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Escritórios ficaram até 50% mais caros no Brasil, mas país ainda aparece entre os mercados mais competitivos das Américas

Relatório da Cushman & Wakefield mostra pressão global sobre materiais, mão de obra e infraestrutura tecnológica, enquanto empresas reduzem expansão e concentram investimentos em escritórios premium

Por Redação

Escritórios ficaram até 50% mais caros no Brasil, mas país ainda aparece entre os mercados mais competitivos das Américas

Custos de escritórios seguem pressionados no mundo, mas Brasil se mantém entre os mercados mais competitivos das Américas. Foto: Divulgação


​Montar ou modernizar um escritório continua ficando mais caro no mundo inteiro. A diferença é que, mesmo sob pressão de inflação, câmbio e aumento de custos de materiais, o Brasil ainda aparece como um dos mercados corporativos mais competitivos das Américas para implantação de escritórios.

O estudo Office Fit Out Cost Guide 2026, da Cushman & Wakefield, mostra que o custo médio de implantação de escritórios no Brasil atingiu US$ 79 por pé quadrado em 2026. O país aparece entre os cinco mercados mais acessíveis das Américas, atrás apenas da Argentina e próximo de Colômbia, Chile e Peru.

O contraste fica mais evidente quando comparado a mercados norte-americanos. Segundo o relatório, San Francisco lidera o ranking global com custo médio de US$ 228 por pé quadrado, seguida por San Jose, com US$ 224, e Seattle, com US$ 223.

Os dados ajudam a explicar por que empresas globais continuam olhando a América Latina como região relevante para eficiência operacional e controle de custos imobiliários corporativos.

O custo subiu, mas o Brasil continua competitivo
Apesar da posição favorável no ranking regional, o relatório mostra que o Brasil registrou um dos maiores aumentos percentuais de custos entre os mercados analisados. Segundo a Cushman & Wakefield, os custos avançaram 50% em relação ao ano anterior.

O estudo associa esse movimento a recomposição inflacionária, ajustes na cadeia de fornecedores, pressões cambiais e expectativas relacionadas à reforma tributária.

Algumas categorias específicas tiveram aumentos ainda mais fortes. O relatório destaca que acabamentos gerais registraram crescimento de 177% no período.

Esse cenário ajuda a mostrar que competitividade não significa ausência de pressão. O Brasil continua relativamente mais barato do que outros mercados, mas passou a conviver com maior volatilidade em materiais, serviços e planejamento orçamentário.

O escritório premium ganhou importância no mundo híbrido
O relatório aponta que o mercado corporativo mundial atravessa uma mudança estrutural desde 2020. Segundo a Cushman & Wakefield, o volume de novos escritórios em construção nas Américas caiu para o menor nível em 25 anos. O estudo relaciona esse movimento ao avanço do trabalho híbrido, aos juros elevados e à maior cautela das empresas em relação à expansão imobiliária.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por escritórios considerados premium, com melhor localização, infraestrutura tecnológica, serviços e qualidade ambiental.

Essa leitura também aparece em estudos recentes sobre ocupação corporativa.

O relatório 2025 Americas Office Occupier Sentiment Survey, da CBRE, mostra que empresas passaram a priorizar qualidade dos espaços, eficiência operacional e experiência do colaborador na tomada de decisão imobiliária.

Já estudos da JLL indicam que muitas organizações estão reduzindo área total ocupada, mas investindo mais na qualidade do ambiente, tecnologia embarcada e infraestrutura dos escritórios.

O retrofit começa a ganhar força
Com menos novos empreendimentos entrando no mercado global, cresce a relevância da modernização de ativos existentes. O relatório da Cushman & Wakefield destaca o avanço das estratégias de adaptive reuse, modelo baseado em reutilização e adaptação de estruturas já existentes para acelerar entregas e reduzir custos.

No Brasil, essa lógica encontra espaço principalmente em edifícios corporativos mais antigos localizados em regiões consolidadas.

Relatórios da JLL e da CBRE mostram que parte relevante do estoque corporativo latino-americano ainda possui potencial de atualização em eficiência energética, infraestrutura digital, conforto ambiental e flexibilidade operacional.

Essa tendência ajuda a explicar o crescimento das discussões sobre retrofit, requalificação predial e modernização de escritórios já ocupados.

Data centers e eletrificação começam a pressionar materiais
Outro ponto relevante do relatório é a pressão internacional sobre materiais estratégicos. Segundo a Cushman & Wakefield, cobre, concreto e componentes elétricos seguem pressionados globalmente, impulsionados principalmente pelo crescimento de data centers, eletrificação e expansão da infraestrutura energética.

Essa leitura conversa com estudos da Agência Internacional de Energia e da McKinsey sobre crescimento da demanda energética associada a inteligência artificial, infraestrutura digital e eletrificação de sistemas.

Na prática, o aumento da demanda global por materiais elétricos e infraestrutura crítica começa a afetar diretamente projetos corporativos, principalmente aqueles com maior densidade tecnológica.

“O escritório deixou de ser apenas uma despesa imobiliária e passou a ocupar um papel estratégico dentro das empresas. O desafio global agora é equilibrar experiência, produtividade e eficiência financeira em um ambiente econômico ainda bastante pressionado”, afirma Fernanda Machado, diretora de PDS regional da Cushman & Wakefield.

Como construímos este material
Esta matéria foi desenvolvida com base no relatório Office Fit Out Cost Guide 2026, da Cushman & Wakefield, além dos estudos 2025 Americas Office Occupier Sentiment Survey, da CBRE, e análises da JLL sobre ocupação corporativa, retrofit, eficiência operacional e mercado imobiliário pós-pandemia. Caso identifique alguma inconsistência ou queira sugerir novas pautas, entre em contato pelo e-mail [email protected].


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