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A maior deficiência do mercado de energia livre

Especialista em cibersegurança aponta problemas críticos.

Por Mateus Murozaki

A maior deficiência do mercado de energia livre

Em 2021, um dos maiores gasodutos nos Estados Unidos, a Colonial Pipeline sofreu o que é considerado um dos maiores ataques de ransomware da história, interrompendo suas operações por cinco dias, o que causou um déficit de combustível na Costa Leste do país.

O que esse episódio evidenciou é a falta de segurança no mercado de energia. Nesse sentido, a descentralização causa um problema adicional: quanto mais empresas surgirem, mais alvos disponíveis no mercado.

É uma questão que deveria estar em primeiro plano não só no mercado de energia, mas em qualquer companhia. Apesar disso, não é incomum que ataques ocorram sem nenhum tipo de resistência devido à falta de proteção adequada.

“Sabemos que não necessariamente o investimento em tecnologia significa investimento em segurança, já que a transformação digital costuma ser mais rápida do que a proteção das fazendas eólicas ou solares e essa diferença pode gerar riscos e exposições”, explica Rafael Narezzi, fundador da Cyber Energia, startup europeia voltada para cibersegurança no mercado de energia limpa.

De acordo com o profissional, a segurança acaba sendo ignorada e delegada a um pensamento secundário, o que pode custar muito mais posteriormente. Ele exemplifica apontando como um campo eólico tem dezenas de hélices que podem facilmente ser invadidas, causando problemas sérios não apenas por não poder prover energia para os clientes, como também pelo fato de que, em diversos casos, se trata de um sequestro das unidades.

Isso, em sua opinião, vem de uma questão de aprendizado não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, de que prevenir é uma aposta e não segurança. É comum esperar o problema aparecer para resolvê-lo, ao invés de impedir que ocorra.

A diferença na velocidade da evolução tecnológica em comparação à das instalações de energia limpa acaba por fazer com que os sistemas de segurança dessas fiquem obsoletos rapidamente. Os esforços estão sendo feitos tanto no Brasil quanto no resto do mundo, mas ainda são relativamente lentos, além de custosos.

Cibersegurança na Europa e no Brasil: quais as diferenças?

Em 2022, foi implementada a regulamentação em cibersegurança NIS2, que deu 24 meses para que os países da União Europeia aumentassem o nível de proteção contra ciberataques. Setores dentro da regulamentação são o de saúde, telecomunicações, bancário e, obviamente, energia.

De acordo com Narezzi, o Brasil já caminha para uma regulamentação similar com as leis de proteção de dados, por exemplo, mas é preciso fazer algo que cubra todo o setor de infraestruturas críticas, não apenas o de energia. Apesar disso, ele comenta que o nosso país não está tão atrás dos outros países (em geral, com muito a melhorar) e que a maior dificuldade não está em criar legislações, mas sim em aplicá-las.

Com o mercado de energia alternativa expandindo cada vez mais, a questão de cibersegurança se torna cada vez mais patente e, infelizmente, ignorada. Por conta disso, ao pretender fazer a migração, é essencial checar se o fornecedor está devidamente protegido.


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