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Quais são os benefícios de investir no "S" de ESG?

Confira impacto de programas voltados ao social na cultura da empresa.

Por Natalia Gonçalves

Quais são os benefícios de investir no "S" de ESG?

Foto: Divulgação


Não existe empresa sem pessoas. Então, como é possível desvincular o corporativo de questões que tangem a humanidade? Para Cássia Almeida, especialista em responsabilidade social, ESG, diversidade e inclusão, não existe lado humanitário e lado corporativo, pois os conhecimentos de vida se cruzam, ou melhor, se fortalecem. Isto é, não é possível ignorar a fome de uma criança em situação de rua e ser um líder preocupado com o bem-estar dos colaboradores.

“Feliz da empresa que tem a humanidade entre seus valores. Por exemplo, uma empresa que não pensa em pessoas, possui alta rotatividade e pode até adoecer os colaboradores. Na ponta do lápis, qual é o custo de cuidar da pessoa que se afastou por doença laboral, seja emocional, mental ou física? Quando ocorre uma demissão, qual é o impacto disso para os outros colegas ou para o social da empresa?”, explica Almeida.

“Gosto de pensar que o S, do ESG, está entre o ambiental e a governança, justamente por serem as pessoas que definem e executam os três pilares. O S suporta o E e o G. A pauta diversidade, por exemplo, tem sido muito discutida e já clama por mais ação e não apenas reflexão. São as pessoas que fazem a empresa, são as ações dessas que definem a reputação”, completa.

Segundo a especialista, todo ser humano precisa ser reconhecido, independente do cargo ou função. “E isso não é papo de humanitário, isso é papo de gestor. Todo ser humano tem que ser visto. Se você for falar com humanitário, ele vai dizer a mesma coisa: ‘todo ser humano tem que ser visto’. Então é uma coisa só”, diz.

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​A primeira regra do Sphere, manual com os princípios de proteção para ações humanitárias, como observa Almeida, é entender a situação do local e quais são as necessidades reais. Neste sentido, ela questiona: “sabe quantos gestores assumem e já chegam chutando o balde, desfazendo o que o outro fez para mostrar que é chefe? Quando um novo gestor assume e impõe a próprias vontades e verdades, sem considerar o que já existe, muito se perde. Se no corporativo, isso pode gerar preuízos e insatisfações. Na ação humanitária, não reconhecer as necessidades reais, pode custar vidas. Está vendo como é que tem relação?”.

Cássia Almeida


Desde o início da vida adulta, Cássia realiza trabalhos voluntários, pois acredita que todos podem fazer um pouco pelo próximo. Quando procurava a oportunidade de realizar voluntariado no Malawi, país localizado no sudeste da África, encontrou a organização Fraternidade Sem Fronteiras e se apaixonou pela causa. “O nome é Fraternidade, pois todos são bem-vindos. Mas, Sem Fronteiras é porque o ser humano é sem fronteiras”, comenta.

Na Fraternidade Sem Fronteiras, ela teve certeza da importância de olhar para o próximo. Em uma das viagens que realizou como voluntária pela organização, atuou no projeto Órfãos do Congo. A iniciativa começou como um apoio a orfanatos, mas, atualmente, administra um centro de acolhimento para crianças órfãs, mães e gestantes das consequências de conflitos armados na República Democrática do Congo.

Através da gestão de doações, a organização consegue realizar uma festa para os aniversariantes do mês no centro de acolhimento. Enquanto administrar a compra de mantimentos já é uma tarefa desafiadora, comemorar o aniversário de cada criança é impossível. “Em uma manhã, uma garotinha veio até mim e falou: ‘hoje é meu aniversário. Eu quero maionese, espaguete e bolo’. Não é muita coisa, mas não tínhamos espaguete e ela não recebeu o bolo”, lembra Cássia.

Para quem não pode realizar o trabalho voluntário, é possível doar e se tornar padrinho da instituição. Com mais de dez projetos, no Brasil e no continente Africano, a Fraternidade Sem Fronteiras depende de doações de pessoas e de empresas. Dentro da organização, Cássia conheceu Ranieri Dias, empresário do setor de limpeza e vice-presidente da ONG, que enxerga o trabalho voluntário como algo recompensador – para além do retorno material.

“O que queremos despertar nas pessoas é sobre como existem locais sem acesso a água potável ou a refeições minimamente equilibradas, mas, principalmente, o quanto nós temos de responsabilidade, independente de etnia, de regiões geográficas ou de religião", afirma Dias. Em 2013, o empresário visitou Moçambique, quando o projeto atendia 70 crianças. Hoje, são 14 mil atendidas no país. Ao todo, através de 11 projetos da Fraternidade Sem Fronteiras, são 34 mil acolhidos. Contudo, o número de pessoas em situações de risco ainda é grande, por isso o maior desafio da organização é conectar corações.

Gostaria de saber mais sobre a Fraternidade Sem Fronteiras? Clique aqui.


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