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O maior projeto de eficiência hídrica já registrado no setor financeiro

Iniciativa liderada por Ediane Ferreira Barbosa no Bradesco implanta gestão hídrica em milhares de unidades com monitoramento remoto, tecnologias economizadoras e modelo de remuneração por performance, buscando redução do consumo e mudança cultural.

Por Pedro Denadai e Léa Lobo


O maior projeto de eficiência hídrica já registrado no setor financeiro

Da esquerda para a direira: Wagner Carvalho, Ediane Barbosa, Daniel Ciola e Anna Beatriz Rossi. Foto: Divulgação


Uma em cada quatro pessoas no mundo ainda não tem acesso à água potável. Em um planeta cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos, a gestão da água tornou-se um dos grandes desafios estratégicos do século XXI.

O tema, que por muito tempo parecia distante de um país que abriga uma das maiores reservas hídricas do planeta, passou a ocupar espaço central nas estratégias das organizações brasileiras.

O Brasil concentra cerca de 11% de toda a água doce disponível no mundo. Ainda assim, em um cenário de emergência climática e de eventos extremos cada vez mais frequentes, a crise hídrica voltou a ocupar espaço central nas estratégias das organizações.

Nesse contexto, o papel dos profissionais de facilities também evoluiu. Hoje, a gestão eficiente de recursos naturais deixou de ser apenas uma iniciativa voltada à redução de custos operacionais; tornou-se um elemento estratégico para garantir continuidade operacional, resiliência e sustentabilidade corporativa.

Foi a partir dessa perspectiva que convidamos o especialista em eficiência hídrica Wagner Cunha Carvalho para indicar gestores de facilities que vêm se destacando na gestão responsável da água em grandes organizações.

O que não imaginávamos era que o maior programa de eficiência hídrica já estruturado no setor financeiro brasileiro já estava em andamento e vinha sendo liderado por uma profissional brasileira.

A protagonista dessa iniciativa é Ediane Ferreira Barbosa, engenheira civil e integrante do departamento de ecoeficiência da área de FM do Bradesco.

Da universidade ao maior programa hídrico do setor financeiro
Natural de Minas Gerais, Ediane formou-se em Engenharia Civil e, ainda durante a graduação, desenvolveu forte interesse por temas ligados à sustentabilidade e à gestão ambiental.

Segundo ela, a inquietação com a forma como a sociedade se relaciona com os recursos naturais vem desde a infância. Durante a faculdade, essa preocupação se transformou em propósito profissional, e dois objetivos passaram a guiar sua trajetória: trabalhar em uma grande organização e desenvolver projetos que fossem além do discurso, com iniciativas capazes de gerar impacto ambiental real.

A oportunidade surgiu no Bradesco, onde passou a atuar no departamento de ecoeficiência da área de FM. Foi ali que a engenheira percebeu a possibilidade de transformar uma ideia acadêmica em um projeto de grande escala.

Transformando uma ideia em estratégia corporativa
Ciente da complexidade do desafio, Ediane iniciou um trabalho estruturado de levantamento de dados, estudos de viabilidade, análise de cases e identificação de oportunidades econômicas e ambientais.

Com as informações consolidadas, apresentou a proposta à equipe do departamento, que apoiou a iniciativa e incentivou sua apresentação às lideranças da área.

O desafio era significativo. A estrutura do banco envolve milhares de edificações, entre agências, centros administrativos e complexos corporativos.

Para que o projeto fosse viável, seria necessário desenvolver um modelo capaz de integrar o monitoramento do consumo de água em larga escala, o uso de tecnologias economizadoras eficientes, segurança cibernética compatível com o ambiente bancário, além de treinamento e engajamento de colaboradores e um plano robusto de manutenção e acompanhamento de resultados. “Era a fome com a vontade de comer”, relembra Ediane ao descrever o apoio recebido da liderança para avançar nas pesquisas e testes.


Mapeando tecnologias e parceiros estratégicos
A etapa seguinte envolveu um amplo levantamento das soluções disponíveis no mercado. Foram realizadas dezenas de reuniões com fornecedores, análise de projetos implantados em outras organizações e conversas com gestores de facilities que já haviam conduzido iniciativas semelhantes.

O objetivo era separar boas apresentações comerciais de soluções realmente comprovadas em campo. Segundo Ediane, essa fase foi fundamental para estruturar as premissas do projeto.

Entre as principais preocupações estavam sistemas confiáveis de monitoramento remoto de consumo, tecnologias economizadoras que não comprometessem a experiência dos usuários, integração com os protocolos de cibersegurança do banco, estratégias de comunicação e engajamento interno e um plano consistente de manutenção que garantisse a permanência dos resultados.

“Se tem um lugar que sabe fazer conta, esse lugar é um banco”, brinca a engenheira ao recordar o rigor das análises de viabilidade.

A prova de conceito
Com o desenho do projeto estruturado, chegou o momento de testar as soluções em campo.

A equipe decidiu realizar uma prova de conceito em duas unidades com características distintas, uma grande agência bancária e um prédio corporativo moderno e automatizado. A lógica era simples: se o projeto apresentasse bons resultados nesses dois cenários, haveria forte indicativo de viabilidade para expansão em larga escala.

Instalações muito antigas poderiam distorcer os resultados por problemas estruturais, enquanto edificações modernas permitiriam avaliar com maior precisão a eficiência das tecnologias em ambientes mais controlados.

