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O que a certificação energética de um grande hospital revela sobre gestão predial no Brasil?

A experiência de uma operação hospitalar de alta complexidade ajuda a entender como a energia deixou de ser apenas custo e passou a integrar decisões estratégicas da gestão predial

Por Redação

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Foto: Canva.com/Shutjane


​A discussão sobre descarbonização deixou de ser exclusiva do setor privado. Grandes ativos públicos, com operações intensivas em energia e alto grau de complexidade técnica, começam a aparecer como exemplos concretos de como a gestão predial pode avançar em práticas alinhadas às metas climáticas globais.

Um desses casos vem do sul do país. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre, um dos maiores hospitais universitários do Brasil, passou a operar com energia elétrica integralmente proveniente de fontes renováveis, iniciativa que resultou na certificação internacional I-REC de todo o seu consumo energético anual.

Na prática, isso significa que 32.824 MWh consumidos pela unidade tiveram sua origem comprovadamente renovável. O volume corresponde às emissões de escopo 2 do inventário de gases de efeito estufa, segundo o GHG Protocol, que trata das emissões indiretas associadas à compra de energia elétrica.

Energia renovável como decisão de gestão, não apenas selo ambiental

A certificação foi emitida pela Comerc, empresa do grupo Vibra, especializada em soluções de energia e descarbonização. É a primeira vez que um hospital público brasileiro recebe certificados internacionais de energia renovável nesse modelo.

Mais do que um marco institucional, o caso chama atenção por um ponto relevante para gestores de facilities, property e operações prediais. Trata-se de uma estrutura pública, com orçamento controlado, operação crítica e consumo energético elevado, que conseguiu integrar a rastreabilidade da energia à sua estratégia operacional.

A Comerc é homologada pelo Instituto Totum, responsável pela gestão do sistema voluntário de certificação de energia renovável no Brasil desde 2011, e opera com uma Mesa de Carbono própria para negociação e emissão dos certificados I-REC.

Segundo Clarissa Sadock, CEO da Comerc, a certificação vai além do reconhecimento ambiental. “O I-REC demonstra o compromisso das organizações com a sustentabilidade e contribui para o ganho de competitividade, ao permitir a neutralização das emissões de escopo 2, uma parte relevante dos inventários de carbono, dos relatórios de sustentabilidade e das metas de descarbonização. Além disso, é um instrumento aceito internacionalmente e plenamente rastreável”, afirma.

Para o setor de gestão predial, o caso indica uma mudança de patamar. A energia deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ocupar um papel estratégico na governança dos ativos, influenciando decisões relacionadas a eficiência, conformidade regulatória, transparência de dados e posicionamento institucional.

O cenário aponta que práticas antes restritas a grandes corporações privadas começam a ganhar espaço também em ambientes públicos e altamente complexos. Para gestores responsáveis por hospitais, shoppings, edifícios corporativos ou instalações industriais, o exemplo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre sinaliza que a descarbonização, quando tratada como parte da gestão, tende a deixar de ser exceção e passar a integrar o dia a dia das operações prediais.


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