Onde está o Facility Manager a bordo?

Juliana Pereira de Siqueira, nova diretora na ABRAFAC, analisa as oportunidades para profissionais de Facility, Property e Workplace Management em cruzeiros.

Por Natalia Gonçalves

Onde está o Facility Manager a bordo?

Foto: Canva.com/ Brendon Spring


Era apenas para ser uma viagem de cruzeiro, mas a experiência no navio se tornou objeto de pesquisa. Apaixonada por Facilities, Juliana Pereira de Siqueira, nova diretora do Congresso e Expo ABRAFAC, sempre teve uma curiosidade imensa para conhecer os bastidores das operações e como elas funcionam. Durante uma viagem de navio, planejada para relaxar, não foi diferente.

"A vontade de entender os bastidores da experiência marítima me impulsionou a indagar sobre cada detalhe, desde o destino do lixo a bordo até as leis sanitárias que regiam o ambiente. Assim, minha experiência a bordo não apenas reforçou minha paixão pela área de Facility Management, mas também ressaltou a importância vital desses profissionais nos mais diversos setores", diz Juliana.

Assim que retornou da viagem, ela iniciou uma pesquisa sobre a gestão de processos de navios de cruzeiro. No ano passado, o estudo foi reconhecido pelo prêmio Melhores do Ano ABRAFAC. “O foco deste estudo é contribuir para o mercado de Facilities, destacando as melhores práticas nas operações de navios e, por conseguinte, gerando questionamentos que talvez não tenham sido considerados anteriormente”, destaca.

Onde está o Facility Manager a bordo?

Sem intenção de criticar qualquer companhia de cruzeiros marítimos, Juliana encontrou pontos similares na operação de diferentes empresas. Logo no início do estudo, identificou a ausência da área de Facility Management. Apesar dos profissionais responsáveis pela manutenção e operação dos navios serem cruciais para o bem-estar dos hóspedes, esse reconhecimento ainda não é claro para o mercado.

“Enquanto os passageiros repousam, a equipe de manutenção está ativa realizando inspeções e preventivas para assegurar o pleno funcionamento de toda a operação”, destaca a pesquisadora. Para ela, os bastidores, muitas vezes invisíveis aos olhos dos viajantes, revelam uma coreografia complexa de esforços coordenados, que garantem uma experiência a bordo não apenas memorável, mas também impecavelmente segura e higiênica.

Por exemplo, durante a manutenção da piscina, pode ser necessário esvaziá-la por completo, para evitar a contaminação da água. Além disso, o lixo proveniente dos pratos passa por uma triagem minuciosa, como explica Juliana: os resíduos orgânicos são triturados em máquinas especializadas, enquanto o material reciclável é lavado, compactado e armazenado no porão, pronto para ser descartado nos portos. Desta forma, a experiência glamourosa dos passageiros é mantida com um trabalho minucioso e discreto.

Ao longo da pesquisa, outro ponto que chamou atenção foi a falta de processos focados em pessoas. Para Juliana, a realidade dos responsáveis em manter a experiência dos passageiros foi uma surpresa. “As companhias marítimas, frequentemente, recorrem a terceirizadas para compor grande parte de suas equipes operacionais. Este contingente é formado por indivíduos de diversas nacionalidades, muitas vezes com limitado domínio do inglês, submetidos a jornadas de trabalho médias de 10 horas diárias, sem folgas semanais, durante seis longos meses”, ressalta.

Assim, os colaboradores, afastados da família e amigos, em quartos minúsculos que compartilham, poucas vezes retornam à função após o período de viagem. Deste modo, a pesquisadora propõe um novo cenário em que a área Facility Management seja responsável pelas contratações, com o intuito de melhorar a experiência dos colaboradores e diminuir a rotatividade. “Nesse contexto, as empresas teriam a oportunidade de recrutar colaboradores diretamente, eliminando a necessidade de 'contratos por embarque' ou por períodos pré-determinados”, explica.

 “Além disso, ao considerar a nacionalidade das regiões pelas quais os cruzeiros transitam, poderíamos alinhar as contratações, proporcionando aos colaboradores períodos regulares de folga, maior proximidade com sua terra natal e até mesmo a criação de planos de carreira dentro da própria empresa”, completa Juliana. Segundo a profissional, os cruzeiros representam uma área pouco explorada para os profissionais de Facility, Property e Workplace Management, mas repleta de potencial.


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