Gestão condominial para esses novos tempos

Um estudo sobre facilities management no Condomínio Parque Avenida diante da Covid-19 e os desafios pós crise

​Começarei este texto com uma frase de Ilya Prigogine que diz que "as crises são um efeito da não-linearidade. Quanto mais complexa for uma sociedade, mais importantes são os efeitos não-lineares, mais numerosos os pontos de bifurcações". De uma forma bastante simplificada, pode-se dizer que não estamos mais no mundo linear (previsível), tal como o concebemos e chegamos até aqui, o que não resta dúvida, teve seus méritos, mas a um custo que só agora começamos a perceber.

No mundo dos negócios, faz-se necessário conceber sua complexidade numa teia de relacionamentos que envolve principalmente pessoas, num contexto mais amplo de produtividade e tecnologia. Isso traduz de forma simplificada o ambiente de uma organização. No caso dos empreendimentos comerciais ou condomínios comerciais de grande porte, tem-se um ambiente de várias organizações, o que significa uma complexidade muito maior. Tradicionalmente, esses ambientes são divididos em áreas comuns e privativas, cabendo a área de Facilities gerenciar somente as áreas comuns.

Focarei minha narrativa no Condomínio Parque Avenida, complexo multiuso localizado na Avenida Raja Gabaglia, 2000, em Belo Horizonte, composto de 668 salas e 40 lojas, 1.900 vagas de garagem. Possui certificação ambiental AQUA-HQE nas fases de concepção, projeto, construção e operação. No eixo gestão sustentável (operação) é o único empreendimento do Brasil e da América Latina a ter essa certificação. Atualmente atingimos o nível máximo da certificação: 16 estrelas e nível excepcional.

No que tange a área comum trabalhamos em parcerias com 12 fornecedores diretos de serviços, ou seja, empresas que estão com suas equipes alocadas no condomínio, tais como: manutenção, automação, paisagismo, limpeza e conservação, segurança patrimonial, tecnologia, dentre outras. Isso totaliza 55 pessoas no ambiente diariamente, com exceção de sábados, domingos e feriados quando o número de colaboradores é reduzido.

Analisemos o ambiente condominial face à crise do novo coronavirus. Mas antes gostaria de fazer uma observação sobre a maneira como se trabalha no Parque Avenida. A equipe do empreendimento é composta por cinco pessoas que gerenciam outras cinquentas e cinco (terceirizados). Na equipe, tem-se um gerente predial, um supervisor de operações, uma assistente administrativa, uma auxiliar administrativa e uma analista ambiental. Esse grupo uma vez por semana (todas as segundas-feiras) se reúne por uma hora para discutir modelos de gestão, tendências tecnológicas e cenários em ambientes complexos. Não vou aprofundar essa questão, apenas para pontuar.

Toda a nossa forma de gestão é com base nos processos e ferramentas para gerenciá-los, isso nos possibilita ter uma gestão mais eficiente com o emprego de outra ferramenta: o SLA (Acordo a Nível de Serviços). Atualmente estamos testando a tecnologia IoT para as manutenções preditivas. Como o empreendimento é sustentável, tudo o que foi mencionado nos possibilita trabalhar com um custo de operação relativamente baixo, ou seja, procuramos aplicar a Lei de Moore.

Quando vem uma crise como a que estamos vivendo atualmente, não temos muito impacto em nossa operação. Vamos esclarecer isso, fazendo um resumo da gestão sem entrar muito em detalhes. Em 2018 congelamos a taxa de condomínio; em 2019 reduzimos em 11% a taxa de condomínio; em 2020 mantivemos a taxa e reduzimos em mais 30% a taxa de condominial para os meses de maio, junho e julho para ajudar os condôminos a passar por esse período que será muito crítico, por várias razões, mais principalmente, por que na esfera governamental não há um alinhamento entre ciência, política e saúde.

Neste período de crise os custos de energia e água reduzem significativamente devido ao menor fluxo de pessoas no condomínio. Mas os serviços das empresas terceirizadas continuam, só que, em escala, sem reduzir o número de funcionários. É importante salientar que todas essas medidas só foram possíveis devido à forma como se gere o empreendimento. Neste contexto, é relevante mencionar as competências do Profissional de Facilities Management segundo a entidade americana IFMA (International Facility Management Association), sem nenhum julgamento de valor e hierarquia entre as mesmas.

1. Comunicação;

2. Plano de Emergência e Continuidade do Negócio;

3. Sustentabilidade e Responsabilidade Social;

4. Negócio e Finanças;

5. Fatores Humanos;

6. Planejamento Estratégico e Liderança;

7. Manutenção e Operação;

8. Gerenciamento de Projetos;

9. Qualidade;

10. Gestão Imobiliária e Gestão de Propriedade;

11. Tecnologia.

Chamo a atenção para o fato de que essas competências devem ser usadas em momentos como este, são elas que farão toda a diferença, ou seja, não se faz gestão sem conhecimento.

Outro aspecto fundamental nesse período de crise é a comunicação, que tem que ser bastante assertiva, para que todos os condôminos a compreendam e passem a agir de acordo com as instruções, por e-mail, aplicativo uCondo, avisos nos elevadores e recepção.

Mas acreditamos que o maior desafio será o pós crise, pois o mundo em que vivemos não será mais o mesmo. É difícil prever, mesmo para os futuristas. Mas alguns sinais são claros, como, por exemplo, o trabalho à distância, o ensino à distância, a consolidação do varejo online. Provavelmente teremos um ambiente mais tecnológico, o que afetará os espaços físicos, aumentando a vacância em alguns setores, mas aumentando em outros. É urgente pensarmos sobre isso. Aqui no Parque Avenida nossa equipe está estudando exatamente essas mudanças e de que maneira contribuir com iniciativas que melhorem o ambiente de negócio.

Albélio Dias é Mestre em Administração de Empresas, pós-graduação em Matemática e Educação Tecnológica, e graduado em Matemática. Professor de programas em MBA de várias Instituições de Ensino Superior em Belo Horizonte. Cursos abertos na HSM University, estudante de futurismo na W Future School, membro fundador da REFAC (Rede de Profissionais de Facilities), Síndico Profissional e Diretor-executivo da AgereSíndico e AgereFacilities

Foto: Divulgação

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea