Como o conhecimento sobre as deficiências e as qualidades da infraestrutura, sentidas na "pele", influenciam o projeto de arquitetura

Roberto Aflalo Filho, sócio diretor do escritório aflalo/gasperini arquitetos, compartilhou detalhes sobre o projeto de ampliação do GRAACC.

Como o conhecimento sobre as deficiências e as qualidades da infraestrutura, sentidas na "pele", influenciam o projeto de arquitetura

Foto: Divulgação/ Ana Mello


O Hospital do GRAACC já existia há quase uma década quando o escritório aflalo/gasperini arquitetos assumiu o projeto de ampliação. Com o objetivo de tornar o prédio mais alegre, houve o trabalho de utilizar diferentes cores ao longo dos pavimentos, o que também cumpriu a função de caracterizar os andares. "Você identifica o andar e, eventualmente, as funções do andar também por cores, ou seja, sempre tem esse aspecto lúdico: do ambiente te estimular", explica Roberto Aflalo Filho, sócio-diretor do escritório. O diretor também enfatiza como foi importante conhecer o público que seria mais impactado por essa transformação: as crianças.

Para compreender quais mudanças seriam necessárias para melhorar a experiência das crianças, dos pais e dos funcionários, assim como, estabelecer os pontos mais críticos do prédio, foram realizadas pesquisas com ajuda da responsável por Facilities da época. "Ela conhecia muito o projeto do GRAACC existente e ela conhecia muito das qualidades e das deficiências do prédio. Então, ela foi um suporte muito grande para nós e uma interface muito grande, pois ela conhecia todos os processos, as diversas equipes de médicos e de enfermagem", diz Aflalo. 

Como o conhecimento sobre as deficiências e as qualidades da infraestrutura, sentidas na "pele", influenciam o projeto de arquitetura

Foto: Divulgação/ Ana Mello


Impacto do design no bem-estar 

Tendo em vista a influência das cores na percepção dos pacientes, da reação deles perante o espaço, Roberto comenta sobre o design de interiores do hospital: "A gente sabe, já de antemão, que cores como o verde e o azul são cores mais relaxantes, enquanto o amarelo, o laranja e o vermelho são mais vibrantes. Então, a dosagem dessas cores nos ambientes é sempre muito importante. Esse foi realmente um trabalho interessante desenvolvido pelo Atelier Cenográfico". 

Como o conhecimento sobre as deficiências e as qualidades da infraestrutura, sentidas na "pele", influenciam o projeto de arquitetura

Foto: Divulgação/ Ana Mello


A tradicional predominância da cor branca em hospitais, de acordo com o executivo, acontece por uma questão de assepsia, visto que a cor denuncia qualquer tipo de sujeira ou impureza. "Hoje nós temos materiais mais desenvolvidos tecnologicamente, revestimentos e tintas, que têm propriedade de repelir sujeiras e bactérias, e isso permite que você possa trabalhar com outras cores. Normalmente, cores mais pastéis pela função, justamente, de acalmar um pouco a percepção do paciente", completa.

Com o objetivo de trazer mais luz natural e permitir a manutenção mais simples da fachada do prédio, o escritório aflalo/gasperini revestiu todo o prédio com vidro serigrafado branco. Devido à preocupação do escritório com o grau de sustentabilidade dos projetos entregues, Roberto enfatiza como os feedbacks dos usuários são essenciais: "Essa resposta depois de um ano, dois, três, quatro anos de operação é importante para sabermos se de fato o prédio está performando como imaginamos e que ele foi certificado para tal. De qualquer maneira, todo retorno do pessoal de Facilities é muito importante, porque são eles que estão, de fato, operando o prédio e estão sentindo na pele as consequências das propostas, tanto de arquitetura quanto dos equipamentos de funcionamento do edifício".

Imagens do GRAACC durante as obras do projeto de ampliação

Imagens do GRAACC antes do projeto de ampliação e durante as obras

Foto: Divulgação/ Gustavo Scatena


Imagens do GRAACC antes do projeto de ampliação e durante as obras

Foto: Divulgação/ Gustavo Scatena


Imagens do GRAACC antes do projeto de ampliação e durante as obras


Foto: Divulgação/ Gustavo Scatena

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