Será que falta só mão de obra? Ou será que falta gente que cuida de gente?

Uma gestão que vai muito além da manutenção, ela começa com empatia e respeito a equipe dos bastidores

Thiago Queiroz Agostinho

Quem vê um hospital funcionando perfeitamente talvez não imagine o esforço coordenado — quase invisível — que acontece por trás das paredes. E quem enxerga apenas os equipamentos, pode não perceber as pessoas que operam silenciosamente para que tudo esteja no lugar. Thiago Queiroz Agostinho, gerente de engenharia e obras do Hospital Moriah, é um desses profissionais que se recusa a ser invisível — e, mais que isso, que faz questão de enxergar cada membro da sua equipe como gente. E gente que importa.

“Eu sei o nome de todos, sei onde moram, sei quanto tempo demoram para chegar aqui. E mais: eu tomo café com eles.” Essa frase, que poderia parecer apenas um gesto de proximidade, na verdade revela o alicerce de uma filosofia de gestão que vai na contramão da frieza muitas vezes associada à engenharia hospitalar. Para Thiago, liderar uma equipe é, antes de tudo, cuidar de pessoas.

Com mais de 50 funcionários sob sua responsabilidade, Thiago acompanha de perto as rotinas, faz avaliações trimestrais com feedbacks individuais e aposta em uma gestão empática que derruba hierarquias desnecessárias sem abrir mão da disciplina. “Engenharia é muito mais que cálculo. É também humanas. É ouvir, é entender, é saber que aquele pedreiro — que talvez nem saiba escrever o próprio nome — é um artesão que domina a colocação de mármores caríssimos com a precisão de um escultor.”

Será que falta só mão de obra? O será que falta gente que cuida de gente!

Foto: InfraFM


O resultado? Uma equipe estável, comprometida, que não troca o Moriah por nenhuma outra oportunidade. O turnover da equipe gira em torno de apenas 5% — um número quase inacreditável no setor. “As pessoas não querem ir embora. E, se a empresa muda, elas querem continuar comigo. Isso não é sobre salário. É sobre respeito.”

A gestão de Thiago é humana nos detalhes. Ele mesmo preenche fichas de admissão de funcionários que não sabem escrever. Ele conversa olho no olho, promove treinamentos humanizados e ensina seus supervisores a liderarem com gentileza. “Tem gente que esquece que liderança é um espelho. Se você grita, seu time grita. Se você cuida, seu time cuida.”

Além disso, a engenharia que ele lidera é estratégica: responde por 15 contratos, toca pequenas obras, moderniza instalações, participa de auditorias de qualidade e ainda colabora com o time de obras da expansão do hospital. Tudo isso com planejamento, zelo e uma visão clara: “No hospital, nada é aleatório. Cada temperatura, cada fluxo de ar, cada piso, tudo é pensado. E o nosso time precisa ser afinado, como uma orquestra.”

Entre histórias tocantes que envolvem colaboradores em situação de vulnerabilidade, ex-funcionários que pediram para voltar e aprendizes que se tornaram mestres, Thiago vai tecendo uma rede de apoio que transforma a infraestrutura hospitalar em algo que pulsa: “Aqui ninguém é invisível. E é por isso que a engenharia funciona.”

Na sua operação de facilities, você conhece o nome de quem limpa o banheiro ou troca o filtro do ar-condicionado? Se a resposta for não, talvez esteja na hora de repensar o que significa, de fato, cuidar de gente.


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