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Os novos bunkers da era da IA

Campinas e Barueri tendem a se consolidar como importantes polo de data centers

Os novos bunkers da era da IA

Foto: Canva.com/4x-image

As macroáreas de Campinas e Barueri tendem a se consolidar como importantes polos de data centers, na avaliação da Binswanger Brazil. Juntas, Campinas, Sumaré, Paulínia, Hortolândia, Barueri, Santana de Parnaíba e Osasco possuem o total de 30 data centers, com capacidade instalada de 302 MW, segundo levantamento da Binswanger. Futuramente, estima a consultoria, o patamar será de 487 MW.

A Ascenty – operadora líder do segmento na América Latina – possui 11 empreendimentos na região de Campinas, no total de 167 MW, e está desenvolvendo outros quatro, sendo um em Hortolândia, com capacidade de 30 MW, e três em Sumaré, que somam 57 MW. Na região, a empresa conta com a possibilidade de integração com subestações de energia e com disponibilidade de mão de obra qualificada. A Scala Data Centers, outra empresa do segmento, tem atuação principal na região de Barueri.

A pesquisa da Binswanger aponta área total de 617,54 mil metros quadrados, incluindo  projetos em operação e desenvolvimento. O número de empreendimentos chega a 86 – 62 já construídos, 14 em obras, 7 em projeto e 3 planejados.

O levantamento da Binswanger não incluiu data centers integrados às estruturas das próprias empresas, locais que permitem locação de espaços para equipamentos, projetos mantidos por grandes provedores de serviços em nuvem ou construídos a partir de módulos pré-fabricados.

O mercado para data centers tem atraído recursos de desenvolvedoras e investidores interessados em apostar em projetos sob medida para empresas do segmento, diante da demanda crescente por empreendimentos com infraestrutura tecnológica e energética suficientes para dar conta de uma economia cada vez mais digitalizada e de processamento de dados de internet 5G, serviços de computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e streamings.

Mas os prazos mais longos para a obtenção das licenças de projetos – há etapas adicionais referentes a segurança e infraestrutura energética – e os custos superiores de construção e operação em relação aos de galpões tradicionais por conta das especificidades de temperatura, segurança, conectividade e outros requisitos técnicos exigidas por operadores de data centers funcionam como barreira de entrada no segmento, restringindo o número de concorrentes na oferta de empreendimentos para locação.

O projeto de expansão de data center de projeto da Elea Data Center, em São Bernardo do Campo, por exemplo, prevê aumento da capacidade de 5 MW para 100 MW, tem investimentos estimados em R$ 5 bilhões, patamar muito superior ao de galpões tradicionais.

No ranking das empresas de tecnologia com mais data centers prontos, estão Ascenty, Scala, Elea, Equinix, Odata, Cirion, NextStream, IDX Data Centers & IT Services, Lumen, Surfix Cloud & Data Center, conforme a Binswanger. Lideram a lista de empresas com projetos em construção Scala, Ascenty, Equinix, Tecto Data Centers/V.tal e Quântico.

A gestora de ativos imobiliários Alianza e o fundo soberano GIC fazem parte de quem aposta em galpões para o segmento. Juntos, vão investir R$ 2 bilhões em data centers, no Brasil, por meio de joint venture, com  um fundo direcionado para compra de empreendimentos para sale and lease back e para build to suit. No fim de abril, o GIC Realty adquiriu imóvel, no Rio de Janeiro, onde funciona um dos data centers da Scala.

O governo federal prepara legislação de incentivos tributários à instalação de data centers, no Brasil, nos próximos dez anos, que podem resultar em investimentos potenciais de R$ 2 trilhões, incluindo compra de equipamentos, construção dos projetos e consumo de energia. A Medida Provisória deve ser enviada, em breve, pelo governo ao Congresso Nacional.

O Brasil representa metade do mercado da América Latina projetado para 2029, segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Atualmente, além das regiões de Campinas e Barueri, no Estado de São Paulo, há hubs em desenvolvimento no Rio Grande do Sul, no Ceará e na Zona da Mata de Minas Gerais. Nem toda região é compatível com empreendimentos de data centers, pois há necessidade de grande consumo de energia pelos servidores e para manter a temperatura refrigerada conforme a necessidade de cada cliente.


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