Na iluminação, o menor preço pode sair caro para a operação

Em entrevista à InfraFM, André Branjão Bernardes, CEO da Stylux, explica por que engenharia, especificação técnica, medição de resultados e análise do ciclo de vida influenciam projetos de eficiência energética na iluminação

Uma luminária de LED pode consumir menos energia do que o equipamento que substitui. Para saber se a troca foi um bom investimento, porém, é preciso olhar além da potência e do preço de compra. Quanto tempo a luminária vai durar? Ela suporta as condições do ambiente? Qual será o custo para acessá-la caso apresente uma falha? Essas perguntas, segundo André Branjão Bernardes, CEO da Stylux, ainda recebem pouca atenção em muitos projetos de iluminação.

Em conversa com a InfraFM, o executivo contou que a empresa foi criada no Brasil em 2015, quando a adoção do LED avançava, mas nem sempre vinha acompanhada de uma especificação adequada. Ele observava equipamentos destinados ao varejo sendo instalados em ambientes industriais, sujeitos a calor, poeira e longas jornadas de funcionamento.

Foi a partir dessa percepção que a Stylux passou a desenvolver soluções de iluminação orientadas às características e necessidades de cada aplicação. Segundo Bernardes, a especificação é desenvolvida no Brasil e a montagem dos equipamentos ocorre em plantas na China. O foco da empresa está em projetos de iluminação para clientes privados e para o setor público, e não na venda de luminárias de varejo.

“Quando falamos em qualidade, não é só a qualidade do produto. É qualidade, eficiência e durabilidade”, afirma. Para ele, uma diferença aparentemente pequena no preço de aquisição pode perder importância quando uma falha exige deslocar uma equipe de manutenção, acessar um ponto de difícil alcance ou interromper uma área produtiva.

Primeiro, entender o consumo

Bernardes defende que a iluminação seja analisada separadamente dos demais sistemas de uma edificação. Uma conta de energia reúne consumos de climatização, elevadores, equipamentos e outras instalações. Sem individualizar a parcela referente à iluminação, fica mais difícil estabelecer uma referência para o projeto e explicar seus resultados.

O cálculo começa pelo levantamento da quantidade e da potência dos equipamentos instalados. Em seguida, considera o tempo de funcionamento e a tarifa de energia informados pelo cliente. Com esse cenário, a empresa projeta o efeito da substituição das luminárias sobre a potência instalada.

Há, no entanto, uma distinção que o CEO considera essencial, já que reduzir a potência não significa garantir a mesma redução percentual no valor da conta. Se uma luminária de 100 watts é substituída por outra de 50 watts, a potência daquele ponto cai pela metade. O consumo efetivo dependerá também de quantas horas o equipamento permanecer ligado, enquanto o gasto em reais será afetado pela tarifa. “Garantimos a eficiência dos nossos equipamentos, a gestão do uso é do cliente”, explica Bernardes. Para quem administra edifícios, essa diferença ajuda a definir responsabilidades e a acompanhar o projeto sem confundir desempenho do equipamento com hábitos de operação.

A contratação também entra na conta

Além da especificação técnica, a empresa estruturou um modelo de locação dos equipamentos. A ideia é permitir que organizações modernizem a iluminação sem concentrar todo o desembolso no início do projeto. Na avaliação de Bernardes, a decisão entre comprar e alugar depende da disponibilidade de capital e das prioridades do negócio.

O modelo também pode acelerar a modernização de operações com muitas unidades. Em vez de substituir a iluminação de cada local conforme surja orçamento, o cliente pode planejar um projeto mais amplo e distribuir seu custo ao longo do tempo.

Bernardes afirma que a Stylux já implantou mais de 870 projetos. A experiência no mercado privado, conta ele, abriu caminho para contratos de iluminação pública e para a participação em parcerias público-privadas. Nos dois mercados, sua avaliação é semelhante, onde a escolha do equipamento deve considerar o custo durante sua vida útil, e não apenas o investimento inicial.

Medir o antes e o depois

Para que a economia projetada possa ser acompanhada, o trabalho precisa começar com um diagnóstico. Bernardes mostrou à InfraFM um relatório de projeto que reúne o levantamento dos equipamentos existentes num determinado shopping, a proposta de substituição, as fichas técnicas das novas luminárias e um plano para medir o desempenho antes e depois da instalação.

Esse registro tem valor, pois permite que a equipe de Facilities saiba o que foi instalado em cada área, consulte as características dos equipamentos e acompanhe o resultado obtido. Também fornece informações para justificar o investimento e apoiar futuros ciclos de manutenção ou modernização. Neste caso, o relatório apontou redução de 71% na potência destinada à iluminação, acompanhada de aumento do fluxo luminoso. O exemplo mostra por que a análise não deve se limitar à pergunta “quanto consome?”, o novo sistema também precisa entregar a iluminação necessária para o espaço, em atendimento às normas e legislação vigentes. Em projetos de maior escala, a documentação pode apoiar o acompanhamento de indicadores ambientais, como a redução do consumo de energia e das emissões de CO₂ associadas à operação.

O que observar antes de escolher

Ao falar dos erros mais frequentes na contratação, Bernardes aponta a falta de conhecimento sobre o desempenho das luminárias e as exigências de cada ambiente. Um produto adequado para uso residencial, por exemplo, não deve ser avaliado pelos mesmos critérios de um equipamento instalado em uma indústria ou em uma via pública.

Na iluminação pública, ele destaca a eficácia luminosa, medida em lúmens por watt, pois quanto maior o fluxo luminoso produzido por unidade de energia, maior pode ser a oportunidade de reduzir a potência instalada, desde que o projeto atenda aos requisitos técnicos de iluminação. Ele também chama atenção para a durabilidade. Em contratos longos, manutenções recorrentes para substituir equipamentos podem alterar de forma significativa o custo da operação.

Para o gestor de Facilities, a recomendação é aplicar esse raciocínio desde o início. Primeiro levantar o sistema existente, definir as condições de uso, comparar o desempenho e a vida útil das soluções propostas e estabelecer como o resultado será medido. A escolha do menor preço pode parecer vantajosa no momento da compra. O custo real da iluminação aparece ao longo dos anos em que ela precisa funcionar.


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