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A nova fronteira da limpeza profissional

Por que o Brasil precisa acelerar sua integração com tecnologia, ESG e Facilities Management

A fronteira da limpeza profissional

Foto: Nathalia Ueno, Presidente da Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp)


A participação da Abralimp no ISSA Show North America deste ano reforçou uma percepção que já vinha ganhando corpo no Brasil. A limpeza profissional entrou em um novo ciclo. Não se trata mais de olhar para a higienização como uma operação de suporte, mas como parte central da arquitetura de saúde do ambiente, da eficiência das instalações e da experiência de quem utiliza os espaços. O que vimos nos Estados Unidos, e que se desenha por aqui, é a consolidação de um setor que se reposiciona na interseção entre tecnologia, sustentabilidade e gestão de facilities.

A incorporação de automação e inteligência artificial é um exemplo dessa virada. Robôs de limpeza começam a ocupar áreas de grande fluxo como hospitais e aeroportos. Sensores inteligentes já orientam rotinas baseadas em demanda real e plataformas integradas conectam manutenção predial, higiene e segurança para apoiar decisões mais precisas. Essa mudança não é cosmética; ela redefine produtividade, controle operacional e a própria forma como medimos qualidade no ambiente construído. Nos mercados mais maduros, esse ecossistema tecnológico opera de forma natural. No Brasil, a adoção cresce, mas ainda enfrenta barreiras de custo, cultura e qualificação.

Outro ponto que ganhou destaque no ISSA Show, e que considero urgente para o nosso país, é a transição para práticas de limpeza verde, produtos menos agressivos, redução de resíduos e uso racional de recursos. Práticas ESG são uma exigência. Como setor, precisamos avançar no alinhamento com padrões internacionais, ampliar certificações e assegurar que prestadores, fabricantes, distribuidores e contratantes falem a mesma língua quando o tema é sustentabilidade. Em 2025, apoiamos mais de 100 empresas associadas nesse processo, e os resultados mostram que o mercado responde positivamente quando há diretrizes claras e suporte técnico.

Mesmo assim, tecnologia e sustentabilidade não resolvem sozinhas nossos desafios estruturais. O Brasil ainda convive com informalidade, uso de produtos irregulares, desconhecimento sobre riscos sanitários e falta de padronização. É um cenário que compromete qualidade, segurança e competitividade. Combater essas práticas é também proteger os profissionais que atuam no setor e ampliar a confiança dos contratantes. E esse movimento passa, necessariamente, por formação técnica robusta, por certificações reconhecidas e por uma agenda de profissionalização contínua.

Ao participar do ISSA Show North America, reforçamos também uma dimensão estratégica: a integração global. Estreitar laços com instituições internacionais, compartilhar boas práticas, conhecer novas arquiteturas de treinamento e trazer referências regulatórias para o Brasil é essencial para acelerarmos o amadurecimento do setor. O futuro da limpeza profissional é digital, sustentável e integrado, mas também é colaborativo. Nenhum país avança sozinho nessa agenda.

O que está diante de nós é uma oportunidade de posicionar a higienização profissional como protagonista de ambientes mais seguros, mais eficientes e mais saudáveis. Não se trata apenas de adotar novas tecnologias, mas de mudar a forma como enxergamos o papel da limpeza nos espaços onde vivemos, trabalhamos e circulamos. É um convite à indústria, aos prestadores de serviços, aos gestores de facilities e aos contratantes para repensarem suas práticas e elevarem o padrão do setor.

O país tem condições de avançar rapidamente. Se quisermos, de fato, inaugurar uma nova fronteira para a limpeza profissional no Brasil, este é o momento de agir.


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