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Fretado, carro elétrico e dados: a nova conta do transporte corporativo

Relatórios sobre mobilidade, emissões e veículos elétricos indicam que empresas passam a olhar deslocamento de colaboradores como tema de custo, segurança, inclusão, ESG e experiência

Por Redação


Foto: https://depositphotos.com/br/photo/587937716


O transporte corporativo deixou de ser apenas uma decisão sobre linhas de fretado, número de veículos ou escolha de fornecedor. A conta ficou mais ampla. Hoje, deslocamento envolve tempo perdido no trajeto, custo por usuário, pontualidade, segurança, ocupação dos veículos, emissões, inclusão e percepção do colaborador sobre a ida ao trabalho.

O GHG Protocol Scope 3: Category 7 Employee Commuting classifica o deslocamento de colaboradores entre casa e trabalho como fonte de emissões de Escopo 3 quando os veículos não pertencem diretamente à empresa. O documento também apresenta métodos para calcular emissões de diferentes modais de transporte.

Esse enquadramento ajuda a explicar por que mobilidade corporativa passou a se aproximar das agendas de RH, facilities, frota, compras, ESG e experiência do colaborador. O trajeto diário pode impactar custo, emissões, satisfação, presença no escritório e previsibilidade operacional.

Do fretado fixo à malha flexível
Durante muito tempo, o fretado foi a principal resposta corporativa para deslocamentos em polos industriais, centros administrativos, hospitais, universidades, condomínios empresariais e operações afastadas dos grandes eixos de transporte público.

O relatório Corporate Mobility Transport Challenge, do Fórum Econômico Mundial, mostra que programas corporativos de mobilidade podem combinar diferentes soluções, como fretado, caronas organizadas, bicicleta elétrica compartilhada, aplicativos de roteirização e integração com transporte público.

Essa leitura sugere que o transporte corporativo tende a depender menos de um único modal. Empresas podem combinar fretado para rotas de maior volume, caronas corporativas para trajetos dispersos, micromobilidade para deslocamentos curtos e veículos elétricos para frotas internas ou trajetos recorrentes.

Dados passam a orientar rota, custo e qualidade
Ferramentas de roteirização, telemetria e aplicativos de mobilidade permitem acompanhar indicadores antes pouco visíveis. Pontualidade, ocupação, tempo médio de viagem, custo por passageiro, emissão por trajeto, aderência às rotas e satisfação dos usuários podem ser monitorados de forma mais contínua.

O relatório do Fórum Econômico Mundial sobre mobilidade corporativa aponta que a gestão de deslocamentos depende de coordenação entre empresas, operadores de transporte, tecnologia e políticas internas. Essa leitura pode indicar maior espaço para contratos baseados em desempenho, nos quais fornecedores são avaliados por indicadores de resultado.

Na prática, isso pode alterar a contratação. Em vez de olhar apenas quilometragem, frota ou número de veículos, empresas podem pactuar metas de pontualidade, ocupação mínima, redução de emissões, segurança, experiência do usuário e previsibilidade de atendimento.

ESG entra pelo deslocamento diário
O deslocamento dos colaboradores aparece no GHG Protocol como Categoria 7 do Escopo 3, o que inclui emissões associadas ao transporte entre residência e local de trabalho. Esse ponto pode tornar a mobilidade corporativa mais relevante para empresas que fazem inventários de emissões ou assumem metas climáticas.

O relatório Global EV Outlook 2026, da Agência Internacional de Energia, projeta que a frota global de veículos elétricos pode crescer mais de seis vezes até 2035 em relação a 2025, chegando a até 510 milhões de veículos, sem contar modelos elétricos de duas ou três rodas.

Esse dado não significa que toda frota corporativa será eletrificada rapidamente, mas indica que veículos elétricos tendem a ganhar espaço nas estratégias de mobilidade. Para empresas, a decisão envolve custo total de propriedade, infraestrutura de recarga, disponibilidade de modelos, perfil das rotas e origem da energia utilizada.