Resultados acima das expectativas
Os resultados surpreenderam. Nas duas unidades piloto, os sistemas implantados pela W-Energy registraram economia superior a 40% no consumo de água.

Além dos ganhos técnicos, a campanha de conscientização e as palestras realizadas durante o projeto tiveram forte impacto interno.

“A equipe se emocionou e abraçou a causa. Foi ali que percebi que o projeto estava ganhando musculatura”, afirma Ediane.

Escala nacional
Com os resultados consolidados, a liderança do banco aprovou a expansão do programa. O departamento de suprimentos conduziu o processo de contratação, e a W-Energy foi escolhida para executar a implementação em larga escala.

A primeira fase terá início na Cidade de Deus, sede administrativa do Bradesco, e será expandida para os 20 principais edifícios da organização e para mais de 2.700 agências bancárias em todo o país.

Na prática, trata-se de uma das maiores operações de gestão hídrica já implementadas dentro de uma única organização no mundo.

O projeto prevê a identificação e correção de vazamentos, a instalação de tecnologias economizadoras em pontos de consumo, o monitoramento remoto contínuo, a análise digital de dados para identificação de desvios e a atuação rápida das equipes de manutenção.

O banco também contará com um sistema digital personalizado de gestão hídrica que funcionará como um painel de controle operacional. A plataforma permitirá identificar variações de consumo em tempo real, acelerar a resposta a problemas e ampliar a precisão na identificação de oportunidades de economia.

Uma transformação cultural
Mais do que um projeto de engenharia, a iniciativa busca promover uma transformação cultural na forma como a organização utiliza e valoriza a água.

Quando concluído, o programa deverá se tornar uma das maiores iniciativas de eficiência hídrica já implementadas no setor financeiro. E tudo começou com uma inquietação acadêmica, uma ideia bem estruturada e a coragem de levá-la adiante dentro de uma das maiores instituições financeiras do mundo.

Viabilizando o projeto
Para tornar a iniciativa viável em larga escala, o banco adotou um modelo de contratação cada vez mais utilizado em projetos de eficiência de recursos: a remuneração por performance.

Nesse formato, todo o investimento necessário para implantação do programa é realizado pela empresa parceira, neste caso a W-Energy, responsável pela implementação das tecnologias, gestão do sistema e acompanhamento contínuo dos resultados.

Na prática, o modelo elimina o risco financeiro para o banco e acelera a tomada de decisões ao longo do projeto, uma vez que não exige alocação prévia de orçamento. O pagamento pelos serviços está diretamente vinculado à economia gerada. Em outras palavras: sem resultado não há custo.

A fornecedora escolhida utilizará sua experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas de atuação em projetos de eficiência hídrica, implantando tecnologias desenvolvidas e importadas de 21 países, um verdadeiro arsenal sustentável para identificar e capturar o potencial máximo de economia em cada edificação.

Para o Bradesco, a lógica é simples. Como não há investimento inicial, os resultados começam a aparecer imediatamente. A expectativa é de ganho real já nas primeiras economias, percebidas na primeira fatura de água após a implantação das soluções. O modelo cria um cenário de ganhos compartilhados.

O meio ambiente se beneficia com a redução do consumo de água, as organizações ampliam sua eficiência operacional, novos empregos são gerados na cadeia de implementação do projeto e a iniciativa contribui diretamente para o cumprimento das metas ambientais assumidas pelo banco.

Como empresa listada em bolsa e integrante de importantes índices internacionais de sustentabilidade, como o Dow Jones Sustainability Index, o Bradesco mantém compromissos públicos relacionados à redução de impactos ambientais e à gestão responsável de recursos naturais. Projetos estruturantes como esse reforçam o alinhamento entre estratégia de negócios, eficiência operacional e agenda ESG.

Carreira em Facilities Management
Para Ediane, o projeto também marcou um ponto importante em sua trajetória profissional. Após a apresentação dos primeiros resultados da prova de conceito, a engenheira foi reconhecida com uma promoção dentro da organização.

Ela reconhece que assumir a liderança de uma iniciativa desse porte envolvia riscos e só foi possível graças ao empenho e ao apoio de seus colegas de área, que fizeram total diferença.

“Eu sabia da responsabilidade. Água é um tema extremamente sensível, principalmente quando falamos de uma estrutura do tamanho de um banco. Se o projeto não entregasse resultados ou gerasse falhas, a exposição seria grande”, afirma.

O reconhecimento veio de forma inesperada. “Fiquei muito feliz por ter sido reconhecida. Quando o projeto começou a dar certo e fui promovida, sinceramente não esperava. Foi uma surpresa enorme”, conta.

Agora, com o início da fase de expansão do programa, a engenheira afirma estar ainda mais motivada.

O desafio, afinal, apenas começou. Implementar uma estratégia de eficiência hídrica em milhares de edificações espalhadas pelo país exige coordenação técnica, gestão de dados, engajamento de equipes e disciplina operacional. São características que vêm transformando os profissionais de facilities em protagonistas cada vez mais relevantes dentro das grandes organizações.

Neste caso, também em protagonistas de uma agenda que ultrapassa os limites da gestão predial e se conecta diretamente à preservação de um dos recursos mais valiosos do planeta.

Em um mundo cada vez mais pressionado pela escassez hídrica, iniciativas como essa mostram que a gestão da água deixou de ser apenas uma questão ambiental. Tornou-se, definitivamente, uma questão estratégica.


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