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Por que aprender se tornou a nova vantagem competitiva?

Maurício Escobar provoca o setor de FM a repensar o papel da educação corporativa no mundo dos negócios

Por Léa Lobo

Por que aprender se tornou a nova vantagem competitiva?

Foto: InfraFM


Imagine um mundo onde cada empresa, independentemente do segmento, se reconhece como uma organização educadora. Onde o aprendizado constante não é um benefício — mas uma necessidade estratégica. Foi exatamente essa a provocação trazida por Maurício Escobar, diretor da Ânima Educação, durante sua impactante palestra no RL Conecta 2025, evento que reuniu profissionais de diversos setores para discutir o futuro da gestão de ambientes escolares, corporativos e de saúde.

Com a autoridade de quem cofundou uma das maiores organizações educacionais do Brasil, Escobar não poupou reflexões: “Todos os negócios são, também, negócios de educação. Ou deveriam ser.” Sua tese central é clara e urgente: num mundo onde a tecnologia dobra de capacidade a cada 18 meses, o que realmente diferencia empresas é sua capacidade de aprender — e, mais do que isso, de reaprender.

Escobar traçou uma linha do tempo provocadora sobre a evolução da educação, desde os tempos de Sócrates até os desafios contemporâneos da aprendizagem em rede. Em sua visão, a figura do mestre centralizador de conhecimento deu lugar ao educador facilitador — e o mesmo vale para a liderança nas empresas. “Não é mais sobre dar ordens, é sobre dar sentido. O líder do século XXI é um líder educador”, afirmou, destacando que o papel do gestor é criar contextos de aprendizado contínuo e fomentar ambientes de confiança e experimentação.

Ao trazer cases como o da FujiFilm, que se reinventou após o colapso da fotografia analógica, Escobar destacou como a aprendizagem organizacional pode ser a diferença entre desaparecer e prosperar. “Não foi a Kodak que sumiu. Foi a Kodak que não aprendeu”, disparou. Em contrapartida, empresas como Salesforce, OpenAI e a própria Ânima, que colocam a educação no centro de suas estratégias, colhem os frutos de ecossistemas mais ágeis, inovadores e resilientes.

A analogia da aprendizagem como “musculação diária” arrancou risos e reflexões do público. “Não adianta fazer um MBA a cada cinco anos e achar que está tudo certo. Aprender hoje é sobre doses pequenas, diárias, contínuas. É dieta de informação, é treino constante.” Escobar incentivou o uso de ferramentas formais e informais, desde cursos rápidos e redes de mentoria até conversas de corredor e grupos de WhatsApp que geram trocas reais de conhecimento.

A mensagem foi especialmente relevante para a audiência, composta por líderes que atuam nos bastidores de escolas, hospitais, indústrias e escritórios. Em um setor historicamente pautado pela execução técnica e excelência operacional, Escobar trouxe uma mudança de paradigma: “Não basta mais saber limpar, manter ou controlar. É preciso entender, contextualizar, adaptar — e isso exige um time que aprende o tempo todo.”

Na reta final da palestra, uma frase clássica de Alvin Toffler serviu como síntese poderosa: “O analfabeto do século XXI não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.” Com esse convite à ação, Escobar encerrou sua fala conclamando os presentes a assumirem seu papel como líderes educadores. Porque no fim das contas, como ele mesmo provocou: “Se toda interação é uma oportunidade de aprendizagem, o que você vai ensinar hoje?”


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