Gripe, SRAG e absenteísmo e o papel estratégico da limpeza profissional na continuidade das operações  

Com alta de doenças respiratórias e avanço de casos de SRAG no país, protocolos técnicos de higienização, desinfecção e qualidade do ar passam a integrar a agenda de risco operacional das empresas

Por Léa Lobo

Gripe, SRAG e absenteísmo e o papel estratégico da limpeza profissional na continuidade das operações  

Foto: Gustavo Fring by Pexels.


O aumento de casos de gripe, resfriados, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) acende um alerta para empresas, gestores de Facilities, RH e operação predial. Mais do que uma questão de saúde individual, a circulação de vírus respiratórios em ambientes corporativos pode gerar impacto direto na produtividade, no absenteísmo, na continuidade dos serviços e na experiência das pessoas no ambiente de trabalho.

Segundo dados citados pela Organização Mundial da Saúde, a gripe sazonal atinge cerca de 500 milhões de pessoas por ano no mundo, com 3 a 5 milhões de casos graves. No Brasil, o cenário epidemiológico de 2026 reforça a necessidade de atenção: boletim InfoGripe da Fiocruz mencionado pela ABRALIMP aponta aumento contínuo dos casos de SRAG em todo o território nacional, impulsionado principalmente por hospitalizações relacionadas ao VSR, à Influenza A e ao rinovírus.

Nesse contexto, a limpeza profissional deixa de ser percebida apenas como serviço de apoio e passa a integrar a estratégia de prevenção, saúde ocupacional e gestão de riscos nas empresas.


Higienização técnica como barreira operacional

Ambientes corporativos concentram superfícies compartilhadas, fluxos intensos de pessoas, sistemas de climatização e espaços fechados são fatores que podem favorecer a disseminação de vírus respiratórios quando não há protocolos adequados de limpeza, desinfecção e renovação do ar.

Para a ABRALIMP, a higienização técnica deve ser entendida como uma ferramenta de continuidade operacional. A ausência de protocolos consistentes pode aumentar afastamentos, comprometer escalas, sobrecarregar equipes e afetar entregas críticas.

“A limpeza profissional é a primeira linha de defesa de uma organização. Quando falamos em higienização técnica, não estamos tratando de estética ou de ‘deixar o ambiente cheiroso’, mas sim de saúde pública e de continuidade operacional”, afirma Fábio Stort, Diretor da Câmara Setorial de Químicos da ABRALIMP.

Entre as recomendações da entidade está o reforço da limpeza em pontos de alto contato, como maçanetas, botões de elevadores, corrimãos, painéis de máquinas de café, bancadas, mesas compartilhadas, teclados e áreas de apoio. A ausência de controle sobre esses pontos pode ampliar o risco de contaminação indireta.

Para o gestor de Facilities, isso significa revisar mapas de risco, cronogramas de limpeza, indicadores de performance, rotas operacionais e registros de execução, especialmente nos períodos de maior circulação viral.


Qualidade do ar entra no centro da gestão predial

Outro ponto destacado é a gestão da qualidade do ar interior. Durante períodos frios, a ventilação natural tende a ser reduzida, aumentando a dependência dos sistemas de climatização.

A manutenção de filtros, a higienização de componentes e o cumprimento do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) tornam-se medidas fundamentais para reduzir a concentração de partículas e microrganismos em ambientes fechados.

Na prática, o tema conecta limpeza profissional, manutenção predial, engenharia, saúde ocupacional e eficiência operacional. Sistemas de ar-condicionado sem manutenção adequada podem comprometer o conforto, a segurança sanitária e a percepção de qualidade do ambiente de trabalho.


Limpeza e desinfecção não são a mesma coisa

A ABRALIMP também chama atenção para a diferença entre limpeza e desinfecção. A limpeza remove sujidade visível e resíduos orgânicos. Já a desinfecção, quando realizada com agentes químicos adequados e conforme instruções técnicas, atua na redução ou eliminação de microrganismos.

Esse ponto é relevante porque muitas empresas ainda avaliam a limpeza apenas pela aparência visual do ambiente. Em cenários de alta circulação de vírus respiratórios, a percepção estética é insuficiente. Protocolos eficazes dependem de produtos saneantes registrados, diluição correta, tempo de contato adequado, EPIs, treinamento da equipe e controle da contaminação cruzada entre diferentes áreas.

A entidade recomenda o uso exclusivo de saneantes registrados na Anvisa, evitando produtos informais, misturas sem controle técnico ou soluções sem comprovação de eficácia. Além do risco sanitário, o uso inadequado de químicos pode afetar superfícies, comprometer equipamentos, expor ocupantes a substâncias inseguras e gerar passivos para a empresa.

A capacitação das equipes também é decisiva. Técnicas como limpeza colorimétrica, com panos e materiais separados por tipo de ambiente, ajudam a evitar contaminação cruzada entre banheiros, copas, estações de trabalho e áreas comuns. Para Luciana Lucio, Diretora da Câmara Setorial de Prestadores da ABRALIMP, protocolos profissionais de limpeza contribuem para proteger o capital humano e fortalecer a confiança no ambiente corporativo.

Por fim, a alta de doenças respiratórias reforça um aprendizado para empresas, onde ambientes de trabalho saudáveis dependem de processos técnicos, equipes capacitadas e gestão integrada. Para gestores de Facilities, o momento exige visão preventiva. A limpeza profissional, quando bem especificada, executada e monitorada, reduz riscos evitáveis, apoia a saúde ocupacional e ajuda a preservar a continuidade das operações.


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