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Gestão de riscos climáticos conecta IA e planos de contingência em imóveis corporativos e logísticos

Arch Capital aplica análise climática a 14 empreendimentos para orientar manutenção, investimentos em adaptação e medidas de continuidade operacional

Foto: Divulgação

Transformar informações climáticas em decisões sobre infraestrutura, abastecimento e segurança é o objetivo de uma iniciativa da Arch Capital em dois edifícios corporativos e 12 empreendimentos logísticos. A gestora incorporou inteligência artificial à análise de riscos do portfólio para apoiar ações preventivas e reduzir a exposição dos ativos a tempestades, enchentes e períodos prolongados de seca.

Segundo a empresa, a metodologia combina modelos climáticos globais e dados históricos locais para produzir projeções com horizonte de até 36 meses. Essas informações orientam o planejamento de adaptações e são complementadas por alertas para eventos severos e protocolos de resposta operacional.

Para os gestores de Facility e Property Management, a aplicação aproxima a análise climática das decisões cotidianas dos empreendimentos. Quando um risco é identificado, as informações são traduzidas em planos de ação elaborados com as equipes responsáveis pelos ativos, contemplando medidas imediatas e investimentos de curto, médio e longo prazo.

Do diagnóstico às medidas preventivas

Entre as ações adotadas estão o fechamento preventivo de docas diante de alertas de vendavais, reforços em coberturas e adequações nos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas. A avaliação também influencia a aquisição de terrenos e o desenvolvimento de novos empreendimentos.

“Além de ampliar a previsibilidade, a tecnologia nos permite direcionar investimentos em adaptação, otimizar planos de contingência e apoiar a tomada de decisão antes que eventos extremos comprometam a operação dos ativos”, afirma Rodrigo Calovini, diretor de Engenharia da Arch Capital.

Outra frente é a revisão das coberturas e dos limites do seguro patrimonial, buscando adequar a proteção financeira à exposição de cada empreendimento. Assim, a gestão do risco climático passa a conectar manutenção, planejamento de investimentos, contingência e seguros.

Abastecimento e fornecedores entram no plano de resposta

Um dos exemplos apresentados pela empresa está em Gravataí, no Rio Grande do Sul, em um empreendimento da Golgi, plataforma do grupo especializada em condomínios logísticos. Segundo a Arch Capital, alertas anteriores a uma tempestade severa permitiram antecipar a ativação dos planos de contingência.

Entre as medidas relatadas estão o aluguel de uma cisterna com sistema de cloração e a ampliação dos contratos de fornecimento de água e diesel. A estratégia incluiu novos fornecedores e acordos de nível de serviço, os SLAs, definidos previamente para situações de desabastecimento.

O caso evidencia que a preparação envolve tanto a estrutura física quanto a capacidade de mobilizar serviços e insumos. Ter fornecedores alternativos e condições de atendimento estabelecidas antes de uma emergência amplia as possibilidades de resposta das equipes locais.

Projeções apoiam o planejamento

A metodologia utiliza modelos físicos de previsão climática, algoritmos de aprendizado de máquina e redes neurais. Dados de modelos internacionais, como os do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o ECMWF, são integrados a registros de estações meteorológicas próximas aos ativos para ajustar as análises às condições locais.

De acordo com a gestora, o trabalho reúne profissionais de Meteorologia, Climatologia e Ciências Climáticas, além de consultoria especializada em ESG para o mercado imobiliário. A empresa informa índices de assertividade entre 60% e 70% em regiões como o Sul do Brasil, o Nordeste e parte da América do Sul.

O horizonte de até 36 meses se refere às projeções climáticas usadas no planejamento. Ele deve ser distinguido dos alertas para eventos específicos que orientam respostas imediatas, como o acionamento de protocolos diante de uma tempestade.

Resultados estimados pela gestora

A Arch Capital estima ter mitigado mais de 90% dos danos prováveis em 2025, equivalentes a mais de R$ 1,6 milhão em perdas potenciais evitadas. Segundo a empresa, o cálculo considera o valor em risco do portfólio, os eventos climáticos do período, os registros de sinistros e comparações com referências de mercado.

Para a gestão dos empreendimentos, a principal contribuição da iniciativa está na transformação das análises em medidas verificáveis: revisar vulnerabilidades, priorizar adaptações, organizar fornecedores e preparar equipes. A efetividade dessa abordagem depende de incorporar as informações climáticas à rotina de planejamento e à execução dos planos de contingência.


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