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Grandes escritórios de advocacia aderem à tendência do modelo híbrido de trabalho

Considerado bastante tradicional, setor tem se destacado entre as empresas que migraram definitivamente para o modelo híbrido em 2022

A adoção do trabalho híbrido por diferentes setores da economia vem mostrando a consolidação do modelo no Brasil. Aproveitando tendências que já vinham despontando internacionalmente antes mesmo de 2020, e com o empurrão definitivo da experiência adquirida ao longo da pandemia, um segmento específico vem se destacando entre as empresas que implementaram o híbrido: os escritórios de advocacia, tradicionalmente considerados um setor bastante conservador.

A Deskbee, plataforma de gestão do workplace especializada no modelo híbrido, já tem quase 10% de seus cerca de 400 clientes no segmento de advocacia. "Esse movimento começou no final de 2021, e se intensificou ao longo de 2022", conta Flahane Roza, Head de Marketing da empresa. "O segundo semestre começou com muitos leads de escritórios de advocacia interessados na plataforma."

Segundo a Deskbee, a maior resistência quanto à adoção do modelo híbrido, no início, era em relação a impactos na produtividade e a mudanças nas práticas de gestão, dúvidas fomentadas pela inexperiência em relação ao modelo e pela falta de ferramentas tecnológicas que facilitassem o processo. "Muitos escritórios ainda tinham uma gestão muito focada na presença dos colaboradores, em vez de nas entregas ou na produtividade", relata Mário Verdi, CEO da startup. "Algumas das empresas que entraram em contato conosco organizaram grupos-piloto e pesquisas junto aos funcionários naquele primeiro momento de home office, imposto e improvisado em função do estouro da pandemia; e descobriram que a maioria dos trabalhadores aprovava a maior flexibilidade de horários, e inclusive se sentia mais produtivo."

Ao longo dos meses de pandemia, porém, outra demanda surgiu: apesar de apreciarem a autonomia conquistada ao trabalhar de casa, os profissionais sentiam falta de certos aspectos do trabalho presencial, como a interação direta com os colegas. Assim, o modelo híbrido foi aos poucos ganhando espaço, com os escritórios sendo repensados como ferramentas sociais e espaços para conexão com a cultura das empresas.

O Tozzini Freire Advogados, fundado em 1976, adotou oficialmente o híbrido em março deste ano. "Para nós, o remoto e o presencial se complementam: o trabalho remoto incrementa a qualidade de vida, enquanto o presencial potencializa as interações entre os colaboradores e com nossos clientes, o que é essencial para nossa atividade-fim", comenta Eliana Chagas Ponzio, Diretora de Recursos Humanos da companhia. "Temos uma cultura de inovação: nossos espaços físicos são abertos há mais de 15 anos, por exemplo. Formalizamos as regras associadas ao trabalho híbrido e conseguimos fazer a adaptação sem maiores problemas."

Escritórios reformulados

Como aconteceu em outros setores da economia, os espaços físicos das empresas de advocacia foram reformulados, passando a priorizar salas de reunião e áreas adequadas a atividades colaborativas. Em algumas companhias, a ideia de ter estações de trabalho rotativas causou hesitação em um primeiro momento, já que escritórios tradicionais de advocacia costumam ter relações muito claras de hierarquia. Gradualmente, porém - principalmente com o crescimento de algumas empresas ao longo da pandemia, em volume de trabalho e número de colaboradores -, se popularizou o entendimento de que o escritório é agora um ponto de apoio às rotinas dos funcionários, quase um coworking. Afinal, sem a necessidade de manter uma estação de trabalho exclusiva para cada trabalhador, a ampliação dos espaços físicos deixa de ser imperativa.

"Não adotamos o modelo com o objetivo de reduzir despesas, mas sim pela convicção de que era o mais adequado", diz Vidal Salem Zebulum, Diretor de Tecnologia do escritório Tozzini Freire. "Mas, como efeito colateral, postergamos a necessidade de aumento do espaço físico." O maior número de funcionários compartilhando as mesmas estações de trabalho levou os escritórios a adotarem a plataforma Deskbee, que possibilita o gerenciamento de reservas de mesas, salas de reunião e mesmo vagas de estacionamento nas empresas. Personalizável, a ferramenta reproduz no computador ou no celular a planta do espaço físico das companhias, permitindo que cada profissional reserve exatamente o espaço de trabalho necessário.

Foi o caso também do escritório de advocacia Manesco. "A liderança acha importante que o grupo jurídico frequente o escritório pelo menos semanalmente, já que as advocacias executam atividades que exigem contato direto com clientes e profissionais que atuam em cada caso", explica Bruno dos Santos Silva, Supervisor de TI da empresa. "Aumentamos o time desde o início da implementação do novo modelo, mas sem aumentar a quantidade de posições de trabalho; por isso houve a necessidade de contratar um sistema de controle de posições."

Vantagens do híbrido

Segundo Flahane Roza, Head de Marketing da Deskbee, os escritórios de advocacia que adotaram o modelo híbrido nos últimos anos conseguiram se destacar no segmento por aplicar uma nova dinâmica de trabalho. "Oferecendo mais flexibilidade e qualidade de vida aos trabalhadores, as empresas atraem talentos de diversas localidades, sem a preocupação da presença diária no escritório", ela aponta.

Os desafios na adoção do modelo são muitos - desde a necessidade de romper barreiras culturais em um segmento tradicional até a implementação de novas ferramentas de comunicação e engajamento, passando pelo esforço para garantir que o funcionário tenha condições ideais de trabalho em casa ou no escritório. Mas o crescimento do número de escritórios de advocacia entre as empresas que migraram para o trabalho híbrido mostra que, na percepção de colaboradores, gestores e proprietários, as vantagens compensam - e vão bem além da economia.

Foto: Divulgação



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