entre as responsabilidades estão a gestão da experiência no ambiente de trabalho, a coordenação de projetos de infraestrutura, o acompanhamento de certificações e sustentabilidade, além da administração do orçamento regional de segurança física, que inclui desde monitoramento por câmeras até a gestão de contratos de vigilância em vários países.
A estrutura envolve ainda especialistas dedicados a temas específicos, como experiência do colaborador, programas de melhoria contínua e gestão de saúde, segurança e meio ambiente. Mais recentemente, a área passou também a incorporar a segurança física global dentro da mesma governança, ampliando ainda mais o escopo estratégico da equipe.
O cotidiano invisível que mantém o prédio funcionando
No dia a dia, o trabalho da equipe vai muito além da operação tradicional de facilities. O headquarter brasileiro reúne cerca de 460 colaboradores e recebe uma média diária de aproximadamente 300 pessoas, além de visitantes internacionais frequentes.
Garantir que tudo funcione com precisão exige uma gestão permanente de serviços essenciais como limpeza, manutenção predial, climatização, segurança, cafeteria, estacionamento e tecnologia. Mesmo com parceiros estratégicos bem definidos, como a JLL na gestão integrada de facilities, a operação exige monitoramento constante.
Na prática, isso significa acompanhar contratos, analisar indicadores de desempenho, controlar orçamento, supervisionar fornecedores e antecipar necessidades operacionais antes que se tornem problemas. Como costuma ocorrer em qualquer ambiente corporativo complexo, o macro pode parecer simples. O verdadeiro desafio está nos detalhes.
Um café bem preparado, um ambiente silencioso, iluminação adequada, climatização confortável ou um espaço de pausa bem planejado são pequenos elementos que, juntos, constroem a percepção de qualidade do workplace.
Segundo Edilson Cavalcante, o objetivo é criar uma experiência positiva desde o momento em que alguém entra no prédio. Para isso, a equipe tem desenvolvido iniciativas que reforçam hospitalidade e pertencimento, inclusive para visitantes internacionais que chegam frequentemente ao escritório brasileiro.
Uma das ideias em desenvolvimento é um kit de boas-vindas com elementos da cultura brasileira, pensado para receber executivos estrangeiros e tornar a experiência mais acolhedora.
Experiência do colaborador como estratégia de retenção
Se antes o papel do facilities era manter o prédio funcionando, hoje o desafio é muito mais amplo. A pandemia redefiniu a relação das pessoas com o escritório e obrigou empresas a repensar completamente o conceito de workplace.
No caso da Pfizer, a média de ocupação diária gira em torno de 300 pessoas, mas o desafio de atrair colaboradores de volta ao escritório permanece presente. Mobilidade urbana, trânsito e deslocamento em grandes cidades são fatores que impactam diretamente essa decisão.
Por isso, a estratégia de workplace passou a incluir também ações voltadas à experiência do colaborador. Eventos internos, encontros temáticos e iniciativas de bem-estar fazem parte da agenda anual da área.
Entre as atividades promovidas estão eventos culturais, ações comemorativas e experiências voltadas ao cuidado pessoal. Em algumas ocasiões, atividades como karaokê, sessões de bem-estar ou workshops temáticos são organizadas dentro do próprio prédio para incentivar a convivência entre os colaboradores.
Essas iniciativas fazem parte de um calendário anual estruturado e planejado com antecedência, com orçamento dedicado para garantir continuidade ao longo do ano.
A lógica é simples, mas poderosa. Se as pessoas precisam sair de casa e enfrentar deslocamentos longos para trabalhar, o escritório precisa oferecer algo que vá além da mesa e do computador.
O desafio permanente da modernização predial
O edifício que abriga o headquarter da Pfizer em São Paulo possui mais de duas décadas de operação e passou por uma grande modernização nos últimos anos.
Durante a pandemia, a empresa realizou um retrofit importante para atualizar layout, infraestrutura e sistemas do prédio. Como a operação da Pfizer permaneceu ativa durante todo o período devido ao desenvolvimento da vacina contra a COVID-19, a obra precisou ser executada de forma gradual, sem interromper as atividades.
O projeto, que normalmente levaria cerca de oito meses, acabou sendo realizado ao longo de quase dois anos para garantir que os colaboradores continuassem trabalhando normalmente no local.
Agora, novos ciclos de atualização já estão no radar da equipe. Sistemas prediais, elevadores, estruturas elétricas e componentes técnicos seguem uma lógica de renovação contínua para acompanhar o envelhecimento natural da infraestrutura.
Um exemplo é a cabine primária do edifício, que deverá passar por um processo de atualização dentro do ciclo previsto de aproximadamente 30 anos de operação.
Sustentabilidade e certificações como prioridade
A sustentabilidade também ocupa posição central na estratégia de infraestrutura da companhia.
O edifício brasileiro já possui certificação LEED Gold voltada à operação predial, e a meta da equipe é ampliar esse escopo para outras áreas da operação e, futuramente, para outros países da América Latina.
Colômbia e Brasil já possuem iniciativas avançadas nessa área, e a estratégia regional prevê expandir certificações e boas práticas para outros sites da companhia.
Além do LEED, outras certificações estão em andamento. A empresa também trabalha para obter o selo internacional WELL em algumas operações e avança em iniciativas de acessibilidade com o Guia de Rodas, que avalia ambientes corporativos sob a perspectiva da inclusão.
Essas iniciativas reforçam uma tendência cada vez mais clara no setor de facilities. A gestão predial passou a ser parte integrante das estratégias ESG das organizações.
Tecnologia e inteligência artificial no horizonte
Outro projeto em desenvolvimento envolve a incorporação de inteligência artificial em processos de gestão e treinamento.
A ideia é utilizar ferramentas de IA para aprimorar capacitação de equipes, análise de dados operacionais e suporte à tomada de decisão. A implementação está sendo estudada ao longo deste ano, com expectativa de avanços concretos nos próximos ciclos operacionais.
Para Edilson Cavalcante e Fábio Leal, a tecnologia será um dos principais vetores de transformação da área de workplace nos próximos anos.
Facilities como protagonista da experiência corporativa
O caso da Pfizer ilustra com clareza uma transformação silenciosa que vem ocorrendo nas organizações. Facilities deixou de ser apenas uma área de suporte. Hoje é uma função estratégica que conecta infraestrutura, tecnologia, bem-estar e cultura organizacional.
Ao equilibrar eficiência operacional, experiência do colaborador e sustentabilidade, a gestão liderada por Edilson Cavalcante e Fábio Leal demonstra como o workplace pode se tornar um ativo estratégico para as empresas.
E talvez esse seja o maior aprendizado para o setor. No futuro do trabalho, o prédio corporativo não será apenas um local para trabalhar. Ele será um espaço onde ciência, colaboração e experiência humana convivem no mesmo endereço.