Carro autônomo ainda é horizonte, não substituição imediata
Veículos autônomos aparecem com frequência nas discussões sobre futuro da mobilidade, mas estudos recentes indicam adoção gradual, especialmente em rotas controladas, frotas compartilhadas e serviços urbanos específicos. O levantamento The future of the autonomous vehicles industry, da McKinsey, aponta que executivos do setor veem prazos mais longos de adoção e custos de desenvolvimento mais altos para veículos autônomos.

Já a análise Getting on board with shared autonomous mobility, também da McKinsey, indica que frotas autônomas compartilhadas tendem a ser mais associadas a veículos elétricos e podem reduzir emissões por passageiro em comparação com veículos individuais a diesel.

Para o transporte corporativo, essa leitura sugere que o carro autônomo deve ser tratado como horizonte de planejamento, não como substituição imediata do fretado. A preparação pode começar por dados, rotas padronizadas, governança de segurança, integração com usuários e pilotos em menor escala.

Mobilidade também pesa na experiência do colaborador
O transporte corporativo impacta a experiência antes mesmo de o colaborador chegar ao escritório, fábrica, hospital ou centro logístico. Tempo de deslocamento, insegurança no trajeto, baixa previsibilidade, rotas pouco acessíveis e falta de comunicação com usuários podem afetar percepção de cuidado, pontualidade e disposição para o trabalho presencial.

O Microsoft Work Trend Index mostra que a ida ao escritório passou a ser mais questionada quando envolve perda de tempo, baixa previsibilidade e pouca clareza de propósito.

Essa leitura pode aproximar mobilidade corporativa das áreas de RH e facilities. Quando a empresa espera presença física em determinados dias, turnos ou unidades, o deslocamento passa a fazer parte da experiência oferecida ao colaborador.

O que medir antes de mudar o modelo
Os relatórios analisados sugerem que decisões sobre mobilidade corporativa dependem de dados consistentes. Antes de substituir, reduzir ou ampliar rotas, pode ser necessário entender origem e destino dos colaboradores, taxa de ocupação por linha, horário de pico, custo por usuário, emissões estimadas, satisfação, absenteísmo ligado a deslocamento e aderência ao modelo de trabalho.

Essa lógica também vale para pilotos. Projetos de carona corporativa, fretado dinâmico, veículos elétricos, micromobilidade ou rotas autônomas futuras tendem a exigir critérios prévios de avaliação. Pontualidade, segurança, custo, emissões, adesão, inclusão e experiência podem funcionar como indicadores de continuidade ou expansão.

Sem governança de dados, a mobilidade corre o risco de virar apenas troca de fornecedor ou adição de tecnologia. Com dados, pode se tornar instrumento de eficiência operacional, ESG e experiência.

Congresso InfraFM discutirá o tema
O assunto será aprofundado na palestra O futuro do transporte corporativo circula do fretado ao carro autônomo, no Congresso InfraFM 2026. A sessão contará com Gustavo Gracitelli, Chief Experience Officer, CXO, na Deskbee, e Eduardo Bortotti, executivo de Frota, Facilities, Mobilidade e Mobilidade Elétrica no Grupo Ecar. A proposta é discutir modelos de transporte corporativo que combinam fretado, caronas, micromobilidade, veículos elétricos e, futuramente, soluções autônomas, com foco em conforto, segurança, custo, ESG, governança de dados e experiência dos usuários.

Como construímos este material
Esta matéria foi desenvolvida com base nos relatórios GHG Protocol Scope 3: Category 7 Employee Commuting, do GHG Protocol, Corporate Mobility Transport Challenge, do Fórum Econômico Mundial, Global EV Outlook 2026, da Agência Internacional de Energia, The future of the autonomous vehicles industry e Getting on board with shared autonomous mobility, da McKinsey, além do Microsoft Work Trend Index. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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