Abrafac lança e-book e reposiciona o Facility Management como protagonista da Agenda 2030

A Abrafac lançou um e-book que traduz diretrizes globais do ESG para a rotina do gestor de facilities, mostrando conexão direta com os ODS e propondo níveis de maturidade, métricas e ações práticas para acelerar a transformação.

Por Léa Lobo

ESG Abrafac

Imagem: Divulgação


A Associação Brasileira de Property, Workplace e Facility Management realizou uma live especial para celebrar o lançamento do e-book ESG no Facility Management, produzido pelo Comitê de ESG da entidade. Mais do que uma publicação técnica, o material nasce como um chamado à ação para os gestores que ainda enxergam o ESG como algo distante da rotina operacional.

Durante a transmissão, conduzida por Marcelo Boeger, diretor do comitê da entidade, representantes do grupo responsável pela construção do conteúdo compartilharam bastidores, metodologia e, principalmente, a visão estratégica que sustenta o documento.

O e-book foi desenvolvido de forma colaborativa, envolvendo inicialmente 25 profissionais que se dividiram em três subcomitês, cada um responsável por aprofundar uma das dimensões do ESG. A construção partiu dos conceitos globais e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mas com um recorte claro e pragmático, traduzindo essas diretrizes para a realidade da operação do gestor de facilities.

Rodrigo Sávio, coordenador do Comitê de ESG, explicou que o desafio foi transformar diretrizes macro em práticas aplicáveis no dia a dia. Camila Paz destacou que o gestor de facilities é, na prática, um agente de transformação. Ele controla consumo de água e energia, gerencia resíduos, define critérios para escolha de fornecedores, influencia bem-estar e segurança dos ocupantes e impacta diretamente a eficiência no uso de recursos.

A grande descoberta do grupo foi constatar que 13 dos 17 ODS têm conexão direta com a área de facilities. Não é pouco. Isso posiciona o FM como um elo estratégico entre a agenda corporativa de sustentabilidade e a execução operacional.


Maturidade é a palavra-chave
O debate trouxe uma reflexão essencial. Nem todas as empresas estão no mesmo estágio. O e-book apresenta cinco níveis de maturidade, que vão do estágio elementar ao transformador. Algumas organizações ainda atuam de forma reativa, focadas apenas no cumprimento legal. Outras já incorporaram o ESG ao seu DNA estratégico.

Essa diferença de maturidade impacta diretamente a capacidade de atingir as metas da Agenda 2030. Empresas nos níveis estratégicos e transformadores têm maior probabilidade de cumprir seus compromissos antes mesmo do prazo. Já aquelas em estágios iniciais ainda estão estruturando cultura, processos e indicadores.

A discussão também abordou eficiência energética e hídrica, temas que historicamente ganharam tração pela lógica de redução de custos, mas que hoje assumem papel central no posicionamento das marcas. A economia financeira deixou de ser o único argumento. Sustentabilidade passou a ser reputação, risco e valor de mercado.

Saúde mental, governança e risco reputacional
A live trouxe ainda reflexões sobre temas sensíveis como LGPD, ética corporativa e saúde mental no ambiente de trabalho. No campo da governança, reforçou-se a importância de códigos de conduta estruturados, monitoramento efetivo e envolvimento direto do FM na gestão de fornecedores e contratos.

No eixo social, a atualização da NR-01 e a inclusão dos riscos psicossociais ampliam a responsabilidade das organizações. A discussão deixou claro que o ambiente físico influencia diretamente o bem-estar mental. Ergonomia, iluminação, biofilia e canais de escuta deixam de ser diferenciais e passam a integrar a agenda estratégica.

Aqui está um ponto crucial. Esperar que a pressão regulatória ou os processos judiciais provoquem mudança é um erro. ESG não pode ser reação. Precisa ser antecipação.

Por onde começar
Talvez a contribuição mais prática do encontro tenha sido a orientação aos gestores que ainda se sentem “no zero”. A recomendação é objetiva. Mapear o que já é feito. Organizar indicadores que já existem. Conectar dados operacionais a impacto ambiental, social e financeiro. Avaliar o nível de maturidade. Identificar lacunas. Levar informações estruturadas ao board.

A mensagem é que muitos gestores já fazem ESG sem saber que fazem. Falta organizar, mensurar e comunicar.

Comunidade como acelerador
Outro ponto forte do debate foi a defesa da participação nos comitês da Abrafac. O grupo destacou que o ambiente colaborativo acelera aprendizado, reduz a sensação de isolamento do gestor e amplia repertório estratégico.

O comitê se reúne mensalmente e já trabalha em novos documentos técnicos, consolidando a associação como agente estruturante do conhecimento em Property, Workplace e Facility Management no Brasil.

Uma agenda que não volta atrás
A fala final sintetizou o espírito do lançamento. ESG não é moda. Não é tendência passageira. É mudança estrutural na forma como organizações enxergam risco, valor e futuro.

Para o setor de Facility Management, a provocação é direta: ou o gestor assume seu papel estratégico na agenda ESG ou continuará sendo visto apenas como executor operacional.

A boa notícia é que o caminho está desenhado. O conteúdo está disponível gratuitamente no site da associação. O desafio agora é outro: transformar conhecimento em ação.

Confira a íntegra da publicação em https://abrafac.org.br/esg-no-facility-management/


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