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ESG deixa de ser discurso e vira operação em manutenção, facilities e gestão de ativos

Este foi o tema do Field Summit 2025, realizado no InnovaBra no último 31/10

Por Léa Lobo

ESG deixa de ser discurso e vira operação em manutenção, facilities e gestão de ativos

Foto: Divulgação


​​Tecnologia é meio. Propósito é direção. Com essa mistura de pragmatismo e impacto, a 4ª edição do Field Summit, conduzida pelo diretor comercial Raphael Bernardes, reuniu líderes de manutenção e facilities no InnovaBra, em 31 de outubro, para discutir ESG na prática . O evento mostrou, com exemplos concretos, que ESG só se sustenta quando está integrado à cultura, aos processos e às decisões do dia a dia. E, principalmente, quando transforma vidas.

ESG que começa pelas pessoas

Na palestra de Anna Beatriz Rossi, coordenadora de Pesquisa & Conceito no Bradesco, ESG não é sigla é consequência. Arquiteta, há 17 anos na instituição, ela descobriu dentro do banco um propósito capaz de mudar trajetórias. O grande símbolo disso: a Fundação Bradesco, que mantém 40 escolas em regiões vulneráveis do país, incluindo um internato no Tocantins. Para Anna, esse é o “S” que não cabe em relatório: educação que transforma destinos.

No eixo ambiental, a instituição se posiciona como uma das primeiras grandes empresas do mundo a operar com 100% de energia renovável, por meio de usinas solares próprias, mercado livre de energia e certificados. Projetos de mobilidade elétrica avançam com micro-ônibus e carregadores espalhados pela rede.

O case de dois prédios corporativos tiveram redução superior a 50% no consumo de água usando telemetria, eliminação de vazamentos e arejadores. Tecnologia + mudança de comportamento, com tecnologia da W-Energy. Já nas agências, o novo padrão de arquitetura (Padrão 5000) rompe com a lógica de demolição total. Agora, 35% do mobiliário, piso e iluminação é reaproveitado, diminuindo resíduos, prazo de obra e custo. Toda a rede opera com iluminação 100% LED e madeira certificada.

Mas o salto operacional está no backoffice: com a digitalização da manutenção pela plataforma Field, foram eliminadas mais de 100 milhões de folhas de papel, o equivalente a 12 mil árvores preservadas, além de reduzir em 90% o tempo de atendimento de chamados.

Quando ouviu de um gestor “não preciso disso”, Anna Beatriz respirou fundo e insistiu. A mensagem é direta: mudança exige persistência. “ESG começa dentro de casa, com pessoas que acreditam e processos que eliminam desperdício.”

Tecnologia que leva dignidade com história
 

Se ESG tem emoção, ela apareceu na fala de Valdir de Luca, especialista em eficiência hídrica da W-Energy. A empresa já atuou em mais de 400 cidades com redução média de 38% no consumo de água em edifícios, e nunca menos de 23%, mesmo em prédios certificados. Mas o que mais impressiona não é o número, e sim o propósito.

Valdir compartilhou a trajetória do fundador, Wagner Carvalho, que saiu de uma infância marcada por fome, violência e abandono. Encontrou apoio inesperado, um tetracampeão de Muay Thai que o treinou sem cobrar nada. Isso virou a filosofia da empresa: pessoas transformam pessoas.

A W-Energy não se limita a medição inteligente ou telemetria. Ela instala voluntariamente, por exemplo, energia solar em aldeias indígenas na Amazônia, usando baterias do mesmo tipo de carros Tesla e placas fotovoltaicas de alta performance. Com isso, uma criança consegue usar um nebulizador em crise respiratória. Um professor consegue carregar um notebook. Um idoso tem acesso a mobilidade elétrica. E ainda perfuram poços artesianos com purificação de água, combatendo doenças em regiões onde o acesso à água potável ainda é um privilégio.

Valdir provocou o público com dados chocantes: produzir 1 quilo de manteiga exige 18 mil litros de água. O problema não é escassez, é desperdício. “Não dá para salvar o planeta inteiro. Mas dá para fazer algo — hoje.”

ESG invisível que gera valor através de dados

Se tecnologia traz impacto, dados trazem governança. Foi o recado de Rodrigo Barbosa, gestor de ativos imobiliários da Hines, uma das maiores empresas globais de real estate. Rodrigo foi direto: sem dados confiáveis, reunião vira opinião. Com dados, vira estratégia.

A virada ocorreu em 2022, quando a Hines substituiu uma plataforma internacional por uma solução integrada, padronizando rotinas em todos os ativos e conectando mais de 100 fornecedores. Hoje, tudo é rastreável: ordens de serviço, fotos, vídeos e histórico de manutenção. Resultado?

•    A pontuação no GRESB (benchmark global de ESG) saltou de 49 para 78.
•    A empresa evitou perda de R$ 60 mil numa única devolução de imóvel graças à documentação detalhada.
•    Um portfólio foi vendido por R$ 1,1 bilhão, com 97% de ocupação sustentada por dossiês técnicos.
“Dado bom não é muito dado. É dado certo. Rápido. Auditável.”

Plataforma viva, feita para resolver operação

Encerrando as apresentações, Eduardo Luiz Santos, diretor da Field, mostrou uma plataforma em evolução constante, sustentada por mais de 2.600 melhorias só neste ano.

Os destaques:

1.    Controle de Territórios — reduz deslocamentos e ruídos de atendimento fora de área.
2.    Central de Treinamento — trilhas personalizadas reduzem dependência do gestor.
3.    Base de Conhecimento com IA — resposta imediata para técnicos no smartphone.
4.    Controle de Garantias — fim da caça à nota fiscal e de cobranças indevidas.
5.    Integração nativa com Power BI — dados consolidados para decisão em tempo real.

E ainda anunciou o Flux Control, novo produto para organizar processos antes e depois da OS, substituindo e-mails e planilhas por workflows visuais.

O veredito do público

Na pesquisa final, conduzida por Léa Lobo, a maioria dos participantes presentes votou estar “em desenvolvimento” na adoção de dados e tecnologia para Facilities. Ou seja, no nível de 01 a 05, a maturidade ainda está em nível 2. Usam sistemas, mas ainda sofrem com falta de integração. Um sinal claro de para onde o setor está indo.

No Field Summit, ESG deixou de ser slide e virou ação: água economizada, papel eliminado, energia renovável, processos digitalizados, gente transformada. Tecnologia acelera. Dados estruturam. Mas é o propósito que dá sentido. E, como resumiu uma das falas mais fortes do dia: “Não precisamos mudar o mundo inteiro. Basta começar pela nossa parte.”


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