O ambiente é fator decisivo para casos de corrupção?

Diretora executiva jurídica e de governança corporativa, riscos e compliance da VL fala sobre como implementar boas práticas no dia a dia da empresa.

Por Joyce Andrews

O ambiente é fator decisivo para casos de corrupção?

Foto: Canva.com / Natee Meepian's Images

O noticiário brasileiro trouxe à tona casos de fraudes contábeis em grandes empresas com operação no país, comprovadas ou ainda sob investigação. É um cenário que pode ter levado investidores a colocar em descrédito a governança corporativa de companhias nacionais ou multinacionais, de uma forma geral. No entanto, é preciso esclarecer que a realidade em muitas empresas é completamente diferente deste cenário e que a governança praticada é, na verdade, uma referência. 

Por mais que seja menos visível a olhares externos que ações ambientais ou sociais dentro do escopo ESG, a governança corporativa é um pilar relevante e indissociável da prosperidade e longevidade das organizações. Contudo, não basta haver apenas o cumprimento de um extenso rol de ações, de um mero checklist. É preciso ter a base de tudo: a instalação de uma cultura ética. 

Em geral, funcionários não acordam em determinado dia pensando em não agir de forma ética, em fraudar a companhia ou praticar um ato de corrupção. O ambiente é fator decisivo para isso. Por exemplo, ao estabelecer metas irrealistas para o alcance de bonificações ou indicadores estratosféricos de desempenho unicamente financeiros e de curto prazo, a companhia tende a se pautar apenas por decisões equivocadas e com atalhos. Ainda mais grave: pode passar a mensagem para a organização de que vale tudo pelo resultado.

Os mecanismos, processos, regras e órgãos de governança em uma empresa devem ser vistos como criação de valor e não como burocracias necessárias. Não entender os motivos e a importância de tais ações equivale a não implementar nenhuma ação. Se uma auditoria é contratada por obrigação legal e não por sua importância para a proteção do negócio, aí está o problema. As linhas de proteção ao negócio não funcionam se não for para valer. É preciso haver vontade e implementação de forma genuína para que aconteça a geração de valor advinda da boa prática da governança corporativa.  

É necessário que todos: acionistas, conselheiros, executivos, colaboradores, fornecedores e demais stakeholders enxerguem que a governança e a ética são fundamentais para a organização - como os rodeiros são necessários para que os vagões andem sobre os trilhos, em uma metáfora apropriada para a atividade da VLI

Desde sua criação, em 2010, a VLI trabalha com sólidos conceitos de governança corporativa, que, como em toda caminhada, foi ganhando elementos ao longo do tempo. Não é possível implementar todas as boas práticas da noite para o dia. Para ir além do checklist, é preciso incorporar a governança no dia a dia da empresa, como condição de contorno para qualquer decisão. É também de fundamental importância eliminar e neutralizar qualquer situação de conflitos de interesses. A começar dos acionistas. Os acionistas dão o tom para toda organização. 

A VLI tem como acionistas grandes companhias nacionais e multinacionais, que já pactuaram que a governança da companhia é mais forte do que qualquer vontade individual. Isso tem um valor imensurável, ou seja, é uma cadeia de pensamentos uniformes, em que todos estão cientes de que é necessário caminhar em direção a um propósito comum, sem desvirtuar regras, práticas, mecanismos e de que é preciso fazer a coisa certa, sem atalhos. 

O fortalecimento da infraestrutura é condição essencial para o crescimento do país, o que se encaixa com o propósito da VLI: a transformação da logística nacional. Tudo isso passa antes pelo reforço de processos internos das empresas do setor, pela educação e engajamento de empregados em temas como cultura ética, governança, gerenciamento de riscos e compliance; e pelo entendimento cada vez mais claro no país - tal como se vê no exterior - de que tais valores compõem o interesse público. No mundo corporativo, a boa governança sempre será um pressuposto da solidez e da longevidade dos negócios.


Veja mais conteúdos

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Mercado

Woba lança agentes de IA para gestão imobiliária corporativa e aposta em nova fase do workplace

Plataforma apresentada durante a Expo InfraFM promete apoiar decisões ligadas a custos, operação e experiência dos colaboradores por meio de inteligência artificial aplicada ao real estate corporativo

Mercado

Congresso InfraFM 2026 começa com imersões em operações de referência

Primeiro dia do Congresso InfraFM foi marcado por visitas técnicas em empresas e operações de diferentes segmentos, proporcionando aos participantes uma visão prática sobre gestão de infraestrutura, manutenção, tecnologia, segurança, sustentabilidade e eficiência operacional

AstraZeneca traduz crescimento, bem-estar e brasilidade em novo escritório em São Paulo

Com 2.300 m² na Torre Jatobá, o novo escritório da AstraZeneca em São Paulo foi projetado para apoiar o modelo híbrido, priorizando colaboração, sustentabilidade, acessibilidade e bem-estar dos colaboradores, com elementos de brasilidade e gestão por

Operações

Perder o prazo do LEED pode adiar certificações estratégicas até 2027

Cronograma do GBCI mostra que projetos que buscam certificação antes da Greenbuild ou até o fim do ano precisam antecipar documentação, pagamento e análise técnica

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Quando saúde mental, liderança e Workplace viram estratégia de negócio

De Harvard a Oxford, passando por CEOs que já transformam lucro em bem-estar: Mind Summit mostra que o futuro das organizações não é sobre espaços para trabalhar, e sim sobre espaços que libertam o melhor das pessoas. Facilities & Workplace entram no centro da estratégia corporativa

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea