Como a climatização virou risco financeiro, legal e sanitário para empresas

PMOC obrigatório, alta pressão sobre consumo de energia e qualidade do ar colocam sistemas antigos de ar condicionado no radar da gestão de riscos

Por Redação

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O ar condicionado costuma entrar na agenda das empresas quando falha, quando a conta de energia sobe ou quando a fiscalização aparece. O problema é que, nesse intervalo, a climatização já pode estar afetando três dimensões críticas da operação: custo, conformidade legal e saúde das pessoas.

A discussão deixou de ser apenas técnica. Em edifícios corporativos, comerciais, educacionais, hospitalares e de grande circulação, sistemas de climatização antigos ou mal mantidos passaram a representar um passivo operacional. Eles consomem mais energia, falham com maior frequência e podem comprometer a qualidade do ar interno.

Climatização pesa no consumo e exige gestão mais precisa
A Empresa de Pesquisa Energética aponta que edificações, incluindo residências, comércio e edifícios públicos, respondem por parcela expressiva do consumo de eletricidade no Brasil. Dentro desse universo, a climatização aparece como um dos principais usos finais de energia, especialmente em prédios comerciais e de serviços.

Essa pressão tende a crescer com ondas de calor mais frequentes, maior exigência de conforto térmico e uso prolongado dos equipamentos. A consequência prática é direta: sistemas antigos deixam de ser apenas um problema de manutenção e passam a impactar o orçamento operacional.

Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, especialista em climatização e CEO do Grupo RETEC, resume o ponto: “Sistemas obsoletos consomem mais energia, apresentam maior índice de falhas e ainda expõem a empresa a problemas legais quando não atendem às exigências do PMOC”.

PMOC não é recomendação, é obrigação legal
No Brasil, a Lei nº 13.589, de 2018 determina que todos os edifícios de uso público e coletivo com ambientes climatizados artificialmente devem dispor de Plano de Manutenção, Operação e Controle, o PMOC, dos respectivos sistemas de climatização.

A lei estabelece que o plano deve buscar a eliminação ou minimização de riscos potenciais à saúde dos ocupantes. Isso muda a natureza da climatização dentro da empresa. A manutenção deixa de ser apenas uma decisão de custo e passa a ser requisito de conformidade.

A ABRAVA também destaca que a legislação reforçou a aplicação de normas técnicas e referências sanitárias associadas à manutenção de sistemas de ar condicionado, ampliando a atenção sobre responsabilidades de proprietários, administradores e operadores.

“A climatização passou a ser uma questão de conformidade. Não se trata apenas de conforto, mas de cumprir normas que impactam diretamente a operação, a saúde das pessoas e a reputação da empresa”, afirma Galletti.

O custo de manter equipamentos antigos aparece em várias frentes
A conta de energia é o efeito mais visível, mas não o único. Equipamentos antigos tendem a exigir mais esforço para entregar a mesma condição térmica. Também costumam demandar mais manutenção corretiva, geram maior risco de parada e reduzem a previsibilidade da operação.

Em edifícios corporativos, essa instabilidade afeta áreas de facilities, manutenção, compras e gestão de contratos. Um sistema que falha em dias de calor intenso pode comprometer atendimento, produtividade, experiência do usuário e continuidade da operação.

“Empresas acabam pagando mais caro ao insistirem em sistemas antigos. O gasto com energia, manutenção corretiva e paradas inesperadas supera o investimento em modernização”, afirma Galletti.

A modernização, porém, precisa ser tratada com critério. Promessas genéricas de economia elevada devem ser analisadas caso a caso. Referências técnicas da ASHRAE mostram que projetos de eficiência energética em edifícios comerciais podem alcançar reduções relevantes de consumo quando combinam boas práticas de projeto, operação, controle e desempenho do sistema. Na prática, o ganho depende do estado inicial do ativo, da tecnologia adotada, do padrão de uso e da qualidade da manutenção.

Qualidade do ar interno entrou na agenda de saúde
A climatização também tem impacto sanitário. Sistemas sem manutenção adequada podem acumular poeira, umidade, fungos e outros contaminantes. Em ambientes de uso coletivo, essa condição pode agravar desconfortos respiratórios e ampliar a percepção de risco entre ocupantes.

A Organização Mundial da Saúde estima que a poluição do ar esteja associada a cerca de 7 milhões de mortes prematuras por ano no mundo. Esse dado se refere à poluição do ar em sentido amplo, incluindo fontes externas e domésticas, mas reforça a relevância da qualidade do ar como tema de saúde pública.

Em ambientes corporativos, o debate ganha uma camada adicional. Estudos da Harvard T.H. Chan School of Public Health indicam que a qualidade do ar em escritórios pode afetar funções cognitivas, tempo de resposta e capacidade de foco. O estudo COGfx, publicado em Environmental Health Perspectives, associou níveis de ventilação, dióxido de carbono e compostos orgânicos voláteis ao desempenho cognitivo de trabalhadores em ambiente controlado.

Isso amplia a leitura sobre climatização. Temperatura, renovação de ar, filtragem e manutenção deixam de ser variáveis de conforto e passam a compor uma agenda de saúde, desempenho e governança operacional.

Como construímos este material
Esta matéria foi desenvolvida com base na Lei nº 13.589, de 2018, em materiais técnicos da Empresa de Pesquisa Energética, referências da ABRAVA e estudos da Harvard T.H. Chan School of Public Health.Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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