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42% dos brasileiros zeram a conta em até 36 horas

Levantamento revela que grande parte da população consome todo o dinheiro recebido em pouco mais de um dia, reforçando a pressão sobre o orçamento familiar

Por Redação

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Imagem: Canva.com/towfiqu-barbhuiya


Um estudo realizado pela fintech Klavi, especializada em inteligência de dados financeiros, trouxe à tona um retrato preocupante sobre a forma como os brasileiros administram o salário. Segundo a pesquisa, 18% das pessoas gastam todo o valor em menos de 24 horas após o depósito. Em até 36 horas, o índice sobe para 42,2%.

Mais da metade dos entrevistados (56%) relatou ficar com menos de R$ 100 disponíveis após esse período. O comportamento foi identificado em diferentes faixas etárias e regiões do país, indicando que não se trata apenas de uma questão geracional ou localizada: há uma dificuldade generalizada em manter recursos na conta por mais tempo.

Orçamento pressionado por despesas fixas

A explicação está no peso das contas recorrentes. Logo após o recebimento, o salário é consumido por compromissos como aluguel, energia, transporte e alimentação. Em seguida, entram parcelas de dívidas e gastos de consumo imediato, deixando pouco espaço para reservas financeiras.

O quadro se conecta a outro dado relevante: segundo a Serasa Experian, o Brasil encerrou 2024 com 77,8 milhões de pessoas inadimplentes. Ou seja, além de não conseguir poupar, uma parcela expressiva da população convive com dívidas em atraso, o que agrava ainda mais o ciclo de fragilidade financeira.

O contraste com outros países

Quando comparado a outros mercados, o cenário brasileiro se torna ainda mais evidente. Nos países desenvolvidos, a taxa média de poupança das famílias gira entre 10% e 15% da renda, segundo o Banco Mundial. No Brasil, esse índice não chega a 5%.

Isso significa que a maioria dos brasileiros não consegue acumular reservas para emergências, tampouco direcionar recursos para investimentos de longo prazo. O resultado é a dependência crescente do crédito, muitas vezes em modalidades caras como cheque especial e cartão de crédito.

Para onde vai o salário

O levantamento da Klavi detalha que a maior parte dos recursos é destinada a contas básicas e despesas recorrentes. O restante se divide entre consumo imediato e o pagamento de dívidas. Em muitos casos, o crédito funciona como complemento do orçamento, ampliando o risco de inadimplência no futuro.

Mais do que números, um sinal de alerta

O fato de 42% dos brasileiros zerarem a conta em pouco mais de um dia não deve ser visto apenas como estatística. O dado traduz a fragilidade financeira de milhões de famílias e a falta de espaço para planejamento de médio e longo prazo.

Embora parte do problema esteja ligada à renda ainda baixa para muitos trabalhadores, especialistas apontam que a educação financeira e o incentivo à construção de hábitos de poupança, mesmo em pequenas quantias, podem reduzir a vulnerabilidade.

Em um contexto de inflação instável, juros elevados e pressões constantes sobre o custo de vida, entender como o dinheiro é consumido tão rapidamente é um passo essencial para repensar políticas públicas, estratégias de empresas e até decisões pessoais sobre consumo e endividamento.


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