Construção de hospital é concluída em 33 dias

Módulos foram fabricados e montados nos estados de Santa Catarina e Paraná e levados por caminhões até São Paulo


Com a necessidade de atender a população da comunidade de M`boi Mirim, em São Paulo, por conta do avanço da Covid-19, as empresas Tecverde e Brasil ao Cubo foram desafiadas a projetar e construir um hospital permanente com 100 leitos em menos de 40 dias - tempo recorde para uma obra hospitalar. A instituição, que foi inaugurada no final de abril e é administrada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, será doada para a comunidade após o fim da pandemia.

O projeto, que funciona como um anexo ao Hospital Municipal M'boi Mirim - Dr. Moysés Deutsch, foi pioneiro não apenas pela complexidade e agilidade, mas principalmente pelos processos e tecnologia aplicados na produção.

A Tecverde tem desde sua inauguração, há 11 anos, a tecnologia como DNA. Seu propósito é criar processos de industrialização para a construção civil. Para isso, desde 2015 tem usado o software Autodesk Revit para criação e produção de sistemas modulares. Hoje esse processo está muito mais sofisticado. A Tecverde chega a "descontruir" projetos elétricos e hidráulicos a fim de levantar dados detalhados de componentes para que o orçamento da obra seja feito com precisão e evite-se o desperdício.

Quando a Brasil ao Cubo, construtech (startup de construção) que tem como missão acelerar a construção em entregas de curto prazo, foi convidada para esse projeto, ela avaliou que a Tecverde seria o melhor parceiro para atender às expectativas de cronograma com qualidade, devido à expertise no uso da tecnologia ágil e melhor aproveitamento de materiais.

Com esse espírito de parceria, as empresas uniram a tecnologia da estrutura modular da Brasil ao Cubo com as informações dos sistemas elaborados pela Tecverde.

"Seria humanamente impossível executar uma obra tão complexa e em tempo tão limitado sem o uso da metodologia BIM (Building Information Modeling)", afirma Pedro Moreira, diretor técnico da Tecverde. Segundo Moreira, o uso do Revit para modelar as disciplinas de arquitetura e instalações, já adotado em outras obras executadas pela empresa, facilitou muito a integração de informações e a conexão de dados com o ERP. "Sem isso seria impossível lidar com o fluxo de informações que a obra demandava", conclui.

Na prática, a obra acontecia simultaneamente em 4 frentes (estrutura, paredes, montagem e campo), com 100 pessoas envolvidas. Os módulos foram fabricados e montados nos estados de Santa Catarina e Paraná e levados por caminhões até São Paulo. A estrutura é toda feita em aço.

"Poucas empresas estão olhando para o futuro da construção como a Tecverde. A pré-fabricação aponta para os temas da sustentabilidade e da união de manufatura e construção, apoiadas no BIM. Só com essa visão de aplicação de tecnologia uma obra dessas é possível neste prazo", afirma Ricardo Bianca, especialista técnico sênior da Autodesk Brasil.

Além do Hospital Albert Einstein, estão envolvidas no projeto a Ambev e a Gerdau, que financiaram a obra, e a prefeitura de São Paulo.

Foto: Divulgação

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