Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

Green card por mérito: como funciona o visto EB-1 e quem pode se beneficiar

Entenda critérios, subcategorias e como estratégia e documentação impactam o processo migratório nos EUA

Por Redação

Foto: Deposit | AndrewLozovyi

O visto EB-1 é uma das principais categorias de imigração baseada em emprego para obtenção do green card nos Estados Unidos. Classificado como primeira preferência entre os vistos employment based, o programa é direcionado a profissionais que comprovem desempenho acima da média em suas áreas de atuação por meio de evidências objetivas.

De acordo com Daniel Toledo, advogado da Toledo e Advogados Associados, especializado em Direito Internacional, o EB-1 ainda é frequentemente interpretado de forma equivocada. Segundo ele, trata-se de uma categoria exigente em documentação e estratégia, mais rigorosa que o EB-2, embora não restrita a perfis considerados fora da curva.

As três frentes do EB-1 e seus critérios específicos

O EB-1 é dividido em três subcategorias, com requisitos distintos e enquadramentos próprios.

EB-1A – Habilidade extraordinária
Destinado a profissionais com habilidades extraordinárias nas áreas de ciência, artes, educação, negócios ou esportes, o EB-1A não exige oferta formal de emprego nem patrocinador nos Estados Unidos. O foco está na demonstração de reconhecimento nacional ou internacional, por meio de prêmios, publicações, contribuições relevantes e trajetória consistente.

A análise considera o nicho específico e o país de origem do candidato, com avaliação comparativa dentro do próprio campo de atuação.

EB-1B – Professores e pesquisadores
Voltado a professores e pesquisadores estrangeiros, o EB-1B exige pelo menos três anos de experiência em ensino ou pesquisa, além de oferta de emprego de universidade ou instituição de pesquisa nos Estados Unidos. A legislação demanda vínculo institucional que demonstre continuidade da atividade acadêmica.

EB-1C – Executivos e gerentes multinacionais
A categoria EB-1C contempla executivos e gerentes de empresas multinacionais. É comum entre profissionais que ingressam no país com visto L-1 e posteriormente ajustam o status migratório, embora seja possível aplicar diretamente. O ponto central é comprovar atuação executiva fora dos Estados Unidos e a relação societária entre a empresa estrangeira e a operação americana.

Documentação robusta e análise comparativa

Independentemente da subcategoria, o processo do EB-1 é protocolado junto ao United States Citizenship and Immigration Services por meio do formulário I-140. A petição pode reunir centenas ou milhares de páginas de documentos, incluindo certificados, contratos, cartas de referência, publicações e patentes.

A análise é essencialmente comparativa. O agente responsável avalia a coerência da trajetória profissional, a consistência das provas apresentadas e o enquadramento correto da categoria escolhida. Erros de tipificação podem resultar em negativa mesmo diante de mérito comprovado.

Prioridade na fila e dinâmica do Visa Bulletin
Por integrar a primeira preferência dos vistos baseados em emprego, o EB-1 costuma apresentar maior disponibilidade no Visa Bulletin, publicação mensal que define a liberação de números de visto por categoria e país.

A condição de estar “current” depende da nacionalidade do solicitante e do mês de referência, exigindo monitoramento constante. O tempo de processamento varia conforme o centro responsável e a complexidade do caso. Há possibilidade de processamento premium, mediante taxa adicional, reduzindo o prazo de resposta quando disponível.

Planejamento de carreira como diferencial estratégico
O EB-1 evidencia um ponto recorrente nas políticas migratórias baseadas em mérito: consistência ao longo do tempo. Publicações, prêmios, posições de liderança e reconhecimento precisam dialogar entre si, formando uma narrativa profissional estruturada.

Especialistas destacam que a categoria é seletiva, mas viável para profissionais que atendam aos critérios técnicos. O cenário indica que, diante de um mercado global cada vez mais competitivo, estratégias de internacionalização de carreira passam a exigir planejamento documental contínuo, e não apenas decisões pontuais.

Para executivos, pesquisadores e profissionais de destaque, o EB-1 se consolida como alternativa relevante no acesso à residência permanente nos Estados Unidos, reforçando a lógica de que trajetória comprovada e enquadramento correto são determinantes no processo migratório.

Curiosidade - Famosos brasileiros e vistos por mérito nos EUA

O governo dos Estados Unidos não divulga publicamente qual categoria migratória específica cada profissional utilizou para obter residência permanente. Ainda assim, casos amplamente noticiados indicam que brasileiros com trajetória internacional consolidada costumam recorrer a vistos baseados em mérito (como as categorias de habilidade extraordinária, que incluem o EB-1A).

Entre os nomes frequentemente associados a esse perfil estão:

- Anderson Silva, ex-campeão do UFC, que construiu carreira internacional e passou a residir nos Estados Unidos durante sua trajetória esportiva;

- Vitor Belfort, também com histórico de alto desempenho no cenário global do MMA e longa permanência profissional no país;

- Anitta, que estruturou sua expansão internacional no mercado norte-americano com assessoria jurídica especializada em imigração;

- Rodrigo Santoro, ator com carreira consolidada em produções de Hollywood.


Especialistas em imigração observam que, nesses casos, o fator determinante não é a fama em si, mas a capacidade de comprovar reconhecimento internacional, impacto profissional e consistência de trajetória, critérios centrais nas categorias migratórias voltadas a mérito.

A lógica aplicada a artistas e atletas é a mesma exigida de pesquisadores, executivos e outros profissionais qualificados: documentação robusta, evidências objetivas e enquadramento técnico adequado.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking