“O Estado nos vê como inimigos”, diz presidente da Cebrasse sobre setor

Profissional compartilha suas preocupações e possíveis desafios que prestadores de serviços devem enfrentar em 2025

Por Mateus Murozaki

“O Estado nos vê como inimigos”, diz presidente da Cebrasse sobre setor

De acordo com dados do IBGE, o setor de serviços cresceu 3,1% em 2024, marcando o quarto ano consecutivo de alta. Esse desempenho positivo reflete a robustez do mercado, impulsionado por um cenário favorável, com o mercado de trabalho aquecido.

No entanto, 2025 trará desafios específicos para a área, que vão desde a integração de novas tecnologias até os conflitos relacionados à imagem que as “empresas prestadoras de serviços” transmitem. Essa é a visão de João Diniz, presidente da Cebrasse (Central Brasileira do Setor de Serviços), que, em entrevista, destacou uma série de questões que devem ser consideradas por gestores de diferentes áreas ao longo do ano.

Um dos principais pontos mencionados é o Estatuto da Segurança, que será ampliado para abranger segmentos como ferrovias e hidrovias, além de impor uma maior responsabilidade com as regras de transição da Reforma Tributária, que resultará em dois sistemas funcionando simultaneamente.

Diniz também destacou outros desafios, como o aumento significativo da carga tributária para contratantes particulares e condomínios, sem nenhuma compensação, o que resultará em um gasto ainda maior para as empresas que optarem por serviços terceirizados.

Em relação à escassez de mão de obra qualificada, um problema que afeta diversos setores, o presidente da Cebrasse enfatizou os esforços para valorizar os funcionários terceirizados, por meio de premiações por pontualidade e assiduidade, além de uma maior ênfase na qualificação profissional, visando aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos serviços prestados.

Um aspecto que tem feito a diferença para as empresas terceirizadas é o uso de novas tecnologias de medição e automação, com foco em ganhos de produtividade e conforto para os trabalhadores. Diniz exemplifica com o uso de recursos audiovisuais para auxiliar os funcionários no desempenho de suas tarefas, otimizando sua eficiência. Outro desafio identificado é a aplicação de inteligência artificial (IA) nos processos administrativos e na execução dos serviços.

Por fim, Diniz destacou a dificuldade de se alinhar às expectativas governamentais, afirmando: “O Estado nos vê como inimigos; vivemos o paradoxo de gerar riquezas e sermos mal vistos nessa função primordial sob os aspectos econômicos, sociais e políticos.”

Esses são alguns dos tópicos apontados pelo presidente da Cebrasse para reflexão em 2025. Fica a dúvida: será este o ano em que o setor de serviços sofrerá sua primeira queda em quatro anos, ou completará cinco anos de crescimento contínuo

 


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