Por Léa Lobo

Com 63 anos de história, a Califórnia Serviços reúne uma trajetória singular no setor de facilities e terceirização. Fundada em 1963, a empresa nasceu de forma artesanal, dentro da Galeria Califórnia, no centro de São Paulo, quando o trabalho era executado pelos próprios fundadores durante a madrugada, em uma época em que os edifícios comerciais não permitiam equipes operacionais durante o expediente. Décadas depois, a companhia segue ativa, preservando sua origem familiar, mas vivendo uma fase de reorganização estrutural que combina tradição, governança e reposicionamento estratégico para crescer no mercado privado.
Hoje, sob a liderança da matriarca Amélia Cunha Oliveira, das filhaas Luciana e Renata Oliveira e de uma nova estrutura executiva formada pelo CEO Rodrigo Zanardi e pela executiva comercial Lídia Moraes, a Califórnia busca fortalecer sua atuação em três frentes principais, indústria e galpões logísticos, saúde e corporativo. A meta é consolidar a transição definitiva do setor público para o privado, ampliar a presença no Sul e Sudeste e sustentar o crescimento com mais inteligência operacional, tecnologia, indicadores confiáveis e proximidade real com o cliente.
Uma empresa que cresceu aprendendo dentro da operação
Parte importante da identidade da Califórnia foi construída no contato direto com a operação. As lideranças da família passaram por diferentes áreas do negócio, aprenderam os processos desde cedo e absorveram uma cultura marcada por organização, documentação, disciplina e olhar de dono. Antes mesmo da formalização de práticas modernas de gestão, a empresa já operava com procedimentos padronizados e uma lógica administrativa consistente, o que ajudou a sustentar sua longevidade em um segmento historicamente pressionado por margens estreitas, alta rotatividade e forte sensibilidade a preço.
Essa base, porém, não eliminou a necessidade de evolução. Ao contrário, a própria maturidade da companhia revelou a importância de modernizar estruturas e preparar a organização para um novo ciclo de crescimento. “A chegada da nova liderança executiva representa justamente esse movimento de fortalecimento da empresa sem perder a cultura construída ao longo de décadas”, resume Amélia Cunha de Oliveira.
O setor evolui quando o serviço é analisado de forma mais ampla
Se há um ponto em que a conversa com as lideranças da Califórnia ganha relevância para além da história da empresa, é na visão sobre os avanços necessários para o mercado. Na avaliação da companhia, o setor de facilities tem espaço para evoluir ainda mais quando os contratos passam a ser estruturados com foco em desempenho, eficiência, qualidade e valor entregue.
“Em limpeza, por exemplo, mais do que observar presença ou composição fixa de equipes, é importante considerar disponibilidade de /áreas limpas, padrão de higienização, desinfecção, produtividade e experiência do usuário”, afirma Rodrigo. Para a Califórnia, esse olhar mais abrangente contribui para contratos mais equilibrados e para resultados mais consistentes ao longo do tempo.
Inovação pede modelos de contratação mais aderentes à realidade
Outro ponto levantado pelas lideranças é a importância de alinhar expectativa e modelo de contratação. Hoje, muitos clientes buscam tecnologia, produtividade, inteligência operacional e personalização, mas nem sempre os processos de concorrência acompanham essa transformação na mesma velocidade.
“Quanto mais o processo valoriza conhecimento técnico, desenho de solução e aderência à realidade do cliente, maiores são as chances de se construir uma operação mais eficiente, sustentável e inovadora”, pontua Renata. Na visão da empresa, esse movimento fortalece o papel estratégico do prestador e cria um ambiente mais propício para soluções que realmente agreguem valor.
Continuidade operacional exige visão compartilhada
A Califórnia também chama atenção para um tema que atravessa todo o setor, que são os desafios relacionados à gestão de mão de obra operacional. Dificuldades de retenção, aumento da rotatividade e necessidade de maior estabilidade nas equipes fazem parte de uma realidade ampla do mercado.
Para a empresa, enfrentar esse cenário exige uma visão compartilhada entre contratantes e prestadores, com modelos que favoreçam continuidade, previsibilidade e qualidade do serviço. “Mais do que discutir custo imediato, o setor precisa ampliar a conversa sobre eficiência de longo prazo, permanência das equipes e solidez operacional”, observa Amélia.
Personalização e proximidade seguem como diferencial competitivo
Em contraste com grandes grupos, cuja escala muitas vezes dificulta o atendimento de contratos menores ou médios com a devida atenção, a Califórnia aposta justamente na proximidade como ativo estratégico. “Existe espaço relevante no mercado para empresas capazes de oferecer atendimento personalizado, leitura sensível da operação e capacidade real de adaptação às particularidades de cada cliente”, diz Amélia.
Segundo ela, essa percepção se apoia na própria base da empresa, que mantém contratos de longa duração, alguns com 39, 21, 16 e 14 anos, e entende que longevidade comercial não se constrói apenas com competitividade, mas também com confiança, permanência, capacidade técnica e resposta rápida às dores do cliente.
Dados e tecnologia como suporte à gestão
Outro aprendizado acumulado pela empresa ao longo de sua trajetória é que o setor ainda pode avançar muito em informação estruturada. Para um mercado grande, pulverizado e intensivo em operação, isso representa uma oportunidade importante de evolução.
“O futuro passa por mensuração concreta da ponta, com indicadores confiáveis sobre execução, produtividade, qualidade e desempenho operacional. Não se trata apenas de digitalizar processos, mas de transformar dados em gestão efetiva. Nesse contexto, a tecnologia deve servir para comprovar entrega, sustentar decisões e qualificar a conversa com o cliente”, destaca Lidia Moraes.
O futuro da terceirização passa por relações mais maduras
Essa talvez seja a principal mensagem deixada pela liderança e que depois de atravessar mudanças societárias, transformações de mercado, pandemia, reestruturação empresarial e uma desafiadora migração do público para o privado, a empresa sustenta a convicção de que a terceirização em facilities tende a avançar de forma mais consistente quando contratantes e prestadores constroem relações pautadas por valor, clareza e objetivos comuns.
Por fim, a trajetória da Califórnia reforça que longevidade no setor não nasce do improviso, mas de consistência, adaptação e capacidade de evoluir junto com as demandas do mercado”, conclui o CEO Rodrigo Zanardi.