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Como a Rede de Hospitais São Camilo reduziu 42% das emissões diretas?

A decisão revela como escolhas técnicas em infraestrutura e insumos operacionais podem reduzir carbono e custos

Por Redação

Foto: Divulgação


Hospitais ao redor do mundo estão revisando o uso de gases anestésicos em seus protocolos clínicos. A mudança está relacionada ao impacto climático desses insumos, que podem representar uma parcela relevante das emissões operacionais do setor de saúde.

Em São Paulo, a Rede de Hospitais São Camilo adotou uma medida nessa direção ao retirar o óxido nitroso de suas operações assistenciais. A decisão foi conduzida pela área de Gestão Ambiental da instituição e resultou em uma redução de 42% nas emissões diretas de gases de efeito estufa (GEE) da rede.

A mudança evita a liberação de aproximadamente 3.629 toneladas de CO₂ equivalente por ano. Segundo estimativa da instituição, o impacto ambiental corresponde ao plantio de cerca de 25 mil árvores.

O óxido nitroso, conhecido como “gás do riso”, é um anestésico inalatório utilizado para sedação consciente, alívio da dor e redução da ansiedade em procedimentos de curta duração.

“Descontinuar o uso do óxido nitroso é uma decisão que reforça nosso compromisso com a saúde das pessoas e do planeta. Os resultados evidenciam que é possível manter a excelência assistencial ao mesmo tempo em que reduzimos de forma significativa nosso impacto ambiental”, disse Leonardo Alves, engenheiro de gestão ambiental da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

A rede informou que a mudança ocorreu sem comprometer a segurança assistencial e também gerou economia operacional anual.

“Ao revisar processos e incorporar práticas mais sustentáveis, consolidamos um modelo de gestão que alia inovação, responsabilidade ambiental e eficiência operacional”, disse Cláudia Oliveira, gerente de hotelaria da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

​A pegada de carbono do setor de saúde
A dimensão climática da operação hospitalar vai além dos gases anestésicos. Segundo o estudo “Health Care’s Climate Footprint”, publicado pela organização Health Care Without Harm em parceria com a consultoria Arup, o setor de saúde é responsável por aproximadamente 4,4% das emissões globais de gases de efeito estufa.

O levantamento identifica três grandes fontes de emissões no setor:

Consumo energético de edifícios hospitalares;
Cadeia de suprimentos médicos;
Gases anestésicos e medicinais.

Para gestores de facilities, esse diagnóstico amplia o escopo tradicional da gestão predial. O artigo científico “Environmental Sustainability in Anesthesia Practice”, publicado na revista Anesthesia & Analgesia, indica que até 95% do gás anestésico administrado aos pacientes pode ser liberado diretamente na atmosfera após o procedimento.

O que o caso São Camilo indica para gestores de operações
O caso da Rede São Camilo demonstra que a descarbonização hospitalar não depende apenas de eficiência energética ou certificações ambientais. Algumas das reduções mais rápidas de emissões podem ocorrer a partir da revisão de insumos específicos de alto impacto climático.

O relatório “The Net-Zero Transition”, publicado pelo McKinsey Global Institute, indica que organizações que identificam fontes concentradas de emissões conseguem gerar reduções relevantes com intervenções operacionais relativamente simples.

No ambiente hospitalar, gases anestésicos se enquadram nesse perfil. A experiência da Rede São Camilo sugere que decisões técnicas em áreas específicas da operação podem produzir impactos ambientais mensuráveis sem alterar o nível de serviço assistencial.

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Como construímos este material
Esta matéria se baseia em informações institucionais divulgadas pela Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo sobre a descontinuação do uso de óxido nitroso em suas operações hospitalares. O conteúdo também utiliza dados de estudos e relatórios internacionais sobre emissões no setor de saúde. Os links para as fontes estão dispostos no conteúdo, conforme são citados. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected]


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