Fale com a nossa equipe e vamos garantir a sua participação
 

Conscientização é chave para a sustentabilidade em condomínios

Focando as frentes do uso da água, energia elétrica e coleta seletiva

Incentivar a sustentabilidade em espaços de convivência como condomínios requer um trabalho de conscientização, além de um debate maduro e informativo. Por ser um assunto que levanta muitas objeções e também múltiplas sugestões, é necessário ter em mente que iniciativas nessa direção exigem esforços para mudar hábitos quando as novas medidas forem colocadas em prática, sendo fundamental articular propostas individuais e coletivas para alcançar soluções que de fato façam a diferença.

Um condomínio sustentável está baseado em três frentes que estão diretamente ligadas ao funcionamento e à rotina dos condôminos: uso da água, energia elétrica e coleta seletiva. Gerir os impactos destes três pilares possibilita reduzir gastos, valorizar o empreendimento e melhorar a vida dos moradores, e conta principalmente com ações básicas e efetivas tanto por parte do síndico ou responsável pelo empreendimento, quanto da colaboração dos moradores.

Discutir e estabelecer o uso consciente da água, além de ser uma das medidas mais importantes em termos de custos, impacta diretamente na sustentabilidade de um recurso tão essencial. Em relatório divulgado em 2019, a ONU projetou que três bilhões de pessoas sofrerão com escassez hídrica em 2025. Devemos lembrar que fenômenos naturais como estiagem e crises hídricas são adversidades enfrentadas na nossa realidade.

Diante disso, uma das primeiras soluções pensadas para os condomínios é a reutilização de águas das chuvas. Os prédios mais novos já possuem sistemas para captação e reuso. Para os edifícios mais antigos, a adaptação dessas ferramentas é viável, com instalações de sistemas de reserva e purificação. Fazer essa adaptação gera um gasto inicial, mas a utilização da água para limpeza, rega de plantas e enchimento de piscinas certamente trarão economias futuras. Inclusive, a evaporação pode ser evitada em piscinas com o de uso de mantas térmicas modernas.

Outra medida importante no condomínio é a leitura e monitoramento diário do relógio d'água. Se houver aumento além dos padrões ou um vazamento, poderá ser rapidamente identificado e resolvido, evitando o desperdício. Os condomínios também podem substituir as descargas das áreas comuns pelas novas válvulas que limitam o fluxo hídrico entre três e seis litros.

Os moradores também podem adotar medidas de responsáveis, como não tomar banhos mais longos do que o necessário, fechar a torneira ao escovar os dentes, se barbear ou na hora de lavar a louça, assim como ficar atentos a possíveis vazamentos. Propostas que sejam comuns a todos podem ser feitas ao síndico, em assembleia geral ou comunicado oficial.

Ao lado do uso da água, uma ação sustentável que merece destaque é a redução de consumo da energia elétrica. Soluções sofisticadas como painéis solares e fotovoltaicos têm surgido como oferta para condomínios para a geração de energia e fornecimento de aquecimento para as unidades. O aquecimento a gás, por exemplo, tem muito mais impacto negativo para o meio ambiental. Entretanto, apesar de os painéis estarem mais viáveis economicamente, ainda são caros para alguns condomínios.

Nesse caso, focar na iluminação é uma medida acessível e redutora de custos de energia elétrica. Campanhas internas e de manutenção preventiva são simples e têm retornos positivos e num curto prazo para moradores e condomínio. Também é recomendável que toda área comum tenha sensor de presença, para evitar desperdício. A troca das lâmpadas por opções de LED é viável e econômica, além da durabilidade e melhor iluminação.

O terceiro pilar, mas não menos importante, é o descarte correto do lixo e a coleta seletiva. Para condomínios preocupados com o funcionamento da reciclagem, deve-se ficar atento aos locais de coleta seletiva ou entrar em contato com as prefeituras que dispõem desse serviço. Internamente, os síndicos podem instalar pontos de coleta de lixos eletrônicos e encaminhar às empresas que descartam corretamente, assim como medicamentos, capsulas de café e tampinhas plásticas, que são recolhidos e descartados por diferentes empresas.

Incentivar iniciativas sustentáveis nos condomínios e entre os moradores, mesmo com pequenas premiações como uma cesta de café da manhã, mobilizam adultos e crianças e ajudam a trazer ideias diferentes para a administração do empreendimento, além de ser uma estratégia agradável. Neste período mais recente em que vivemos o isolamento social e um maior tempo de convivência entre as pessoas, certamente trouxe mais reflexão sobre o bem-estar e a saúde. Na vida em condomínio, é possível transformar pensamento em prática, levando em consideração ao mesmo tempo o meio ambiente e a melhor gestão de recursos. 

José Robeto Graiche Júnior, Presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo, AABIC

Foto: Divulgação.


Veja também

Conteúdos que gostaríamos de sugerir para a sua leitura.

Líderes de audiência

Workplace

Refeições compartilhadas é indicador global de conexão e bem-estar

World Happiness Report 2025 reforça que conexões humanas, confiança e atos de cuidado têm impacto direto no bem-estar

Carreira

A falsa força dos “líderes fortes” e o que isso ensina sobre gestão, poder e resiliência

Stephen Kotkin destaca em seu artigo que a força não está em silenciar vozes, mas em criar sistemas capazes de aprender, evoluir e se reinventar

Operações

Compostagem acelerada ganha protagonismo como solução estratégica para resíduos orgânicos e eco...

Estudos internacionais apontam que tecnologias avançadas de compostagem podem transformar resíduos orgânicos em ativo ambiental

Sugestões da Redação

Mercado

Real Estate em 2026. O que orienta a escolha entre ocupar, adaptar ou investir?

Relatório da JLL mostra como a redução da oferta de novos empreendimentos valoriza ativos de alta qualidade no mercado imobiliário global

Mercado

Quando cultura, facilities e negócio falam a mesma língua na educação

Na edtech que quer chegar a 1 milhão de empregos até 2030, Facilities passou a ser protagonista da cultura e do crescimento.

Outside Work

Em 2026, sua casa terá um "CPF". Entenda o que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro e como ele afe...

Um novo cadastro nacional vai reorganizar a forma como o Estado enxerga os imóveis no Brasil. A partir de 2026, essa mudança começa a impactar impostos, transações e a gestão patrimonial

Revista InfraFM

Azul por dentro da operação que faz o Brasil voar

Infraestrutura que trata o avião como cliente e formação que sustenta a excelência operacional da companhia aérea

Revista InfraFM

O futuro já começou. Quem vai gerenciá-lo?

Projetando a sociedade do futuro para as nossas vidas

Revista InfraFM

O engenheiro que também aprendeu a cuidar de prédios vivos

A arquitetura humana e tecnológica dos campi do Insper integra educação, convivência e networking