ABREE destina 230 mil toneladas de eletroeletrônicos e reforça desafio da logística reversa nas operações corporativas

Balanço de 2021 a 2025 mostra avanço na coleta e no tratamento ambientalmente adequado de equipamentos no Brasil

Por Léa Lobo

ABREE destina 230 mil toneladas de eletroeletrônicos e reforça desafio da logística reversa nas operações corporativas

Foto: Divulgação ABREE


A ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos – informou ter garantido, entre 2021 e 2025, a coleta e o tratamento ambientalmente adequados de 230.576 toneladas de resíduos eletroeletrônicos, eletrodomésticos e componentes em todo o país. Criada em 2011, a ABREE atua como entidade gestora sem fins lucrativos na estruturação do sistema coletivo de logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos no Brasil. Em 2026, a associação completa 15 anos de atuação.

O volume, equivalente ao peso de mais de 200 estátuas do Cristo Redentor, dimensiona a relevância operacional da logística reversa em uma economia cada vez mais dependente de equipamentos, infraestrutura tecnológica, automação predial, climatização, segurança eletrônica, mobiliário técnico e dispositivos conectados.

Para profissionais do nosso setor, o tema vai além do descarte correto. Trata-se de uma agenda ligada à gestão do ciclo de vida dos ativos, à conformidade ambiental, à redução de riscos e ao fortalecimento de práticas ESG no ambiente construído.

Atualmente, a entidade mantém mais de 7 mil pontos de recebimento, distribuídos em pelo menos 1,5 mil municípios brasileiros. A rede permite ampliar o acesso ao descarte correto de equipamentos após o uso, um dos principais desafios para a consolidação da economia circular no setor. O resultado também reforça o cumprimento do Decreto Federal nº 10.240/2020, que regulamenta a destinação ambientalmente adequada de produtos eletroeletrônicos e seus componentes após o fim da vida útil, em alinhamento com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.


Rastreabilidade e conformidade ganham peso na gestão de ativos

A rastreabilidade é um dos pontos críticos da logística reversa. Em ambientes corporativos, condomínios comerciais, plantas industriais, hospitais, shopping centers, data centers e edifícios de uso misto, o descarte inadequado de equipamentos pode gerar riscos ambientais, reputacionais, regulatórios e até de segurança da informação.

Equipamentos como computadores, monitores, nobreaks, sistemas de CFTV, sensores, luminárias, eletrodomésticos corporativos, equipamentos de climatização e componentes eletrônicos fazem parte da rotina operacional dos empreendimentos. Quando substituídos, precisam ter destino compatível com a legislação e com as políticas internas de sustentabilidade.

Nesse contexto, a logística reversa se conecta diretamente à gestão predial e à governança de Facilities. O controle do inventário, a documentação da baixa patrimonial, a segregação adequada dos materiais, a escolha de fornecedores habilitados e a comprovação da destinação final passam a compor uma cadeia de responsabilidade que deve ser acompanhada pelo gestor.


Adesão das empresas ainda é desafio

ABREE destina 230 mil toneladas de eletroeletrônicos e reforça desafio da logística reversa nas operações corporativas

Robon Esteves, presidente da ABREE


Apesar dos avanços, a ABREE aponta que uma parte significativa das empresas ainda permanece fora do sistema de logística reversa, mesmo diante de obrigação legal. Para a entidade, ampliar a adesão das corporações é essencial tanto do ponto de vista regulatório quanto como demonstração de responsabilidade ambiental perante consumidores, clientes e investidores.

A declaração reforça um ponto sensível para o mercado, de que a transição para modelos mais circulares depende da articulação entre indústria, comércio, poder público, consumidores e usuários corporativos. Nas operações prediais, isso exige políticas mais claras para compra, manutenção, substituição e descarte de ativos eletroeletrônicos.

Para Robon Esteves, presidente da ABREE, os resultados demonstram que a logística reversa avança de forma consistente quando há integração entre os diferentes elos da cadeia. Segundo ele, o papel da entidade é apoiar as empresas no cumprimento da legislação e contribuir para o aprimoramento contínuo da gestão desses resíduos no Brasil.


Educação ambiental complementa a operação

Além da estrutura logística, a ABREE informa que tem investido em ações de educação ambiental e mobilização social. A entidade realiza campanhas itinerantes de conscientização em diferentes regiões do país, com foco no descarte correto de eletroeletrônicos.

A associação também mantém a plataforma ABREE Pra Educação, com materiais educativos, videoaulas e conteúdos técnicos voltados à conscientização sobre logística reversa. Para o ambiente corporativo, esse tipo de iniciativa pode apoiar programas internos de sustentabilidade, campanhas de engajamento de ocupantes, ações de descarte responsável em edifícios comerciais e projetos de ESG voltados à redução de impactos ambientais.

Para o gestor de Facilities, o avanço da logística reversa de eletroeletrônicos traz implicações práticas para a operação diária dos edifícios e para a gestão estratégica da infraestrutura.

A primeira delas é a necessidade de tratar resíduos eletroeletrônicos como parte da gestão de ativos. O descarte não deve ser uma ação isolada ao fim da vida útil do equipamento, mas uma etapa planejada desde a aquisição, considerando manutenção, substituição, rastreabilidade e destinação final.

A segunda é a conformidade legal. Em um cenário de maior pressão regulatória e de cobrança por práticas ESG, empresas e administradores prediais precisam comprovar que equipamentos descartados tiveram tratamento ambientalmente adequado. A destinação correta de eletroeletrônicos contribui para ambientes mais seguros, sustentáveis e eficientes, reduzindo riscos operacionais e ambientais no ciclo de vida do ambiente construído.

Também há impactos diretos sobre eficiência operacional. Uma política estruturada de descarte permite liberar áreas de armazenamento, reduzir passivos, evitar acúmulo de materiais obsoletos, melhorar controles patrimoniais e fortalecer a governança sobre fornecedores de coleta, transporte e reciclagem. Em edifícios corporativos, data centers e operações críticas, o tema ainda se relaciona à continuidade operacional e à segurança da informação, especialmente quando envolve equipamentos com componentes eletrônicos, mídias, placas e dispositivos que possam conter dados ou integrar sistemas sensíveis.


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